A primeira caminhada promovida pela Prefeitura de Divinópolis em alusão aos 20 anos da Lei Maria da Penha transformou as ruas do Centro em um grande movimento de conscientização contra a violência doméstica e familiar. Com a participação de órgãos públicos, Ministério Público, Judiciário, forças de segurança, profissionais da saúde, estudantes e população, o evento levou uma mensagem de respeito às mulheres e reforçou a necessidade de fortalecer a rede de proteção no município.
Prefeita destaca engajamento e anuncia novas ações
A prefeita Janete ressaltou que a mobilização superou as expectativas e chamou atenção pelo envolvimento da população ao longo do percurso.
“Na hora que a gente veio descendo a Avenida Primeiro de Junho e olhou o número de pessoas participando da caminhada, mas também a quantidade de pessoas saindo das lojas, dos pontos de ônibus e dos prédios, vimos que a mensagem realmente impactou a população”, afirmou.
Segundo ela, o objetivo da iniciativa foi muito além da comemoração dos 20 anos da Lei Maria da Penha.
“Queremos levar uma mensagem de respeito e do fim da violência contra a mulher. Acredito que essa seja a primeira caminhada realizada pelo município com esse objetivo, e queremos colocá-la definitivamente no calendário para ampliar a conscientização.”
A prefeita também anunciou a futura inauguração da Casa da Mulher Divinopolitana, espaço que reunirá diversos serviços especializados.
“Nós estaremos inaugurando a Casa da Mulher Divinopolitana, onde teremos diversos trabalhos voltados às mulheres. A Delegacia da Mulher funcionará em conjunto conosco, haverá atuação da assistência social por meio do CREAS e também aulas de defesa pessoal para mulheres vítimas de violência. Será um atendimento mais humanizado para combater esse tipo de violência.”
Janete ainda destacou a união entre os diversos órgãos públicos.
“Pela primeira vez vemos Ministério Público, Judiciário, Prefeitura e forças de segurança trabalhando juntos. Isso mostra o quanto é importante atuar de forma integrada.”
Ao comentar os números apresentados durante o evento, ela foi enfática.
“Os dados apresentados mostram que isso não é ‘mimimi’ e nem política. São fatos, são realidade. Precisamos fazer barulho, incomodar mesmo, para que as pessoas entendam que não podemos nos calar.”
Promotor alerta para números alarmantes
O promotor de Justiça Marco Aurélio, responsável pela Promotoria de Combate à Violência Doméstica, apresentou dados que evidenciam a dimensão do problema em Divinópolis.
Segundo ele, a promotoria recebe, em média, 25 pedidos de medidas protetivas por semana, o equivalente a cerca de 100 novos casos por mês e aproximadamente 1.200 registros por ano.
“Nosso objetivo é justamente buscar a redução desses números alarmantes que insistem em permanecer na nossa sociedade”, afirmou.
O promotor destacou que o enfrentamento passa por uma mudança cultural.
“É necessário que toda a sociedade compreenda a importância de respeitar cada vez mais a mulher, respeitar seu espaço, sua vontade e seus desejos, permitindo que ela ocupe definitivamente o lugar que merece.”
Marco Aurélio também observou que o machismo ainda influencia os índices de violência.
“Infelizmente, nossa cultura ainda é bastante machista e misógina, permitindo que a exploração da mulher enquanto ser humano continue se perpetuando ao longo dos anos.”
Saúde quer ampliar acolhimento às vítimas
Representando a Secretaria Municipal de Saúde, Sheila Salvino destacou que a violência doméstica também provoca graves consequências para a saúde física e emocional das vítimas.
Ela lembrou que muitos casos sequer chegam ao conhecimento das autoridades.
“Infelizmente temos números muito tristes de atendimento a mulheres vítimas de violência e sabemos que esse número provavelmente ainda é subnotificado.”
A proposta da Secretaria é transformar todas as unidades de saúde em portas de entrada para acolhimento dessas mulheres.
“Queremos que cada unidade de saúde seja um local de acolhimento, onde a mulher se sinta segura para procurar ajuda, compartilhar suas dificuldades e receber orientação para ser encaminhada à rede de proteção social e de segurança pública.”
Segundo Sheila, esse trabalho integrado é fundamental para reduzir a violência.
Anderson da Academia reforça papel dos homens
O vereador Anderson da Academia destacou que o enfrentamento à violência contra a mulher também depende da participação dos homens e da educação dentro das famílias.
“Ensinar desde cedo que o homem deve respeitar a mulher já faz toda a diferença. Precisamos começar dentro de casa e também nas escolas.”
O parlamentar afirmou que muitas pessoas só percebem a gravidade do problema quando ele atinge alguém próximo.
“As pessoas costumam dizer que só entendem quando acontece dentro da própria casa. Mas os números apresentados mostram que essa realidade já existe e precisa ser combatida.”
Anderson também colocou sua experiência profissional à disposição das ações municipais.
“No que eu puder contribuir, inclusive com aulas de defesa pessoal, estarei à disposição para ajudar no combate à violência contra as mulheres.”
Mobilização busca fortalecer a conscientização
Além da caminhada, o evento marcou o fortalecimento da integração entre Prefeitura, Ministério Público, Poder Judiciário, forças de segurança, rede de assistência social e saúde. A expectativa é que a mobilização passe a fazer parte do calendário oficial do município, ampliando a conscientização da população e fortalecendo as políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
O Divinews apoia esta causa
O Divinews reafirma seu compromisso com a informação e com a conscientização da sociedade sobre o enfrentamento à violência contra a mulher. Informar, orientar e dar voz às vítimas também é uma forma de contribuir para uma sociedade mais segura, justa e respeitosa.






