As pesquisas mais recentes para o governo de Minas mostram uma cena que incomoda os bastidores da política tradicional: o senador Cleitinho Azevedo aparece na frente em diferentes cenários e obriga partidos, empresários, governistas e opositores a reorganizarem suas contas para 2026 – É o mineirinho de Divinópolis, cidade com cerca de 250 mil habitantes, quem que é o dono do tempo. Minas está parada politicamente enquanto enquanto não acabar a Copa e Cleitinho decidir o que tem que ser decidido. Os políticos mineiros arrancam o cabelo, mas tem que esperar.
Enquanto a cúpula política mineira discute nomes, alianças, chapas, palanques, vices e composições, o divinopolitano segue fazendo política à sua maneira. Celular na mão, linguagem direta, vídeos polêmicos, discurso contra privilégios e conexão permanente com o eleitor. O método pode ser criticado, estudado ou contestado. Mas, até aqui, tem produzido resultado eleitoral.
Levantamentos recentes colocam Cleitinho em posição de liderança no primeiro turno. Na pesquisa Doxa, realizada entre 1º e 3 de maio de 2026, ele aparece com 28% em cenário ainda com Rodrigo Pacheco, Alexandre Kalil, Mateus Simões, Gabriel Azevedo e Ben Mendes. Em outro cenário, sem Pacheco, sobe para 30%. Na Quaest, realizada entre 22 e 26 de abril, aparece com 30% em um cenário e chega a 35% e 37% em outros recortes.
O desempenho também aparece em simulações de segundo turno. Contra Rodrigo Pacheco, a Quaest mostrou Cleitinho com 43% contra 23%. Contra Alexandre Kalil, a Doxa apontou 37% a 34%, cenário numericamente mais apertado. Já outros levantamentos de março, como AtlasIntel e Futura Inteligência, também registraram vantagem de Cleitinho em diferentes disputas simuladas.
A pesquisa DataTempo divulgada na última semana de junho mostrou o senador Cleitinho (Republicanos) na liderança da disputa pelo Governo de Minas Gerais. Segundo o levantamento, o senador registra 27,7% das intenções de voto no cenário estimulado para as eleições de 2026.
Na segunda posição aparece Alexandre Kalil (PDT), com 18,3%. Em seguida estão Vittorio Medioli (PL), com 5,1%, Gabriel Azevedo (MDB), que soma 4,5%, e Mateus Simões (PSD), com 3,7%.
O levantamento também inclui Maria da Consolação (PSOL), com 3,2%, Ben Mendes (Missão), que alcança 2,3%, Rafael Duda (PSTU), com 1,3%, Túlio Lopes (PCB), com 1,2%, e Jarbas Soares Júnior (PSB), que registra 1,1%.
Entre os entrevistados, 18% afirmaram estar indecisos, enquanto 12,9% disseram que pretendem votar em branco ou anular o voto. Outros 0,7% não responderam à pesquisa.
Pesquisa não é sentença. É fotografia. E fotografia eleitoral pode mudar com campanha, alianças, crises, debates, economia, palanque nacional e desgaste pessoal. No entanto, quando várias fotografias mostram o mesmo personagem em posição destacada, o recado político passa a ser difícil de ignorar.
Cleitinho virou ponto obrigatório do tabuleiro mineiro. Quem quiser montar uma candidatura competitiva contra ele precisa explicar como pretende furar sua comunicação direta com o eleitor. Quem quiser tê-lo no palanque precisa negociar com alguém que, aparentemente, não depende da cúpula para existir politicamente. E quem quiser descartá-lo terá de convencer a urna de que pesquisa não importa.
É aí que a crônica política ganha vida. Os caciques estão reunidos na oca, mas quem segura o arco, a flecha e o mapa da mata é o “indiozinho” que eles dizem não estar pronto para governar Minas. A frase é dura, mas revela o paradoxo: parte da elite política questiona o preparo de Cleitinho, enquanto o eleitorado, nas pesquisas, o coloca na dianteira.
A crítica ao preparo é legítima no debate democrático. Governar Minas exige mais do que vídeo viral. Exige equipe, capacidade administrativa, diálogo institucional, conhecimento da máquina pública, articulação com municípios, gestão fiscal e visão de desenvolvimento. Mas eleição não começa pela prova de gestão. Começa pelo voto. E, neste momento, Cleitinho aparece com aquilo que todo candidato deseja: eleitor.
A força dele não nasceu por decreto partidário. Nasceu de uma trajetória que começou em Divinópolis, passou pela Câmara Municipal, pela Assembleia Legislativa e chegou ao Senado. Em cada etapa, Cleitinho manteve uma marca: falar como se estivesse conversando diretamente com o cidadão comum. Esse estilo pode irritar adversários e setores mais técnicos, mas ajuda a explicar sua popularidade.
Enquanto muitos políticos ainda tratam redes sociais como vitrine, Cleitinho as usa como palanque permanente. Não espera a campanha começar. Não depende de convenção para falar com o eleitor. Não precisa de comício para gerar repercussão. Seu território político é o feed, o vídeo curto, a frase de efeito, a indignação convertida em compartilhamento.
Esse modelo embaralha a política tradicional. Antigamente, os caciques decidiam, os partidos obedeciam e o eleitor recebia o pacote pronto. Agora, o eleitor muitas vezes escolhe antes dos caciques. E, quando isso acontece, a cúpula corre atrás do fato consumado.
É por isso que a frase resume bem o momento: Cleitinho não depende de ninguém na mesma proporção em que muitos parecem precisar dele. Os votos são dele. O arranjo é da cúpula. Mas arranjo não vence eleição sozinho. O que vence eleição é voto depositado na urna.
Isso não significa que Cleitinho esteja imune a riscos. O mesmo estilo que o impulsiona também pode gerar desgaste. Vídeos polêmicos mobilizam apoiadores, mas também alimentam críticas. Linguagem direta aproxima, mas pode simplificar temas complexos. A campanha estadual exigirá que ele mostre mais do que indignação: terá de apresentar programa, equipe e capacidade de governar um dos maiores estados do país.
Ainda assim, a vantagem inicial dá a ele algo raro: poder de agenda. Cleitinho obriga adversários a reagirem. Obriga a direita a decidir se tenta enquadrá-lo, apoiá-lo ou disputar seu eleitorado. Obriga o centro a buscar discurso competitivo. Obriga a esquerda a avaliar quem tem mais capacidade de enfrentá-lo. Obriga o governo estadual a medir o peso da máquina contra a força da comunicação popular.
Alexandre Kalil, Rodrigo Pacheco, Mateus Simões, Vittorio Medioli, Flávio Roscoe e outros nomes ventilados fazem parte de um tabuleiro ainda em formação. Mas, pelas pesquisas disponíveis, Cleitinho é o nome que aparece com maior tração eleitoral no momento. Isso não encerra a disputa. Apenas define quem, hoje, está sendo perseguido.
A política mineira tem tradição de arranjos sofisticados, pactos de bastidor e movimentos silenciosos. Mas 2026 pode testar o limite desse modelo. Se a cúpula insistir em tratar o eleitor como detalhe, corre o risco de descobrir tarde demais que a tribo não obedece mais apenas aos caciques.
No fim, a eleição em Minas talvez seja decidida pela disputa entre duas forças: a engenharia política de cima e a conexão popular de baixo. A primeira organiza palanques. A segunda move votos. E, por enquanto, é a segunda que explica por que Cleitinho aparece no topo das pesquisas.
Os caciques podem continuar reunidos se articulando. Mas terão que esperar o professor Cleitinho decidir que nota cada um terá, como na velha Escolinha do Professor Raimundo. Contudo, do lado de fora da sala, Cleitinho já está falando há muito tempo com o recreio inteiro, a base da pirâmide é o que importa em uma eleição. “combinam entre si, mas faltou combinar com os russos”






