“Quem tem 40% não abre mão para quem tem 5%”, diz Falcão sobre união da direita em Minas para disputar governo

Cotado para vice de Cleitinho, Falcão diz que união da direita depende de apoiar quem tem mais chance de vencer e cobra desprendimento do atual governo

Publicado por: Geraldo Passos

Luís Eduardo Falcão em entrevista ao Divinews disse uma das frases mais duras sobre a disputa pelo Governo de Minas. Ao comentar a possibilidade de união da direita em torno de uma candidatura única, o ex-prefeito de Patos de Minas e nome cotado para vice de Cleitinho Azevedo afirmou que a composição depende de desprendimento de quem hoje aparece atrás nas pesquisas.

A fala atingiu diretamente a lógica de setores que defendem unidade da direita, mas resistem a reconhecer o protagonismo eleitoral de Cleitinho. Para Falcão, a união só faz sentido se caminhar em torno de quem tem mais chance concreta de vitória.

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“Como é que você faz uma união? Apoiando quem tem a maior chance de ganhar, disparado.”

A frase resume o argumento central do grupo ligado ao Republicanos. Se Cleitinho lidera as pesquisas, a direita mineira teria que decidir se quer vencer ou se quer preservar projetos pessoais e estruturas partidárias.

Recado ao atual governo

Questionado sobre a chance de a direita evitar duas candidaturas em Minas, Falcão respondeu que isso depende do atual governador. Sem transformar a frase em ataque direto, o ex-prefeito colocou sobre o grupo governista a responsabilidade de avaliar o cenário real.

“Depende do desprendimento do atual governador.”

A declaração mira o campo do governador Romeu Zema e do vice Mateus Simões. O grupo defende continuidade administrativa, mas enfrenta dificuldade para transformar gestão em intenção de voto na mesma proporção que Cleitinho já apresenta nos levantamentos.

Falcão foi ainda mais direto ao comparar forças eleitorais.

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“Não tem como. Quem tem 40% abre mão para quem tem 5%. 5%, 8%, não dá.”

A frase tem potencial de incendiar o debate. Ela questiona a racionalidade de exigir que o líder recue em favor de nomes com menor desempenho. Também reforça a tese de que Cleitinho não deve entrar em composição como coadjuvante.

Todos são bem-vindos, mas no barco de Cleitinho

Apesar do tom duro, Falcão não pregou isolamento. Ele disse que todos podem entrar no projeto e que a intenção é remar junto. Porém, deixou claro que a candidatura competitiva já tem direção.

“Todos são bem-vindos. Nosso barco, a gente quer remar todo mundo junto.”

O problema, segundo ele, surge quando determinados grupos não aceitam discutir e insistem que apenas uma candidatura específica pode representar a direita.

“Agora, se não tem espaço para discutir, se está batida a prego que determinada candidatura tem que ser aquela candidatura, tem que ser aquela pessoa, não abre mão de nada, aí o problema já não é conosco.”

Essa fala aponta para uma disputa de comando. O Republicanos quer unidade, mas não aceita que unidade signifique submissão ao projeto de outro grupo. A mensagem é simples: a direita pode se juntar, desde que reconheça o peso eleitoral de Cleitinho.

Cleitinho virou o centro do tabuleiro

A liderança de Cleitinho nas pesquisas reorganizou a disputa em Minas. Antes tratado como nome de forte apelo popular, mas cercado de dúvidas sobre candidatura, o senador passou a concentrar expectativas, pressões e tentativas de aliança.

Falcão reforçou que Cleitinho tem a maior chance de vitória e que o projeto está aberto a apoios. A diferença é que essa abertura não implica renúncia ao protagonismo.

A fala também desmonta a tese de que a candidatura do senador dependeria integralmente de outro campo da direita. Para o entorno de Cleitinho, seu desempenho mostra voto próprio, independência e capilaridade eleitoral.

Falcão usa exemplo de Zema para alertar contra favoritismo

Na parte final da entrevista, Falcão lembrou a eleição de 2018 e a ascensão rápida de Romeu Zema. Contou que foi um dos primeiros a abrir espaço para Zema em Patos de Minas, quando ainda havia ceticismo sobre sua viabilidade eleitoral.

O ex-prefeito recordou que o movimento de “nem PT, nem PSDB” cresceu rapidamente e ajudou Zema a chegar ao segundo turno e vencer a eleição.

“Fica de lição, a gente não pode achar que é favorito, que é fácil, não existe isso não.”

A observação serve como advertência também para Cleitinho. Mesmo liderando, o senador não pode tratar a disputa como resolvida. Falcão sabe que pesquisas indicam tendência, mas campanha muda cenário.

Polarização nacional ainda pesa

Falcão também avaliou que a disputa presidencial continuará marcada pela polarização. Citou a análise do cientista político Felipe Nunes, da Quaest, e afirmou que a eleição segue calcificada entre campos opostos.

“Essa polarização está calcificada.”

Para ele, talvez o país só supere esse ambiente em 2030. Em 2026, contudo, o embate nacional ainda deve influenciar os estados.

“Essa ainda é uma eleição polarizada, talvez em 2030 não seja. Mas essa é a eleição desse ano, ela é polarizada.”

Esse diagnóstico ajuda a explicar a cautela de Falcão diante do PL e de Flávio Bolsonaro. O grupo de Cleitinho sabe que precisará lidar com o campo bolsonarista, mas também tenta preservar autonomia estadual.

Direita quer unidade, mas disputa quem comanda

A entrevista deixa claro que o maior conflito da direita mineira não está apenas em ter uma ou duas candidaturas. O conflito real está em quem lidera a composição.

Falcão defende que a unidade precisa partir de um critério objetivo: chance de vitória. E, nessa lógica, Cleitinho aparece como nome mais competitivo. A mensagem não poderia ser mais direta.

Quem quiser união, terá que decidir se aceita embarcar no barco de Cleitinho. Caso contrário, a direita poderá repetir uma divisão que favorece adversários e transforma vaidade política em obstáculo eleitoral.

 

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