Episódios registrados em diferentes estados ao longo dos últimos anos mostram crianças no centro de conflitos familiares; casos recentes ocorridos em 2025 e 2026 voltaram a provocar comoção e debate sobre proteção infantil
Uma sequência de crimes ocorridos em diferentes regiões do Brasil expõe uma realidade especialmente grave: crianças mortas em episódios nos quais os próprios pais aparecem como autores ou principais suspeitos. Casos registrados em cidades como Palmas, no Paraná, Alvorada e São Gabriel, no Rio Grande do Sul, Itamarandiba, em Minas Gerais, e, mais recentemente, Itumbiara, em Goiás, ganharam repercussão nacional. Embora cada investigação tenha circunstâncias próprias e não permita generalizações sobre motivação, parte desses episódios ocorreu em meio a separações ou conflitos entre os adultos, levantando novamente o debate sobre crianças que acabam atingidas pela violência dentro do ambiente familiar.
Folha +3
O tema voltou a circular com força nas redes sociais após publicações reunirem diferentes episódios ocorridos no país. Contudo, uma análise responsável exige separar aquilo que foi efetivamente constatado pelas autoridades das interpretações feitas posteriormente na internet.
Em alguns casos, testemunhas ou investigações relacionaram os crimes a conflitos com ex-companheiras. Em outros, a motivação exige maior cautela. O ponto comum é a extrema vulnerabilidade das crianças diante da violência praticada por adultos que deveriam protegê-las.
Palmas: três irmãos mortos em 2013
Um dos episódios apresentados nas publicações ocorreu em Palmas, no sudoeste do Paraná, em maio de 2013.
Três irmãos, com 10, 5 e 3 anos, morreram após serem levados pelo pai. À época, familiares e vizinhos relataram que o crime poderia estar relacionado a uma tentativa de atingir emocionalmente a ex-mulher. O casal havia se separado aproximadamente dois meses antes.
A cobertura jornalística daquele período registrou que o homem confessou o crime e acabou detido. Portanto, nesse episódio específico, existem registros contemporâneos que sustentam parte das informações que voltaram a circular nas redes sociais mais de uma década depois.
Folha +1
Alvorada: quatro irmãos morreram em 2022
Outro caso ocorreu em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre, em dezembro de 2022.
Quatro irmãos, de 11, 8, 6 e 3 anos, foram encontrados mortos depois de passarem o fim de semana com o pai. Segundo informações divulgadas na época, a mãe procurou os filhos após eles não retornarem.
O homem apontado como principal suspeito foi localizado e preso posteriormente em Porto Alegre.
Folha de S.Paulo
O episódio ganhou repercussão nacional e permanece sendo citado em publicações que discutem violência contra crianças no contexto de conflitos familiares.
São Gabriel: morte de Théo provocou comoção em 2025
Em março de 2025, outro episódio provocou forte repercussão no Rio Grande do Sul.
Théo Ricardo Ferreira Felber, de 5 anos, morreu em São Gabriel. Segundo informações da investigação divulgadas à época, imagens de câmeras foram utilizadas pela Polícia Civil para reconstruir o deslocamento da criança com o pai até as proximidades de uma ponte.
O pai foi preso e teve a prisão preventiva decretada. A investigação policial buscou esclarecer todas as circunstâncias e a motivação do crime.
Diário Gaúcho
Itamarandiba colocou Minas Gerais nessa sequência de casos
Minas Gerais também registrou um episódio de grande repercussão em 2025.
Em Itamarandiba, no Vale do Jequitinhonha, Gabriel Miranda, de 9 anos, morreu em março daquele ano. Informações divulgadas pela Polícia Militar apontaram que o caso aconteceu depois do término do relacionamento entre o pai da criança e a mãe.
Rádio Itatiaia
A repercussão chegou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
A Comissão de Segurança Pública aprovou requerimento solicitando à Polícia Civil que intensificasse as investigações e a busca pelo suspeito. O documento legislativo identifica Gabriel Miranda, de 9 anos, como vítima do homicídio ocorrido em Itamarandiba.
Assembleia MG +1
O registro oficial da Assembleia ajuda também a confirmar que esse episódio, citado no conteúdo que circula pelas redes sociais, efetivamente ocorreu.
Itumbiara: dois irmãos morreram em fevereiro de 2026
Mais recentemente, Itumbiara, em Goiás, enfrentou outro episódio de enorme repercussão.
Em fevereiro de 2026, Miguel, de 12 anos, e Benício, de 8, filhos do então secretário de Governo municipal Thales Machado, morreram após serem atingidos pelo pai. O próprio secretário também morreu.
Benício permaneceu hospitalizado inicialmente, mas não resistiu. Miguel havia morrido anteriormente após receber atendimento médico.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil de Goiás naquele momento, não havia indícios da participação de outras pessoas no episódio.
UOL Notícias
Esse cuidado é importante porque publicações nas redes sociais passaram a atribuir diferentes motivações ao caso. Para uma matéria jornalística, o mais seguro é distinguir claramente informações policiais confirmadas de especulações ou interpretações feitas na internet.
Crianças não podem ser transformadas em instrumento de conflito
Apesar das diferenças entre os episódios, os casos chamam atenção para um aspecto fundamental: filhos não podem ser utilizados como instrumento para atingir emocionalmente o outro responsável pela criança.
Separações, disputas de guarda, ciúmes ou conflitos conjugais jamais justificam qualquer forma de violência. Quando há ameaças, agressões ou comportamento que coloque uma criança em risco, o problema deixa de ser apenas uma disputa entre adultos e passa a exigir atenção das instituições responsáveis pela proteção infantil.
Além disso, é preciso cuidado com expressões como “crime por vingança” quando essa motivação ainda não tiver sido estabelecida pela investigação ou pela Justiça. Em determinadas ocorrências, essa hipótese foi relatada por testemunhas ou autoridades; em outras, a dinâmica ainda dependia de investigação.
Publicações nas redes precisam ser verificadas caso a caso
O conjunto de imagens que voltou a circular reúne ocorrências de anos e estados diferentes. Algumas das informações apresentadas encontram respaldo em reportagens e documentos públicos, como os episódios de Palmas, Alvorada, São Gabriel, Itamarandiba e Itumbiara.
Folha +4
Entretanto, isso não significa que todas as legendas do carrossel possam ser reproduzidas literalmente como fatos comprovados.
Para o Divinews, a abordagem jornalística mais segura é justamente mostrar que a sequência de casos chama atenção para um problema grave, ao mesmo tempo em que verifica individualmente as informações e evita transformar alegações, versões de testemunhas ou hipóteses policiais em conclusões definitivas.
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