A Polícia Federal confirmou que nenhuma criança brasileira está entre as 163 crianças e adolescentes localizados recentemente nos Estados Unidos durante a Operação Statewide Shield, realizada na Flórida. O esclarecimento foi divulgado após famílias de crianças desaparecidas no Brasil procurarem as autoridades para verificar se seus filhos poderiam estar entre os menores encontrados durante a ação.
Segundo a PF, a informação foi repassada pelas próprias autoridades norte-americanas responsáveis pela operação. Com isso, fica afastada a possibilidade de que alguma das crianças brasileiras desaparecidas que tiveram seus casos relacionados à operação esteja entre os 163 menores localizados nos Estados Unidos.
A operação chamou a atenção internacional porque resultou na localização de 163 crianças e adolescentes. A repercussão também provocou expectativa entre famílias brasileiras que convivem com o desaparecimento de filhos e aguardam respostas sobre seus paradeiros.
Famílias buscaram respostas após operação nos EUA
Entre os casos que ganharam novos desdobramentos estão o de Édson Davi Silva Almeida, desaparecido na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e o dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidos em Bacabal, no Maranhão.
A repercussão da operação fez com que familiares e representantes das crianças procurassem a Polícia Federal e os canais de cooperação internacional para verificar possíveis correspondências entre os menores desaparecidos no Brasil e aqueles localizados nos Estados Unidos.
No caso de Édson Davi, desaparecido desde janeiro de 2024, a mãe do menino procurou a Polícia Federal após surgir a possibilidade de que ele pudesse estar entre as crianças encontradas na Flórida.
A PF informou que, além de esclarecer que não havia crianças brasileiras entre as 163 localizadas, adotou os procedimentos necessários para solicitar a inclusão do caso de Édson Davi na Difusão Amarela da Interpol. O mecanismo é utilizado para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas, inclusive fora de seus países de origem.
Caso dos irmãos de Bacabal também ganhou repercussão
Outro caso que mobilizou autoridades e familiares foi o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, em Bacabal, no Maranhão.
As duas crianças desapareceram em janeiro deste ano, quando estavam em uma área de mata na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos. A possibilidade de que Allan pudesse estar entre uma das crianças encontradas nos Estados Unidos chegou a ser levantada depois que familiares perceberam semelhanças entre imagens que circularam e fotografias do menino.
A mãe das crianças, Clarice Cardoso, chegou a procurar a Polícia Federal e forneceu material genético para auxiliar nas verificações. A família também solicitou a utilização dos mecanismos de cooperação internacional para ampliar as buscas pelos irmãos.
Com a confirmação posterior da Polícia Federal de que nenhuma criança brasileira está entre as 163 localizadas na Flórida, a possibilidade de que Ágatha e Allan estejam naquele grupo também foi afastada.
A Polícia Civil do Maranhão ressaltou, porém, que a cooperação internacional não representa uma confirmação de que as crianças estejam fora do Brasil nem altera, por si só, as linhas de investigação do desaparecimento.
O que é a Difusão Amarela da Interpol
A Difusão Amarela é um mecanismo de cooperação policial internacional utilizado para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas. A ferramenta permite que informações sobre uma pessoa sejam compartilhadas com autoridades policiais de outros países.
No caso de Édson Davi, a Polícia Federal informou que o pedido será encaminhado à Interpol após a entrega da documentação necessária pela família. A publicação do alerta, entretanto, não é automática: cabe à própria Interpol analisar as informações recebidas e decidir sobre a divulgação e o compartilhamento com os países-membros.
O mesmo mecanismo passou a ser considerado para outros casos brasileiros de crianças desaparecidas, justamente diante da necessidade de ampliar a cooperação internacional quando não há informações suficientes sobre o paradeiro dos menores.
Operação localizou 163 crianças nos Estados Unidos
A Operação Statewide Shield foi realizada por autoridades norte-americanas na Flórida e resultou na localização de 163 crianças e adolescentes.
A dimensão da operação fez com que famílias de diferentes países verificassem se algum dos menores encontrados poderia corresponder a pessoas desaparecidas. No Brasil, a repercussão alcançou diferentes casos que permanecem sem solução.
Apesar das expectativas criadas inicialmente, a Polícia Federal esclareceu que nenhuma criança brasileira está entre as 163 pessoas localizadas nos Estados Unidos, segundo informações fornecidas pelas autoridades norte-americanas.
O esclarecimento é importante para evitar que imagens, informações não confirmadas ou comparações feitas nas redes sociais sejam tratadas como identificação oficial de crianças desaparecidas.
Os casos de Édson Davi, Ágatha Isabelly e Allan Michael continuam sendo acompanhados pelas famílias e pelas autoridades. A cooperação com organismos internacionais, como a Interpol, representa uma tentativa de ampliar as possibilidades de localização, mas não significa que as crianças tenham sido encontradas ou que exista confirmação de que estejam no exterior.






