Embaixador brasileiro acusa Israel de deter filha por causa de ‘nome árabe’

Publicado por: suporte

Laila Motta chegou a Tel Aviv na madrugada de quarta para quinta-feira para passar as férias com os pais e fazer um curso em um hospital israelense. O embaixador, Pedro Motta, diz que ela ficou detida por três horas e que ele teve de recorrer a um alto funcionário do ministério das Relações Exteriores de Israel para liberá-la.

O ministério do Interior nega a versão do embaixador e diz que manteve Laila em uma sala do aeroporto enquanto checava seus dados. Todo o episódio teria durado apenas três minutos, segundo a versão do ministério.
 
O embaixador brasileiro disse que o incidente é "muito sério". Ele mandou uma nota de protesto ao ministério de Relações Exteriores e disse que a embaixadora israelense em Brasília será chamada pelo Itamaraty para dar esclarecimentos sobre o incidente.
 
NOME HEBRAICO – Laila Motta, estudante de 25 anos, chegou à meia-noite de quinta-feira no aeroporto Ben Gurion, que tem um dos esquemas de segurança mais rígidos do mundo. Pedro Motta, que esperava a filha no aeroporto, conta que chegou a vê-la na fila do posto de checagem de passaporte. O embaixador disse que perdeu Laila de vista e ficou uma hora e meia esperando pela sua saída, sem notícias.
 
Ao buscar informações no aeroporto, Motta diz ter sido encaminhado para uma sala de um funcionário do ministério do Interior, onde encontrou Laila. Motta afirma que se apresentou como embaixador brasileiro ao funcionário e que identificou sua filha, mas que foi expulso do local.
 
Ele telefonou para o chefe do protocolo do ministério das Relações Exteriores de Israel, embaixador Itzhak Eldan, às 02h30 da manhã para pedir ajuda. Eldan pediu para falar com o funcionário pelo celular e Motta voltou à sala, de onde, segundo o embaixador, foi novamente expulso.
 
Motta disse que Laila só deixou o aeroporto e entrou em Tel Aviv depois que Eldan ligou para a sala de plantão do ministério das Relações Exteriores, que entrou em contato com o diretor do aeroporto Ben Gurion. O funcionário teria se recusado a se identificar.
 
"Eu entendo que minha filha foi detida porque os agentes de segurança pensaram que o nome dela é árabe. Mas o que eles não sabem é que o nome dela vem de uma canção hebraica chamada Laila (Laila, em hebraico, significa noite)", disse Motta à BBC Brasil. "O nome não tem nenhuma relação com o nome árabe, mas mesmo se tivesse, porque que ela merece ser tratada dessa maneira?"
 
"A embaixadora israelense em Brasília (Tzipora Rimon), está sendo chamada pelo chefe do departamento de Oriente Médio do Itamaraty (Sarkis Karmirian) para dar esclarecimentos sobre esse incidente, que eu considero especialmente sério, pois as autoridades israelenses se recusaram a reconhecer minha identidade como embaixador e a credencial que me foi dada pelo próprio ministério daqui", acrescentou Motta.
 
“TRÊS MINUTOS” – O ministério do Interior israelense divulgou uma nota na qual afirma que Laila foi detida por apenas três minutos, e que as autoridades estavam apenas verificando o status da estudante.
 
"A senhora Laila Motta foi transferida para o ministério do Interior para verificação de seu status. Um minuto depois que seu passaporte foi colocado sobre a mesa do funcionário do ministério do Interior, um homem invadiu a sala e atrapalhou o procedimento correto do interrogatório e tentou retirar o passaporte da senhora Laila Motta da mesa. Essa pessoa alegou que era o embaixador brasileiro e pai da viajante. Depois que lhe foi explicado que o interrogatório duraria alguns minutos, ele saiu da sala, voltando logo depois e exigindo que o funcionário do ministério falasse com alguém pelo telefone celular", afirma a nota.
 
"O funcionário do ministério do Interior pediu de maneira gentil para que ele saísse da sala, porque ele estava atrapalhando o interrogatório. Laila Motta respondeu algumas perguntas e todo o incidente não durou mais do que três minutos."
 
Pedro Motta disse à BBC Brasil que se recusa a comentar as alegações do ministério do Interior, sustenta que sua filha ficou detida por três horas e considera este "um incidente muito sério".
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