Eleição em Minas: Medioli se movimenta no PL e deixa Roscoe com o pincel na parede e sem escada

Movimentação de Vittorio Medioli no campo do PL reposiciona o debate empresarial para 2026 e deixa Flávio Roscoe, ex-presidente da FIEMG, sem força visível nas pesquisas mais recentes para o governo de Minas

Publicado por: Geraldo Passos

A política mineira costuma produzir cenas curiosas. Algumas parecem reunião de condomínio, outras lembram jogo de xadrez jogado por quem ainda procura as peças certas. No campo empresarial que mira o governo de Minas em 2026, a movimentação mais recente colocou Vittorio Medioli  no centro das conversas e deixou Flávio Roscoe, ex-presidente da FIEMG, em uma posição politicamente incômoda, com tendência ao ostracismo político partidário e empresarial. 

Medioli, empresário, fundador do Grupo SADA, ex-deputado federal e ex-prefeito de Betim, passou a circular como nome colocado à disposição do PL para a disputa estadual. A movimentação faz sentido dentro da lógica partidária: o PL busca organizar sua presença em Minas, tenta equilibrar musculatura econômica, capilaridade política e conexão com o eleitorado conservador, enquanto observa a força eleitoral do senador Cleitinho Azevedo, hoje o nome mais competitivo nas pesquisas para o governo estadual.

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A entrada de Medioli no radar produz um efeito imediato. Ela desloca o foco empresarial que, em determinado momento, também passou por Flávio Roscoe. Ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Roscoe carrega currículo no setor produtivo, trânsito institucional e discurso de gestão. No entanto, até aqui, seu nome não aparece com força nos principais levantamentos eleitorais recentes.

Esse é o ponto central. Em política, prestígio de gabinete não é a mesma coisa que presença popular. Roscoe pode ter circulado entre empresários, dirigentes e articuladores, mas as pesquisas recentes para o governo de Minas não o colocam como ator relevante no imaginário do eleitor. E quando um nome não aparece na fotografia eleitoral, a articulação começa a procurar outro rosto para o quadro.

É nesse momento que a metáfora se impõe: deixaram Roscoe com o pincel na parede e tiraram a escada. O ex-presidente da FIEMG pode até ter sido lembrado como opção do campo empresarial, mas a eventual entrada de Medioli muda a paisagem. Quem estava se preparando para pintar o muro percebe que a obra passou para outro empreiteiro político.

A diferença entre os dois também ajuda a explicar o movimento. Roscoe é mais identificado com o ambiente institucional da indústria. Medioli tem esse componente empresarial, mas também carrega experiência eleitoral direta, quatro mandatos de deputado federal e passagem pela Prefeitura de Betim. Além disso, construiu grupo econômico robusto e mantém ligação com a Região Metropolitana, território estratégico em qualquer eleição estadual mineira.

Isso não significa que Medioli esteja consolidado como candidato, nem que Roscoe esteja fora de qualquer articulação. A política mineira ainda está em fase de arranjos, testes, conversas e simulações. Mas a leitura do momento é clara: o campo empresarial procura viabilidade eleitoral. E viabilidade, nesse jogo, não se mede apenas por currículo. Mede-se por voto, recall, estrutura, partido, alianças e capacidade de crescer.

O PL, por sua vez, vive um dilema próprio. O partido tem em Minas uma força bolsonarista importante, mas precisa decidir como organizar seu palanque estadual. A sigla pode buscar um nome empresarial, pode tentar se aproximar de Cleitinho, pode negociar composição ou pode apostar em uma candidatura que converse com setores conservadores e produtivos. O problema é que o eleitor nem sempre obedece ao roteiro escrito pela cúpula.

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Medioli, ao se colocar no tabuleiro, aumenta a pressão sobre todos os outros nomes do campo empresarial. Roscoe, especialmente, passa a enfrentar uma pergunta difícil: como sustentar um projeto eleitoral sem aparecer nas pesquisas e sem demonstrar, até agora, capacidade de furar a bolha institucional?

A política é dura com quem tem apoio, mas não tem voto. Apoio de cúpula ajuda, mas não resolve. Almoço com empresários rende fotografia, mas não garante urna. Discurso de gestão agrada auditório, mas precisa chegar ao cidadão que vota em Araçuaí, Divinópolis, Betim, Montes Claros, Uberlândia, Governador Valadares e Juiz de Fora.

Por isso, a movimentação de Medioli deve ser lida menos como uma candidatura consolidada e mais como sinal de reposicionamento. O campo empresarial percebeu que precisa de alguém com história pública, musculatura econômica e alguma experiência eleitoral. Nesse recorte, Medioli aparece com mais lastro político do que Roscoe.

A ironia é que, enquanto nomes empresariais tentam encontrar uma pista de decolagem, Cleitinho já está no ar há tempos, voando em outra altitude, alimentado por redes sociais, linguagem popular e identificação direta com parte expressiva do eleitorado. Essa será a principal dificuldade para qualquer candidato que venha de arranjo de cúpula: provar que não é apenas o escolhido da sala fechada, mas alguém capaz de conversar com a rua.

Roscoe, por ora, virou personagem de bastidor. Medioli tenta entrar em cena. E o PL observa o palco sabendo que, em Minas, o ator que mais chama atenção do público ainda não foi produzido pela cúpula partidária.

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