Os servidores públicos municipais de Divinópolis decidiram, em assembleia geral realizada na noite desta segunda-feira, no ginásio poliesportivo, que entrarão em greve a partir da próxima sexta-feira (29) caso a prefeita Janete Aparecida não retire o projeto de reforma do Diviprev que enviou para Câmara dos Vereadores para ser apreciado e votado. A decisão foi aprovada por trabalhadores do quadro geral, da área administrativa, da saúde, aposentados e servidores da educação, em uma mobilização que transformou o impasse previdenciário no maior foco de desgaste político da atual gestão.
A assembleia, que o Divinews registrou por meio de uma live transmitida, teve clima de indignação, cobrança e forte unidade sindical. Durante o encontro, servidores classificaram a proposta como uma ameaça a direitos previdenciários e defenderam que um projeto dessa magnitude não pode nascer de forma unilateral.
O ponto central da deliberação foi direto: retirada do projeto e greve a partir de sexta-feira, caso a Prefeitura mantenha o texto em tramitação. A votação ocorreu primeiro entre servidores do quadro geral, área administrativa e saúde. Depois, a mesma proposta foi submetida aos trabalhadores da educação, que também aprovaram a paralisação condicionada à manutenção do projeto.
Após a aprovação, lideranças sindicais reforçaram que o movimento seguirá os trâmites legais. Por isso, os servidores trabalharão normalmente nos dias anteriores. A paralisação só começará na sexta-feira se a prefeita não retirar o projeto.
Projeto é chamado de “golpe” por servidor
Durante a assembleia, uma das falas mais fortes veio de um servidor que criticou a forma como a proposta foi construída. Ele afirmou que o projeto atinge direitos ligados à aposentadoria especial e citou preocupação com servidores que recebem insalubridade.
Segundo o servidor, uma proposta dessa dimensão deveria ser concebida por várias mãos: servidores, sindicatos, Poder Legislativo e Poder Executivo. Para ele, o texto não representa uma construção coletiva, mas um “golpe” contra a categoria.
A fala traduziu o sentimento dominante no ginásio. A categoria não rejeita apenas mudanças pontuais. O que se viu foi uma reação mais ampla contra o método adotado pela Prefeitura, contra a falta de diálogo e contra o risco de alteração nas regras de aposentadoria.
Sindicato dos Metalúrgicos presta apoio
A assembleia também contou com presença de lideranças sindicais de outras categorias, entre elas representantes dos metalúrgicos de Divinópolis, Lavras e Betim.
Os sindicalistas manifestaram solidariedade aos servidores municipais e defenderam a retirada imediata do projeto. Um dos representantes afirmou que a Prefeitura precisa compreender que o salário do trabalhador já não acompanha o custo de vida, com aumento de despesas em supermercado, farmácia, plano de saúde e necessidades básicas.
A participação de outros sindicatos ampliou o peso político do ato. O movimento deixou de ser apenas uma pauta interna do funcionalismo municipal e passou a receber apoio de outras frentes organizadas de trabalhadores.
Greve foi aprovada por servidores administrativos e educação
O momento decisivo ocorreu quando as lideranças colocaram em votação a proposta principal: retirada do projeto e greve a partir de sexta-feira.
A votação começou pelos servidores do quadro administrativo, quadro geral, saúde e aposentados. A proposta foi aprovada.
Em seguida, os servidores da educação também votaram. A categoria igualmente aprovou a greve a partir de sexta-feira, caso o projeto não seja retirado.
Após a decisão, os servidores puxaram palavras de ordem, afirmando que, se o servidor não se aposentar, “Divinópolis vai parar”. Também entoaram frases atribuindo à prefeita a responsabilidade caso a categoria vá às ruas.
Comando de greve terá novas ações
Além da aprovação da greve, a assembleia também autorizou o comando de greve a encaminhar outras ações de mobilização.
Entre as propostas discutidas, apareceram participação na audiência pública, apresentação de documentos pedindo a retirada do projeto, representação junto ao Ministério Público e outras estratégias de pressão.
Também houve debate sobre o desfile de 1º de junho, aniversário de Divinópolis. Segundo a fala do presidente do Sintram, Marco Aurélio Gomes, a sugestão foi acatada pelo comando de greve, com o entendimento de que, se os servidores estiverem em greve, não deverão desfilar.
A deliberação mostra que a greve, caso comece, não deverá ficar restrita à paralisação de atividades. O movimento tende a envolver pressão institucional, presença em audiências, atuação no Ministério Público e mobilização pública.
Kell Silva diz que projeto precisa ser retirado
A vereadora Kell Silva, que acompanhou a assembleia, classificou a mobilização como importantíssima e afirmou que ela demonstrou a força dos servidores.
Segundo ela, sem o servidor público, cidade, Estado e país param. A parlamentar defendeu que a categoria precisa ter respeito e criticou a possibilidade de aposentados voltarem a pagar contribuição após terem trabalhado a vida inteira.
Kell afirmou que já fez indicação ao Executivo para retirada do projeto, defendendo que a proposta seja reconstruída junto ao Sintram, Sintem e demais categorias.
Para a vereadora, não é possível discutir reforma previdenciária sem levar em consideração justamente as pessoas diretamente afetadas por ela. Ela também destacou que a mobilização mostrou que os servidores conhecem seus direitos e não aceitarão, em suas palavras, um absurdo dessa natureza.
Marco Aurélio diz que greve busca retirada do projeto
O presidente do Sintram, Marco Aurélio Gomes, afirmou que a assembleia foi um sucesso e explicou que a principal decisão foi manter a pressão para retirada do projeto.
Segundo ele, caso a proposta não saia de pauta, a greve geral começará na sexta-feira.
Questionado sobre a responsabilidade pela atual crise, Marco Aurélio afirmou que a reforma não deve ser atribuída apenas à prefeita Janete. Para ele, a proposta tem raízes no governo Gleidson e Janete.
O sindicalista também criticou a narrativa de que a reforma teria origem exclusiva na atual prefeita. Em sua avaliação, o projeto não parece ser apenas de Janete, até porque, segundo ele, a prefeita teria demonstrado, em reuniões, dificuldade de compreender integralmente o próprio texto.
Marco Aurélio atribuiu ao secretário de Fazenda, Gabriel Vivas, papel central na formulação da proposta. Segundo ele, em reuniões anteriores, o secretário teria vinculado a reforma da Previdência à possibilidade de reajuste maior aos servidores, mas nunca teria apresentado projeto concreto naquele momento.
Wesley Jarbas anuncia voto contra o projeto
O vereador Wesley Jarbas também participou da assembleia e declarou que votará contra o projeto se ele chegar à Câmara nos termos atuais.
Segundo o parlamentar, a classe dos servidores deveria ter sido ouvida antes. Ele afirmou que a falta de diálogo do Executivo levou a crise ao ponto atual.
Wesley disse que os vereadores foram eleitos pelo povo e precisam estar ao lado da população. No caso dos servidores, afirmou que a categoria não pode ser prejudicada.
O vereador também questionou discursos anteriores sobre dinheiro em caixa e citou falas atribuídas ao ex-prefeito Gleidson Azevedo sobre recursos disponíveis no município. Para ele, se foi dito que havia dinheiro, é preciso explicar onde esse dinheiro está.
Ao ser questionado sobre ter integrado a base do ex-prefeito e da atual prefeita, Wesley respondeu que sempre defendeu o diálogo. Ele afirmou que reconhece a necessidade de uma reforma, mas sustentou que ela precisa ser feita com responsabilidade e sem prejudicar a categoria.
Rodrigo cobra transparência nas contas
Rodrigo, presidente do Sintem, afirmou que a greve foi a última alternativa da categoria.
Segundo ele, ainda há tempo para evitar a paralisação. Basta a prefeita retirar o projeto da Câmara.
Rodrigo também explicou que os servidores precisam entender a situação fiscal do município. Ele questionou a diferença entre discursos anteriores, segundo os quais haveria dinheiro em caixa, e a fala atual da Prefeitura, que aponta dificuldade financeira.
Para ele, as contas não batem.
O presidente do Sintem também reforçou a distinção entre déficit atuarial e situação financeira imediata do Diviprev. Segundo ele, o instituto possui situação financeira equilibrada, investimentos e prêmios nacionais de administração, enquanto o déficit atuarial envolve cálculos e projeções baseadas em variáveis de longo prazo.
A fala reforça um dos pontos centrais da resistência sindical: a categoria não aceita que uma projeção previdenciária de longo prazo seja usada como justificativa para impor, de forma acelerada, mudanças profundas na vida dos servidores.
Toró critica projeto “Frankenstein”
Outro servidor ouvido durante a assembleia classificou a proposta como um “projeto Frankenstein”, por misturar reforma previdenciária e reforma administrativa em um mesmo pacote.
Ele também afirmou que, quando houve a redução da alíquota patronal na gestão anterior, existia compromisso de que não haveria reforma previdenciária nos termos atuais.
Na avaliação dele, a situação não pode ser apresentada como se Gleidson saísse como “anjo” e Janete como única responsável. Segundo a fala, há responsabilidade compartilhada da gestão anterior e da atual, mas o foco imediato da assembleia era barrar o projeto.
O servidor relatou ainda que sindicatos têm recebido trabalhadores emocionalmente abalados, inclusive pessoas próximas da aposentadoria, preocupadas com a possibilidade de trabalhar mais anos, perder expectativas de direito, sofrer nova taxação ou deixar de receber vantagens esperadas, como abono de permanência.
Greve pode atingir funcionamento da cidade
A paralisação aprovada para sexta-feira, caso a prefeita mantenha o projeto, poderá afetar diretamente o funcionamento de serviços municipais.
Durante a assembleia, lideranças reforçaram que o movimento seguirá a legalidade. No entanto, deixaram claro que a categoria está disposta a parar se a proposta não for retirada.
O recado político é forte: sem retirada do projeto, haverá greve.
A decisão pressiona a Prefeitura e a Câmara ao mesmo tempo. A prefeita Janete Aparecida terá que decidir se mantém a proposta e enfrenta a paralisação ou se recua para reabrir negociação. Já os vereadores precisarão lidar com uma categoria mobilizada, unificada e disposta a acompanhar cada passo da tramitação.
Crise do Diviprev entra em fase decisiva
A assembleia desta segunda-feira mostrou que a crise do Diviprev alcançou novo patamar.
Antes, havia estado de greve, manifestações na Câmara e discursos de alerta. Agora, existe uma data definida para início da paralisação, caso a proposta siga adiante.
O movimento dos servidores também ganhou amplitude. Sindicatos de outras categorias prestaram apoio, vereadores participaram, lideranças sindicais assumiram o comando e a categoria aprovou novas ações de pressão.
A Prefeitura, por sua vez, continua diante do maior teste político da gestão Janete até aqui.
Se mantiver o projeto, poderá enfrentar greve a partir de sexta-feira. Se retirar, terá que reconstruir a proposta com os sindicatos e explicar como pretende enfrentar a situação do Diviprev.
O fato é que, depois da assembleia no ginásio poliesportivo, o recado ficou claro: os servidores decidiram parar se Janete não recuar.






