“Fomos pegos de surpresa. Hoje, ele [Pitta] se dedica somente à sua vida profissional. Ele é economista, dá palestras, acompanho os negócios dele e posso dizer que ele dedica 100% do tempo à sua profissão”, afirmou por telefone Rony Golabek. “Ele não tem nada a ver com Daniel Dantes e Naji Nahas. Depois que ele saiu da política, nunca mais ouvi esses nomes.”
Segundo ela, o ex-prefeito presta depoimento à PF neste momento, após prisão realizada como um desdobramento do caso Mensalão. A PF informa que, ao todo, estão sendo cumpridos 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Entre os presos, além de Pitta, estão o empresário Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas.
Sobre Nahas, ela disse que faz muito tempo que não se encontram. A última vez foi no enterro do deputado federal Ricardo Izar (em maio deste ano). “Eles [Pitta e Nahas] tinham contato, negócio acho que não chegaram a ter, era uma coisa de amizade. Mas fazia tempo que eles não se falavam”, afirmou, sem precisar o tempo.
Para Rony, Pitta só não foi algemado porque a advogada estava presente. No momento da prisão, ela teria intercedido e questionado a razão das algemas, já que ele estava dentro de casa, colaborando e sem oferecer resistência.
A PRISÃO – Rony contou em detalhes como foi a prisão realizada pela PF. Ela relatou que os policiais federais foram o tempo todo educados, sem qualquer agressividade, mas demonstravam pressa na execução da busca. Segundo ela, eram 6h quando a campainha tocou. Ela desceu de pijama e ouviu, pelo interfone da casa localizada no Jardim Paulista, que se tratava da Polícia Federal e que, se não abrissem, iriam arrombar a porta.
Receosa de que pudesse ser um assalto, Rony disse que voltou para o quarto para chamar Celso Pitta. “Ele me disse para ficar tranqüila que ele abriria. Conversou com a delegada pelo interfone e abriu a porta”, contou. Em seguida, os agentes da PF ingressaram na residência e começaram a apreender coisas.
Segundo Rony, entre esses objetos estão cinco relógios, “de uso diário”, todos presentes. Ela citou três marcas: Panerai, Tag Heuer e um Bulgari de borracha, presente da mãe de Pitta —em um site de compra e venda, a reportagem identificou um modelo como este, usado, sendo vendido por R$ 3.900.
“Não foram mal-educados, nem agressivos. A delegada tinha muita pressa”, afirmou. “Durante as buscas, recebemos um telefonema dos advogados [de Pitta], dizendo que já estava na Internet e que eles iam prendê-lo ao final da operação”, relata Rony.
A esposa de Pitta disse que neste momento perguntaram para os agentes se era verdade. A resposta foi positiva. “Disseram que avisam só no final, porque fazem a operação por partes. Mas a imprensa sabia de tudo antes mesmo da prisão”, afirma.
De acordo com Rony, a PF apreendeu documentos de sua empresa Elemento Acqua, uma confecção “de moda de praia”, que está sendo fechada por causa das dificuldades financeiras pelas quais passam o casal.
“Acham que a gente tem grana, mas eu fechei a empresa por dificuldades financeiras. Ele [Pitta] é um peixe muito pequeno. Quando o político deixa de ser político para ser executivo, é complicado porque passa por um problema de confiança. Por causa da falta de credibilidade da classe política”, diz.
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