Acusado de matar gari em BH será julgado em júri popular por homicídio triplamente qualificado

Renê da Silva Nogueira Júnior disparou contra Laudemir de Souza Fernandes durante coleta de lixo no Vista Alegre; Justiça mantém prisão e confirma indícios de autoria

Publicado por: Cassia Misael

A Justiça de Minas Gerais decidiu, nesta quarta-feira (28), que o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior será levado a júri popular pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos. O crime ocorreu na manhã do dia 11 de agosto de 2025, enquanto a vítima realizava a coleta de lixo no bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte. A decisão da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri, confirmou a gravidade do caso, marcado por ação violenta e sem possibilidade de defesa da vítima.

O crime

De acordo com o Ministério Público, Renê se irritou com uma retenção momentânea de trânsito provocada pelo caminhão de lixo em que Laudemir trabalhava. Em um ato de fúria, sacou uma pistola calibre .380 e disparou contra o gari, que caiu imediatamente, atingido de surpresa, e morreu no local.

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Testemunhas relataram cenas de choque: Laudemir era conhecido por sua dedicação e simpatia, e colegas tentaram socorrê-lo, mas não conseguiram salvá-lo. O crime ocorreu em plena luz do dia, em via pública, evidenciando a audácia do acusado.

Investigação e denúncia

Após o crime, Renê foi preso em flagrante e chegou a confessar o homicídio durante o interrogatório, embora tenha posteriormente mudado a versão, alegando que portava a arma por motivos de segurança pessoal. A Polícia Civil desconsiderou a justificativa por falta de evidências e reforçou que o inquérito foi conduzido dentro da lei, respeitando a ampla defesa do acusado.

O Ministério Público denunciou Renê por homicídio triplamente qualificado — por motivo fútil, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e perigo comum — além de porte ilegal de arma de fogo. A arma usada pertencia à esposa do acusado, delegada da Polícia Civil, que chegou a ser investigada por porte ilegal de arma e está afastada das funções.

Decisão da Justiça

A juíza responsável pelo caso descartou a qualificadora de perigo comum, considerando que não houve risco concreto a outras pessoas. A decisão manteve a prisão preventiva de Renê e confirmou que o caso deve seguir para julgamento popular, garantindo que a responsabilidade criminal seja analisada pelo júri.

Próximos passos

O julgamento deve mobilizar familiares, colegas de trabalho e autoridades, reforçando a atenção à segurança de trabalhadores da limpeza urbana e ao respeito no trânsito. O caso se tornou símbolo da necessidade de responsabilização rigorosa em situações de violência cotidiana.

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