Policial que matou Jean Charles nunca tinha atirado em suspeito

Publicado por: suporte

Um dos policiais que mataram o brasileiro Jean Charles de Menezes nunca tinha atirado contra um suspeito antes, disse ele nesta sexta-feira (24) em depoimento ao inquérito sobre a morte do eletricista pela polícia na estação de metro de Stockwell, em Londres, em 22 de Julho de 2005.

O policial, identificado apenas como C12, afirmou em seu depoimento que as instruções antes da ação que levou à morte de Jean Charles foram “muito breves”, e que ele acreditava estar diante de um risco imensurável.

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Esta é a primeira vez que o agente depõe publicamente sobre o caso, desde que Jean Charles foi morto pela polícia, depois de ter sido confundido com o extremista Hussein Osman. Na véspera, Osman havia tentado cometer um atentado contra a rede de transportes públicos de Londres.

A mãe, Maria Otone de Menezes, e o irmão de Jean Charles, Giovani da Silva, estavam presentes no depoimento, em Londres.

ÚNICA OPÇÃO – O legista que preside o inquérito, Sir Michael Wright, disse ao júri que C12 e o outro policial que atirou contra Jean Charles, identificado como C2, acreditavam que a “morte instantânea” era a única opção.

Os dois agentes estariam “convencidos” de que Jean Charles era o suspeito, mas os policiais envolvidos na vigilância de Osman disseram ao inquérito que o eletricista foi identificado como uma “boa possibilidade”.

C12 contou que não foi comunicado da “urgência” de seu deslocamento e que havia trabalhado um turno de 14 horas na véspera. Ele disse ter recebido poucos detalhes sobre o suspeito ou sobre a operação, durante dois comunicados pela manhã. “Eu não consigo lembrar de detalhes específicos, mas a conversa geral envolvia uma operação contra-terrorismo em seguida aos… atentados frustrados da véspera”, disse ele. “Foi um comunicado muito breve – um esboço do que nós estávamos fazendo e onde tínhamos que ir imediatamente.”

O especialista em armas de fogo ainda respondeu sobre seu estado mental na hora da ação, com voz trêmula: “O perigo que estávamos enfrentando, ou potencialmente enfrentando, era imensurável”, disse o policial.  “Eles eram extremistas suicidas fracassados. Quem sabe o que se passaria na cabeça deles? Eles haviam preparado bombas para alcançar mortes massivas. Eles estavam determinados, como fomos levados a acreditar, preparados, altamente perigosos, e talvez nós tivéssemos que enfrentá-los.”

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O policial contou ter requisitado uma pistola Glock, um rifle e granadas para “estar equipado para qualquer eventualidade”. Ele ainda escolheu munição de 124 gramas, porque teriam lhe dito que era a melhor para “incapacitação imediata”. O agente foi admitido na unidade especial de armas de fogo da polícia em 1996.

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