O assessor do senador Álvaro Dias (PSDB) André Eduardo Fernandes disse ter interpretado como uma ameaça o e-mail recebido do ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Pires com uma planilha de gastos presidenciais na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Cartões Corporativos nesta terça-feira , ele disse que recebeu, além da planilha de gastos – o chamado dossiê –, um texto falando da obrigação do administrador público na prestação de contas.
“Não pedi para receber o e-mail”, disse. “Foi uma troca de e-mails corriqueira e interpretei claramente como uma intimidação ao partido. Sou assessor de um dos principais senadores da oposição [Álvaro Dias – PSDB/PR]. Ele manda um e-mail com gastos sem critério nenhum, sem lógica nenhuma. E na época ainda estava se discutindo se as investigações da CPMI iriam regredir até 1998 ou não. Ele não é ingênuo, eu também não. Eu já participei de CPI, ele também”, completou.
Segundo o funcionário, essa não foi a primeira vez que foi ameaçado por José Aparecido Pires. Fernandes disse que em 2004, quando era assessor do então senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) durante a CPI do Banestado, recebeu claramente ameaças de Aparecido.
André Fernandes disse ainda que conhece o ex-secretário da Casa Civil desde 1991, mas, por conta da discussão em 2004, a amizade ficou distante. Ele fazia parte de uma lista de amigos para os quais Fernandes mandava e-mails “apenas corriqueiros”. “Não discutia política com ele”, afirmou, ao acrescentar que o dossiê chegou ao seu e-mail enquanto estava de férias. “Ele tentou me usar como peão duas vezes. Tentou me intimidar duas vezes. Isso já mostra muito bem quem é ele”, disse.
O assessor de Álvaro Dias explicou que qualquer banco de dados apresenta dados e informações genéricas sobre determinado assunto. No caso do e-mail que recebeu, observou o assessor, as informações eram tópicas e versavam apenas sobre gastos com "bens exóticos e de luxo" do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Isso caracteriza um dossiê”, acrescentou ele. André Fernandes também negou ter entregue à imprensa o dossiê com os gastos do governo Fernando Henrique Cardoso
André Fernandes disse ainda que foi Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, quem autorizou a confecção de um dossiê a respeito dos gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Foi o próprio José Aparecido, ex-secretário de Controle Interno da Presidência da República, que me confessou o fato, na presença de duas testemunhas”, garantiu André Fernandes.
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