A Polícia Federal (PF) prendeu hoje 15 pessoas ao deflagrar a Operação de Volta para Pasárgada, resultante da análise do material da Operação Pasárgada, de abril passado, quando a PF prendeu 50 pessoas, entre elas 17 prefeitos e um juiz federal, suspeitos de participar de um esquema de liberação irregular de verba do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
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A Operação De Volta Para Pasárgada pretende desarticular um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a PF, as prefeituras com dívidas junto ao órgão federal não tinham parcelas de repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) retidas para pagamento dos débitos.
De acordo com a PF, a operação de hoje visa também o cumprimento de 47 mandados de busca e apreensão, além do arresto de vários veículos de luxo e imóveis localizados nas cidades de Belo Horizonte e Juiz de Fora, em Minas Gerais; Angra dos Reis e Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Das 15 prisões feitas até agora, sete foram preventivas e oito temporárias.
Conforme a PF, a nova operação envolve situações referentes ao escritório de advocacia do principal lobista envolvido e as relações entre a prefeitura de Juiz de Fora e de outros municípios com empresas prestadoras de serviços contratadas sem licitação. A nova operação também tem por objetivo comprovar a origem do dinheiro apreendido na casa do prefeito de Juiz de Fora, Alberto Bejani (PTB). Na residência do prefeito, os agentes federais encontraram o montante de R$ 1,12 milhão em espécie e ele foi autuado em flagrante.
Segundo a PF, no decorrer das investigações surgiam indícios de que o montante "não teria procedência lícita." Bejani já alegou que os recursos eram provenientes da venda da Fazenda Liberdade, no município vizinho de Ewbank da Câmara. Segundo o prefeito, a pequena propriedade (de 92,41 hectares) foi vendida por R$ 1,2 milhão ao diretor da Abdalla Agronegócios Ltda, Marcelo Abdalla da Silva. Em depoimento na PF, Abdalla da Silva confirmou o negócio, mas não reconheceu o dinheiro apreendido na casa de Bejani.
| OPERAÇÃO PASÁRGADA | |
| Foto: Eduardo Brasil | |
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| No dia 6 de maio Alberto Bejani tentou explicar a origem do dinheiro |
EXPLICAÇÕES – No dia 6 de maio passado, o prefeito de Juiz de Fora, Carlos Alberto Bejani (PTB), concedeu entrevista coletiva e disse que o dinheiro apreendido em sua mansão – R$ 1,1 milhão, em notas de R$ 50 e R$ 100 – pela Polícia Federal, durante a Operação Pasárgada, no dia 9 de abril, teve origem na venda da Fazenda Liberdade, no município vizinho de Ewbank da Câmara. A explicação sobre a procedência dos recursos era aguardada desde que o prefeito deixou a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, em 21 de abril.
Depois de falar cerca de 10 minutos com a imprensa, o prefeito deixou rapidamente a sala reservada para entrevista coletiva. Bejani não respondeu a inúmeras questões importantes para esclarecer detalhes da transação como, por exemplo, quando a fazenda foi comprada, se foi listada em sua declaração de Imposto Renda, se a propriedade é compatível com sua renda mensal de prefeito, de R$ 15 mil, o motivo do pagamento ter sido feito em espécie e por que a quantia ficou guardada em casa. O prefeito declarou apenas que a propriedade foi negociada em 3 de abril, seis dias antes de a PF deflagrar a Operação Pasárgada. “Eu justifiquei ao delegado, mas ele mandou que eu me explicasse na Justiça”, disse Bejani. Ele relatou ainda que demorou 15 dias para explicar a origem do dinheiro porque aguardava a autorização do comprador.
De acordo com o prefeito, a fazenda foi adquirida por R$ 1,2 milhão. “No ato de assinatura, o comprador da propriedade, Abdalla Agronegócios Ltda, representado por seu diretor Marcelo Abdalla da Silva, fez o pagamento de R$ 1 milhão, sendo estipulado, no mesmo documento, o pagamento do restante em sete dias, a partir da assinatura do contrato”, informou. Bejani alega que tomou a decisão de vender a fazenda após a propriedade ter sido assaltada, no dia 13 de fevereiro. Na ocasião, o prefeito denunciou à polícia que a fazenda foi invadida por assaltantes, que levaram duas espingardas e R$ 60 mil reais.
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