O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly Reis Lago, de 6 anos, e Allan Michael Reis Lago, de 4, ganhou uma nova frente de investigação internacional nesta semana. As crianças estão desaparecidas desde 4 de janeiro de 2026, quando sumiram na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. A possibilidade de que os irmãos possam estar entre crianças localizadas nos Estados Unidos passou a ser analisada depois de uma grande operação realizada na Flórida. A ação, denominada Operation Statewide Shield, terminou com a localização e recuperação de 163 crianças e adolescentes desaparecidos, com idades entre dois meses e 17 anos.
O caso ganhou ainda mais repercussão depois que a Interpol entrou em contato com a família de Ágatha e Allan e ofereceu apoio às buscas internacionais. Segundo informações divulgadas pela defesa, a cooperação poderá auxiliar na localização das crianças e, caso sejam encontradas fora do país, em procedimentos de identificação e eventual repatriação.
Operação nos Estados Unidos reacendeu esperança da família
A operação americana foi realizada entre 17 e 21 de agosto e mobilizou diferentes forças de segurança e órgãos de proteção à infância. Segundo o Departamento de Aplicação da Lei da Flórida (FDLE), os agentes localizaram 163 menores durante uma ação voltada à identificação e recuperação de crianças desaparecidas ou em situação de vulnerabilidade.
As autoridades informaram que os menores tinham entre dois meses e 17 anos. Muitos apresentavam histórico relacionado a abuso, negligência, exploração ou exposição a outras atividades criminosas. A operação também teve desdobramentos fora da Flórida, com localizações relacionadas a seis estados americanos, um território dos Estados Unidos e 12 países.
O dado sobre a dimensão internacional da operação chamou a atenção de famílias brasileiras de crianças desaparecidas.
No caso de Ágatha e Allan, uma imagem de uma das crianças localizadas nos Estados Unidos também despertou comentários pela semelhança física com Allan. A semelhança, no entanto, não confirma a identidade do menino e não existe, até o momento, confirmação oficial de que qualquer uma das crianças resgatadas seja Ágatha ou Allan.
Essa distinção é importante porque as autoridades americanas não divulgaram publicamente a identidade de todos os menores recuperados na operação.
Interpol passa a auxiliar nas buscas
A entrada da Interpol na apuração representa uma mudança importante no caso, que até então estava concentrado principalmente nas investigações e buscas realizadas no Maranhão.
Segundo a advogada que acompanha a família, o contato da organização internacional abriu a possibilidade de utilização de ferramentas de cooperação para verificar se os irmãos podem ter deixado o território brasileiro.
A mãe das crianças, Clarice Cardoso, deverá participar de uma reunião com representantes do Núcleo de Cooperação Internacional para tratar das possibilidades de auxílio nas buscas. A defesa também procura informações junto ao Consulado-Geral do Brasil em Miami.
A intenção é cruzar informações e verificar, por meio dos mecanismos oficiais, se existe alguma correspondência entre os dados de Ágatha e Allan e os menores encontrados durante a operação nos Estados Unidos.
O desaparecimento aconteceu em janeiro
Ágatha e Allan desapareceram no dia 4 de janeiro, enquanto estavam na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal.
Na ocasião, os irmãos estavam acompanhados do primo Anderson Kauã, de 8 anos. As três crianças saíram para brincar e, posteriormente, Ágatha e Allan desapareceram.
As buscas começaram imediatamente e envolveram forças de segurança, bombeiros, moradores e voluntários.
Anderson foi localizado com vida três dias depois, em uma área próxima ao povoado Santa Rosa. O menino estava debilitado e apresentava escoriações pelo corpo. Posteriormente, informações fornecidas por ele ajudaram as equipes a reconstruírem parte do possível trajeto percorrido pelas crianças.
Uma das maiores operações de busca mobilizou o Maranhão
Nos primeiros dias após o desaparecimento, uma grande força-tarefa foi montada para tentar encontrar os irmãos.
As equipes fizeram buscas por terra, pelo ar e também em áreas próximas ao rio Mearim. Foram empregados cães farejadores, drones, aeronaves, embarcações, mergulhadores e equipamentos especializados, além de efetivos das forças de segurança estaduais e federais.
Em determinado momento, mais de 300 profissionais das forças de segurança, além de centenas de voluntários, estavam mobilizados nas buscas.
Uma das linhas investigativas avaliadas pelas autoridades considerava a possibilidade de as crianças terem se perdido na mata. Entretanto, a participação de terceiros também não foi descartada durante a investigação.
Com o passar dos meses, porém, o paradeiro dos irmãos continuou desconhecido.
O que se sabe sobre a possível ligação com os EUA
Até o momento, existem três informações diferentes que precisam ser separadas.
A primeira é confirmada: 163 crianças foram localizadas durante a Operation Statewide Shield, realizada na Flórida em agosto.
A segunda também foi divulgada pela defesa: a família de Ágatha e Allan recebeu contato da Interpol, que ofereceu ferramentas de cooperação internacional para auxiliar nas buscas.
A terceira permanece como hipótese: a possibilidade de que os irmãos estejam entre os menores encontrados nos Estados Unidos.
Até o momento, não há confirmação oficial dessa última possibilidade.
A própria operação americana envolveu casos relacionados a diferentes situações e localidades. O FDLE informou que houve recuperações relacionadas a outros estados americanos, um território e 12 países, mas não divulgou uma relação pública completa dos menores que permita afirmar que Ágatha ou Allan estejam entre eles.
Família aguarda respostas
Depois de oito meses sem notícias concretas sobre o paradeiro dos irmãos, a nova possibilidade reacendeu a esperança da família.
Agora, a expectativa está concentrada no cruzamento de informações entre as autoridades brasileiras, a Interpol e os órgãos americanos envolvidos na operação.
A defesa pretende utilizar os mecanismos disponíveis para tentar esclarecer se alguma das crianças encontradas nos Estados Unidos pode ser identificada como Ágatha ou Allan.
Enquanto isso, o caso permanece sem uma resposta definitiva.
Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, continuam oficialmente desaparecidos. Até que uma identificação seja realizada pelas autoridades, qualquer semelhança visual ou hipótese sobre o paradeiro das crianças deve ser tratada apenas como uma possibilidade.
Relembre o caso
Os irmãos desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal (MA).
O primo Anderson Kauã, que estava com eles, foi encontrado três dias depois. Desde então, diversas equipes participaram das buscas, mas Ágatha e Allan não foram localizados.
O caso segue sendo investigado e, agora, conta também com uma possível frente internacional de cooperação, após a entrada da Interpol e a tentativa da família de verificar uma possível ligação com as crianças localizadas nos Estados Unidos.






