Além de despertar o gigante adormecido e tirá-lo do berço esplêndido, o ato também serviu para que as autoridades atentem à força da juventude associada ao poder das redes sociais.
As passeatas fundamentalmente compostas por jovens, foram direcionadas a todas as esferas dos tres poderes constituídos. O préstito chamou a atenção dos governantes, da cegueira e lentidão da Justiça, alertou para as vaidades no STJ, cobrou do Tribunal de Contas mais critério na investigação e avaliação dos gastos públicos dentro do termo de responsabilidade fiscal.
As pessoas clamaram pelo fim da corrupção, fim da insegurança, da impunidade, do corporativismo, da violência; para o fim de todos os preconceitos e de todas discriminações. A ação disse não a PEC 37, exige inclusão social, saúde e educação com qualidade; transporte com preços justos, segurança, seriedade nas políticas públicas, revisão do código penal, redução da maior idade e penas mais rigorosas.
Não pense as oposições tirarem proveito da situação, o recado é extensivo a todos os políticos e a todas as siglas partidárias e mostra a insatisfação do povo com a classe política.
A mensagem também atingiu a população brasileira e aqueles que se julgam imaculados, enquanto a oportunidade não faz o ladrão. O saimento é ponto de reflexão, do olhar para nos mesmos e se queremos mudar o país, que a mudança inicie em cada um de nós; que o momento é de darmos um basta às piadinhas que fazemos contra a nossa pátria, de passarmos a levar este país a sério, com respeito e patriotismo.
Não se pode cobrar apenas dos políticos a honestidade, se isso é obrigação, mas de nós mesmos, por que em se tratando de desonestidade, as carapuças estão ai e se pensarmos bem, existe aquela que se ajustará na cabeça de cada um de nós. Ninguém, sem distinção de classe social, profissão, cargo, cor, raça e credo é 100% honesto. Nós nos iludidos como sendo os mais espertos e os melhores do mundo, quando na verdade não somos. Queremos levar vantagem em tudo e não perdemos a chance de passar alguém para trás.
A honestidade cabe em qualquer lugar, mas enxergamos os pequenos atos desonestos como sendo esperteza ou apenas aproveitar de uma situação que bateu a porta. Se olharmos fundo, em cada um de nós tem a porção ainda que irrisória de desonestidade e isso nem sempre significa ter que roubar para nos tornarmos desonestos. É honesto fecharmos os olhos as várias situações que poderíamos evitar ou contribuir para não deixar acontecer, mas diante dos fatos nos apresentamos passivos e inertes?
Podemos ser desonestos no faltar com a verdade, ao desrespeitar a consciência do voto, nas relações afetivas, trabalhistas, religiosa, profissionais, comerciais, políticas, sociais e até como o nosso próprio ego. Podemos ser tortuosos ao tornarmos omissos, negligentes quando ausentamos da participação dos rumos do país, do Estado, da nossa cidade, das associações dos bairros e até como os filhos, quando faltamos com as responsabilidades familiares.
Durante mais de 50 décadas, fomos inconvenientes e não faltaram heróis para fazer com que deixássemos de achar que não é da nossa conta os problemas da coletividade brasileira e isso tem de ser mudado. Se o Brasil chegou neste ponto por que nunca fomos sérios e honestos com a coisa pública e ao contrário fomos desrespeitosos com o é de domínio e interesse públicos. Não soubemos cobrar dos representantes que elegemos e que a eles delegamos nossos rumos. Nossos problemas individuais estão a frente das preocupações coletivas e queremos ser a prioridade na fila de espera. Não aprendemos separar o joio do trigo e por muito tempo aceitamos que ser político, representante do povo é sinônimo de ladrão e não importa quem esteja no poder, desde que rouba mas que faça.
Criamos máximas para os saqueadores do país e os reelegemos. Acostumamos com a corrupção, com as mentiras eleitoreiras, com o circo armado no entorno da questão pública e com o rodízio de pizzas indigestas, quando mal esquecemos do sabor da que já foi degustada. Sabemos do esquema no qual quem entra é para levar vantagem, ser corrupto ou corrompido para roubar os cofres públicos. No momento de apuração dos fatos graves de crimes comuns ou de lesa pátria, a Justiça determina o grau de punição de acordo com a classe e segmento social que o larápio pertence.
Olhamos a honestidade como fato raro, como um tremendo esforço de se manter o mais tempo possível resistindo às variadas tentações ilícitas.
Resguardados os atos de vandalismo, o recado foi dado para todos os poderes constituídos e aqueles cujas ferramentas estão às mãos, não aguardem outros movimentos para iniciarem as mudanças (as quais cansamos de ouvir), antes que as manifestações populares se transforme em motins. Para todos aqueles que como eu, participaram do evento, que ajudem a apontar caminhos, o norte das mudanças que pode se iniciar nas próximas eleições.
As manifestações não podem ser como um momento de deslembre e voltar a mesmice. Há que se manter de forma constante. A corrente social dos debates entorno dos assuntos relevantes a coletividade local e nacional. O “#Vem pra rua” não pode se deixar virar poder paralelo e assim perder a essência, precisa se organizar para estar ativo não só nas redes sociais, mas para debater a partidariamente as várias questões sociais.
POR: Jarbas Gomes
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