Polícia Federal flagra onze deputados mineiros envolvidos na máfia do combustível

Publicado por: suporte

A Polícia Federal deflagrou na sexta-feira passada a Operação Mão Invisível para combater a formação de cartel por organização criminosa que atua no comércio e distribuição de combustível, no Estado de Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Participaram da ação, 250 policiais federais, promotores de Justiça do Ministério Público Estadual, técnicos da Secretaria de Direito Econômico – SDE/MJ – e da Secretaria de Análise Econômica – SEAE/MF. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e 24 de prisão temporária em residências, escritórios, postos de combustíveis, sindicatos e distribuidoras de sete cidades de Minas e no Rio de Janeiro/RJ. Essa foi considerada a maior operação policial desencadeada, na América do Sul, para combater esse ilícito penal.

As investigações na Polícia Federal, iniciadas em agosto de 2007, demonstraram a existência de uma organização criminosa que, mediante acordos e ajustes, forçava o preço do combustível para cima do valor de mercado, lesando os interesses dos consumidores.
Os membros da suposta organização criminosa poderão ser impedidos de comercializar o combustível em Minas Gerais. Eles responderão pelos crimes de formação de quadrilha (artigo 288 Código Penal) e cartel (art. 4º, I, “a”, II, “a”, V, da Lei 8.137/90 e art. 1º, I da Lei 8.176/91). As penas, cumulativamente, chegam a 15 anos de prisão. Todos os presos foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte/MG e ficarão à disposição da Justiça.
 
O nome da Operação é uma referência aos termos usados por Adam Smith no livro “A Riqueza das Nações”, para explicar que os homens são freqüentemente “levados por uma mão invisível sem que o saibam, sem que tenham essa intenção, a promover o interesse da sociedade”. É no inesperado resultado da luta competitiva por melhoramento próprio que a mão invisível regula a economia. Smith explica como a concorrência força o preço dos produtos para baixo, até seus níveis “naturais”, que correspondam ao seu custo de produção. O termo é usado até hoje por estudiosos de todo o mundo, quando se fala em liberalismo econômico.
 
DEPUTADOS – A Polícia Federal descobriu em Minas Gerais, por meio de documentos apreendidos da operação contra o cartel de combustíveis, que ao menos 11 deputados mineiros e quatro vereadores da região metropolitana de Belo Horizonte teriam recebido doações eleitorais ilegais de até R$ 110 mil dos indiciados por formação de quadrilha e cartel de gasolina e álcool.
 
Segundo a Polícia Federal, toda a documentação sobre o suposto "caixa dois" será remetida nesta quarta-feira (9) para o juiz da Vara de Inquéritos Policiais de Belo Horizonte, José Ricardo de Freitas Veras, com o inquérito que investiga 31 empresários (ligados a postos e sindicatos) e seis distribuidoras de combustíveis. Caberá ao juiz remeter os documentos à Justiça Eleitoral sobre as doações.
 
A PF não informou quantos são os doadores nem o montante doado. Informou apenas que não há indícios de envolvimento das distribuidoras. Os nomes dos deputados e vereadores são mantidos em sigilo, mas a Folha apurou que, dos 11 deputados, seis são federais e cinco estaduais.
 
Na semana passada, a PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em sete cidades mineiras e no Rio, operação que teve a participação da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. A PF encontrou planilhas especificando as doações eleitorais, com nomes dos políticos beneficiados e os valores doados.
 
Assim que receber a documentação do juiz mineiro, a Justiça Eleitoral deverá pedir que a Polícia Federal abra um inquérito específico para apurar o suposto "caixa dois". Doações eleitorais não registradas constituem crime. O político pode perder o mandato.
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