Diretor técnico e infectologista da UPA de Divinópolis alertam sobre a baixa cobertura vacinal contra covid-19 no município

Em entrevistas exclusivas ao Divinews, os médicos Marco Antônio Expedito de Oliveira e Natália Arcanjo revelam que os 17 funcionários diagnosticados com Covid-19 não possuem registro de vacinação em 2026, apesar de a UPA ter promovido campanha interna de imunização

Publicado por: Geraldo Passos

A Covid-19 voltou a acender o alerta na Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto Cordeiro Martins, em Divinópolis, após a confirmação de 17 casos entre funcionários em um intervalo de poucos dias. Entretanto, um dado revelado em entrevista exclusiva ao Divinews pela médica infectologista Natália Arcanjo chama ainda mais atenção: nenhum dos profissionais com diagnóstico confirmado possuía registro de vacinação contra a doença em 2026. A informação foi obtida durante investigação epidemiológica realizada pela própria unidade, que também identificou três casos suspeitos. O diretor técnico, médico Marco Antônio Expedito de Oliveira, confirmou que o crescimento repentino das infecções levou à abertura de investigação de possível surto e à retomada da obrigatoriedade de máscaras. Apesar da preocupação, todos os casos confirmados entre os funcionários apresentaram sintomas leves 

Diretor técnico revela que aumento repentino de casos surpreendeu equipe da UPA

Em entrevista concedida ao Divinews, o médico Marco Antônio Expedito de Oliveira, diretor técnico da UPA Padre Roberto Cordeiro Martins, explicou que a unidade mantém acompanhamento sistemático das doenças mais frequentes por meio das chamadas semanas epidemiológicas.

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Segundo ele, os profissionais monitoram semanalmente o comportamento das infecções identificadas tanto na unidade quanto na região. Esse acompanhamento permitiu perceber uma alteração expressiva no número de diagnósticos de Covid-19.

“Todas as semanas a gente acompanha as doenças que estão mais prevalentes, tanto na UPA quanto na região. E o que a gente observou foi que em uma semana nós tivemos 17 casos confirmados de Covid entre os funcionários.”

O médico relatou que, nas semanas anteriores, eram observados aproximadamente um, dois ou três casos, no máximo. Entretanto, a situação mudou rapidamente, com a identificação de um número muito superior de profissionais infectados.

Para Marco Antônio, a diferença não estava na manifestação clínica da doença, mas no comportamento epidemiológico, ou seja, na quantidade de casos identificados em um período reduzido.

Dezessete funcionários testaram positivo e outros três casos estão sob investigação

A investigação epidemiológica começou após a identificação de uma funcionária com resultado positivo para Covid-19 durante o fim de semana. Na segunda-feira (19), outros colaboradores passaram a apresentar sintomas respiratórios.

A infectologista Natália Arcanjo explicou ao Divinews que foi procurada pelo diretor técnico quando o aumento dos casos começou a ser percebido.

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A equipe do controle de infecção orientou a realização de testes nos funcionários sintomáticos e identificou novos resultados positivos.

O levantamento apresentado pelos médicos registra:

INVESTIGAÇÃO NA UPA DE DIVINÓPOLIS

20

Casos investigados

17

Confirmados

3

Suspeitos

Todos os 17 casos confirmados entre funcionários foram classificados como leves pelos médicos entrevistados.Dados apresentados nas entrevistas exclusivas ao Divinews em 21 de outubro de 2026.

Marco Antônio explicou que, diante da concentração de ocorrências em curto intervalo, foi aberta uma ficha de investigação de possível surto, com comunicação aos órgãos de vigilância.

A infectologista destacou que a identificação de casos com proximidade temporal e possíveis vínculos de contato exige medidas imediatas de contenção, mesmo antes de determinar onde ocorreu a transmissão.

Nenhum dos 17 funcionários infectados havia recebido vacina contra Covid-19 em 2026

Este é um dos principais pontos revelados na entrevista exclusiva da infectologista Natália Arcanjo ao Divinews. Durante o levantamento do histórico vacinal dos profissionais com Covid-19 confirmada, a equipe identificou que nenhum deles possuía registro de vacinação contra a doença em 2026.

“Só que mesmo assim, o nosso levantamento aqui de todos os casos confirmados, nenhum deles tinha vacina de 2026.”

Segundo Natália, entre os históricos examinados, o registro de vacinação mais recente era de 2025. Outros profissionais apresentavam registros de 2024, 2023 ou períodos anteriores da pandemia.

A informação preocupa a equipe de saúde porque demonstra uma ausência de atualização vacinal entre os funcionários que adoeceram, apesar de a instituição ter realizado ações internas de imunização.

É importante distinguir, entretanto, que não receber uma dose em 2026 não significa necessariamente estar em desacordo com o calendário vigente. A necessidade de reforço depende da idade, das condições clínicas, do grupo de risco e das recomendações aplicáveis a cada pessoa.

O levantamento também não estabelece, isoladamente, que a ausência de vacinação em 2026 tenha causado as infecções, uma vez que as vacinas protegem principalmente contra formas graves da Covid-19 e não impedem todos os casos.

UPA ofereceu vacinação aos profissionais, mas registros mostram imunização desatualizada entre infectados

Natália Arcanjo explicou que, ao assumir suas atividades na unidade, entre o final de 2025 e o início de 2026, participou da organização de uma campanha institucional de vacinação.

A iniciativa contemplou diferentes imunizantes, incluindo vacinas contra influenza e Covid-19, além daqueles previstos no Programa Nacional de Imunizações.

A oferta foi direcionada a trabalhadores de diferentes setores, e não apenas aos profissionais responsáveis pelo atendimento médico.

Segundo a infectologista, a campanha incluiu médicos, enfermeiros, farmacêuticos, funcionários administrativos, trabalhadores da engenharia, da recepção e da triagem, entre outras equipes.

Mesmo com essa disponibilização, os registros dos profissionais que testaram positivo revelaram a ausência de doses contra Covid-19 em 2026.

Na avaliação da especialista, houve uma diminuição da atenção à vacinação depois dos períodos mais críticos da pandemia. Esse comportamento, segundo ela, também foi percebido durante o levantamento realizado entre os funcionários.

Infecções atingiram setores administrativos, assistência, farmácia e limpeza

O levantamento da UPA revelou que os casos confirmados não estavam concentrados apenas nos profissionais que realizam atendimento direto aos pacientes.

Segundo Natália Arcanjo, houve registros entre trabalhadores do setor administrativo, da assistência, da farmácia e da limpeza.

Essa distribuição foi considerada importante porque indica a necessidade de investigar diferentes possibilidades de contato entre os profissionais, incluindo situações ocorridas dentro e fora da instituição.

A infectologista explicou que, em ambientes de saúde, o contato próximo entre trabalhadores pode facilitar a transmissão de vírus respiratórios, especialmente em áreas compartilhadas.

Por isso, as medidas preventivas foram direcionadas a todos os setores da unidade.

Festa no bairro Niterói entrou na investigação como possível ponto de contato

Uma informação revelada por Natália Arcanjo acrescenta um novo elemento à investigação sobre a origem dos casos.

A médica relatou que alguns funcionários diagnosticados com Covid-19 participaram de uma festa recente em comemoração ao Dia das Crianças, realizada no bairro Niterói, em Divinópolis.

Segundo a infectologista, a presença de colaboradores no mesmo evento representa uma possível ligação epidemiológica que precisa ser examinada.

A especialista ressaltou que ainda não é possível estabelecer onde a transmissão efetivamente ocorreu. Os profissionais envolvidos também mantiveram contato no ambiente de trabalho.

Portanto, existem diferentes hipóteses: a transmissão pode ter ocorrido durante o evento social, na própria UPA ou em outros contatos.

Não há comprovação de que a festa tenha sido a origem das infecções, nem de que todos os casos confirmados estejam relacionados à comemoração.

Médicos esclarecem que pacientes internados não foram infectados

Uma das principais preocupações após a divulgação dos casos foi a possibilidade de transmissão do coronavírus aos pacientes atendidos na UPA.

O diretor técnico Marco Antônio informou ao Divinews que dois pacientes procuraram atendimento com sintomas respiratórios e tiveram testes positivos para Covid-19 nas semanas recentes.

Entretanto, ambos apresentaram quadros sem gravidade e receberam orientação para tratamento em casa, sem necessidade de internação.

“Para os pacientes nos setores de internação, nenhum paciente positivo.”

Natália Arcanjo também esclareceu que, até o momento da entrevista, a investigação não havia identificado transmissão associada ao agrupamento de casos entre funcionários para pacientes da unidade.

Essa distinção é fundamental: houve pacientes atendidos com Covid-19, mas não foi identificada transmissão do possível surto ocupacional para pessoas internadas.

Uso de máscaras voltou a ser obrigatório para evitar transmissão

Diante da identificação dos casos, a direção da UPA decidiu implementar imediatamente um plano de contingência.

A principal medida foi a retomada da obrigatoriedade do uso de máscaras no ambiente hospitalar, envolvendo funcionários, pacientes e acompanhantes.

Outras providências também foram adotadas, como reforço da higienização das mãos, orientação para distanciamento e reorganização dos espaços utilizados pelos trabalhadores.

A infectologista informou que os ambientes comuns passaram a funcionar de maneira escalonada, evitando a concentração simultânea de muitas pessoas.

Também houve mudanças na distribuição dos assentos, incluindo áreas destinadas às refeições e atividades administrativas.

O objetivo é diminuir oportunidades de transmissão enquanto a investigação epidemiológica procura identificar a origem e o comportamento das infecções.

Profissionais sintomáticos foram afastados como medida de proteção

Marco Antônio Expedito explicou que os afastamentos foram determinados por razões preventivas e não porque os trabalhadores estivessem apresentando quadros graves.

Todos os casos confirmados entre funcionários foram descritos como leves, com manifestações respiratórias compatíveis com a Covid-19.

Os profissionais permanecem sujeitos às orientações de isolamento e retorno às atividades estabelecidas pelas equipes responsáveis.

A medida busca evitar que trabalhadores ainda sintomáticos transmitam o vírus a colegas, acompanhantes ou pacientes vulneráveis.

Segundo o diretor técnico, a prioridade é impedir que a concentração de casos entre colaboradores provoque repercussões mais amplas dentro da unidade de saúde.

UPA notificou autoridades sanitárias municipais e estaduais

O diretor técnico confirmou ao Divinews que a investigação foi comunicada à Secretaria Municipal de Saúde, à Superintendência Regional de Saúde e ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde, conhecido como CIEVS.

A infectologista Natália Arcanjo também atua na estrutura estadual de vigilância, experiência que contribui para o acompanhamento dos casos identificados na UPA.

Segundo Marco Antônio, a comunicação às autoridades sanitárias ocorreu como parte do procedimento de investigação do possível surto.

A equipe busca compreender se os casos estão relacionados à transmissão dentro da instituição ou se decorrem de contatos externos entre pessoas que também trabalham na unidade.

A notificação não significa que exista uma epidemia generalizada em Divinópolis, mas permite que os órgãos de saúde acompanhem o comportamento da doença e adotem outras providências caso necessário.

Diretor técnico afirma que não existem informações confirmadas sobre situação semelhante em outras cidades

Questionado pelo Divinews sobre a possibilidade de crescimento da Covid-19 em municípios vizinhos, Marco Antônio Expedito informou que não havia recebido confirmação direta de situações semelhantes em outras cidades.

O médico relatou que existiam informações informais sobre pacientes com sintomas respiratórios e diagnósticos positivos em outros serviços.

Entretanto, essas ocorrências não haviam sido confirmadas por investigação própria da equipe da UPA.

Também foram mencionados relatos de pessoas sintomáticas em casas e abrigos, sem exames realizados pela instituição para confirmar a presença do coronavírus.

Por isso, o médico evitou estabelecer uma relação direta entre esses relatos e o agrupamento de casos identificado em Divinópolis.

Infectologista explica por que a UPA encontrou tantos casos em pouco tempo

Natália Arcanjo destacou outro aspecto importante da investigação: quando uma equipe de vigilância identifica uma concentração suspeita de infecções, passa a procurar ativamente outros casos relacionados.

Esse procedimento aumenta a capacidade de identificar pessoas com sintomas ou resultados positivos que poderiam passar despercebidas em outras circunstâncias.

Segundo a médica, isso ajuda a explicar por que a situação se tornou mais evidente na UPA.

A unidade possui profissionais dedicados à vigilância epidemiológica e iniciou rapidamente a testagem de pessoas sintomáticas após os primeiros diagnósticos.

Dessa forma, a concentração de resultados positivos também reflete a realização de uma busca ativa pelos casos.

Monitoramento continuará até completar dez dias sem novos casos

O trabalho de vigilância não termina com o afastamento dos funcionários diagnosticados ou com a adoção das medidas de prevenção.

Natália Arcanjo explicou que a unidade continuará acompanhando os trabalhadores infectados, os profissionais sem sintomas e os pacientes que permanecem sob assistência.

Segundo o protocolo de monitoramento descrito pela infectologista, o acompanhamento do agrupamento de casos somente será encerrado após dez dias sem identificação de novas ocorrências.

Até lá, a equipe continuará avaliando possíveis sintomas, novos testes e a evolução dos trabalhadores afastados.

A médica considera que a rapidez na identificação dos casos e na implementação das medidas preventivas contribuiu para reduzir o risco de disseminação.

Médicos afastam cenário semelhante ao da pandemia e defendem prevenção

Em resposta ao Divinews sobre o risco de a situação provocar novamente uma emergência sanitária, Marco Antônio Expedito explicou que o cenário observado na UPA não justifica concluir que Divinópolis esteja enfrentando uma situação semelhante à fase crítica da pandemia.

O diretor técnico ressaltou que as medidas foram adotadas principalmente porque a unidade recebe pacientes debilitados e pessoas que podem permanecer em observação ou internação por vários dias.

Segundo ele, mesmo quando os casos se concentram entre trabalhadores, o serviço de saúde precisa agir para preservar a segurança de todos.

A infectologista Natália Arcanjo também destacou a importância de manter a vigilância e a atenção aos cuidados preventivos, especialmente em relação à vacinação.

O principal alerta revelado nas entrevistas exclusivas ao Divinews é a combinação de um aumento repentino de casos entre funcionários e a ausência de vacinação contra a Covid-19 em 2026 nos registros dos 17 profissionais infectados.

Embora não seja possível atribuir a ocorrência exclusivamente à situação vacinal, os dados reforçam a necessidade de acompanhar a imunização dos grupos elegíveis, manter a vigilância epidemiológica e adotar medidas proporcionais ao risco.

Os principais esclarecimentos dos médicos ao Divinews
Pergunta Informação confirmada nas entrevistas
Quantos funcionários estão infectados? 17 casos confirmados
Existem outros casos? Três suspeitos em investigação
Algum dos confirmados tinha vacina de 2026? Nenhum, segundo Natália Arcanjo
A UPA ofereceu vacinação? Sim, em campanha institucional
Os funcionários tiveram sintomas graves? Não, todos os casos confirmados foram leves
Houve pacientes positivos? Dois pacientes atendidos com sintomas leves
Houve contaminação de pacientes internados? Nenhuma identificada
A origem dos casos foi descoberta? Ainda não
Há possibilidade de contato em evento externo? Sim, hipótese sob investigação
Quando termina o monitoramento? Após dez dias sem novos casos, segundo a infectologista
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