A parlamentar na entrevista concedida ao Divinews em seu gabinete na ALMG, na quarta (08) falou do cenário político de Minas, as articulações em torno do governo do Estado e o ambiente das pré-candidaturas. O eixo da fala foi claro: na avaliação de Lohanna França a direita mineira vive uma disputa de poder, não uma disputa de projeto para o Estado.
O diagnóstico veio embalado por uma crítica direta ao comportamento do campo conservador extremado, radicalizado. Para Lohanna, a extrema direita e a direita em Minas seguem o mesmo padrão de liderança que, segundo ela, já se vê briga, confusão e desrespeito. O reflexo disso, na leitura da deputada, aparece quando os nomes colocados na corrida estadual passam a se enfrentar mais por ambição pessoal do que por propostas concretas para Minas Gerais.
Ao desenvolver o raciocínio, conectou o cenário mineiro ao embate recente entre figuras do bolsonarismo nacional. A menção à necessidade de mediação entre nomes da família Bolsonaro e seus aliados serviu, no argumento da parlamentar, para mostrar que o problema não é episódico. O que ela enxerga é um modelo político em que, quando projetos pessoais entram em choque, desaparece qualquer senso de unidade em torno de um projeto de país ou de Estado.
Esse mesmo movimento, estaria sendo reproduzido em Minas. Em vez de um debate consistente sobre o futuro do Estado, sobre infraestrutura, desenvolvimento, contas públicas e prioridades regionais, o que se vê seria uma sucessão de nomes em disputa, cada um tentando ocupar espaço, mas com pouco conteúdo real sobre o que fazer com Minas Gerais.
Lohanna resumiu essa percepção com uma frase que ajuda a definir o tom da entrevista: ela escuta muito sobre “a candidatura do A, do B, do C, do campo da direita”, mas vê muito pouco sobre o projeto que essas figuras teriam para apresentar ao eleitorado mineiro. A crítica atinge diretamente o ambiente de pré-campanha, que já se desenha antes mesmo da largada oficial.
A fala também avançou sobre a superficialidade que, na visão da deputada, marca parte dessas pré-candidaturas. Ironizou o discurso genérico de quem se apresenta como defensor “de todas as coisas boas” e adversário “de todas as coisas ruins”, observando que esse tipo de fala pode até soar bem no palanque, mas não resolve a conta concreta de governar. O recado foi duro: slogan vazio não substitui projeto de Estado.
Mirou o comportamento dos adversários e disse que as brigas internas da direita acabam escancarando um modelo em que a disputa do projeto pessoal aparece em primeiro plano, enquanto Minas Gerais fica em segundo, ou até fora da mesa. A crítica vai além da eleição. Ela atinge a lógica de construção política que vem esvaziando o debate público.
Um dos momentos mais cortantes da entrevista surgiu quando ela tratou do vice-governador Mateus Simões. Sem citá-lo pelo nome, Lohanna descreveu o “governador vice do Zema” como alguém que ataca adversários de forma feroz e, às vezes, “parecendo que está quase rosnando durante a fala”. A imagem usada pela deputada não foi casual. Ela tentou associar a retórica do grupo governista a um estilo agressivo, duro e mais preocupado com confronto do que com solução.
Ao mesmo tempo, Lohanna procurou contrastar esse comportamento com o campo em que se posiciona. Defendeu que “o campo de cá” estaria discutindo projeto, país e alternativas reais para enfrentar temas estruturais de Minas, como a questão fiscal, as rodovias e outras carências ainda não resolvidas. A deputada tentou se colocar e colocar seu grupo político no espaço da formulação, em oposição ao ruído e à disputa de ego.
A menção à questão fiscal e às rodovias ajuda a entender que a fala de Lohanna não ficou presa apenas ao embate eleitoral. Ela procurou inserir conteúdo administrativo e estrutural no debate, reforçando a ideia de que o próximo governo de Minas não pode ser decidido apenas com base em nomes fortes, embates de rede social ou guerra entre pré-candidatos.
O fechamento da entrevista seguiu a mesma linha e trouxe um apelo político mais amplo. Para a deputada, Minas ainda tem muita coisa a ser entregue, e o Estado não pode deixar que esse ambiente de conflito e esvaziamento que tire da população a capacidade de sonhar. A frase funciona como síntese do que ela construiu ao longo da conversa: uma crítica severa ao campo adversário e, ao mesmo tempo, uma defesa da retomada de um debate mais concreto sobre o futuro mineiro.
Lohanna enxergou um tabuleiro dominado por pré-candidaturas em choque, ambições concorrentes e pouca densidade programática do lado da direita. E, ao fazer isso, denuncia o vazio do debate e cobra que o Estado volte a ser discutido para além do marketing eleitoral.
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