A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (9 de outubro de 2025), confirma a liderança consolidada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial de 2026 e revela que ele venceria todos os principais adversários em um eventual segundo turno, incluindo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG) e Michelle Bolsonaro (PL).
O levantamento, que ouviu 2.004 eleitores em 120 municípios entre os dias 2 e 5 de outubro, tem margem de erro de dois pontos percentuais, e reforça uma tendência de recuperação da imagem de Lula após meses de oscilação na popularidade do governo.
Lula amplia vantagem sobre Tarcísio e mantém folga sobre Zema e Bolsonaro
No principal cenário testado, Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 33% de Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo. Em setembro, a diferença era de oito pontos, mas agora chega a 12, evidenciando um crescimento do petista e queda do adversário da direita.
Contra Romeu Zema, governador de Minas Gerais e nome cogitado do partido Novo, Lula venceria por 47% a 32%. Já diante de Jair Bolsonaro (PL), que segue inelegível pelo TSE e condenado pelo STF no caso da trama golpista de 2022, o petista teria 46% contra 36% do ex-presidente.
A pesquisa também simulou cenários com Eduardo Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Ciro Gomes, Ratinho Jr., Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. Lula vence todos:
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Lula 46% x 31% Eduardo Bolsonaro
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Lula 46% x 34% Michelle Bolsonaro
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Lula 41% x 32% Ciro Gomes
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Lula 44% x 31% Ratinho Jr.
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Lula 46% x 31% Caiado
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Lula 45% x 22% Eduardo Leite
O resultado demonstra que, apesar das crises políticas e econômicas enfrentadas pelo governo, Lula mantém uma base sólida e transversal, especialmente entre eleitores de baixa renda e do Nordeste, segmentos que tradicionalmente sustentam o petismo.
Rejeição bolsonarista e crise na direita
A pesquisa também escancara a desarticulação da direita e o vácuo de liderança após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. O ex-presidente ainda mantém um núcleo duro de apoio, mas 76% dos brasileiros acreditam que ele deveria desistir de disputar e apoiar outro nome.
Entre seus próprios eleitores, 47% defendem que ele passe o bastão, enquanto 52% ainda o querem candidato — um índice que mostra divisão e fadiga eleitoral.
Já o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) aparece como o político mais rejeitado do país, com 68% dos entrevistados afirmando que jamais votariam nele. Em seguida vêm Jair Bolsonaro (63%), Michelle Bolsonaro (61%) e Ciro Gomes (50%).
Eduardo Bolsonaro está atualmente nos Estados Unidos, onde desde março lidera uma campanha por sanções contra o Brasil, com o objetivo de pressionar pela libertação de seu pai. Ele é alvo de uma representação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, acusado de ataques às instituições, incitação contra o processo eleitoral e constrangimento diplomático a autoridades brasileiras.
O relator do caso, entretanto, defendeu o arquivamento do processo nesta quarta-feira (8), o que provocou reação negativa entre opositores.
Avaliação do governo e discurso eleitoral
A Quaest aponta ainda estabilidade na recuperação da imagem do governo Lula, favorecida pela defesa de pautas econômicas de apelo popular, como a reforma do Imposto de Renda e a rejeição à anistia de Bolsonaro e à PEC da Blindagem.
Após um primeiro semestre turbulento, e marcado por críticas à taxação do Pix e aos descontos indevidos do INSS, o Palácio do Planalto tenta reforçar o discurso de soberania nacional e vincular a família Bolsonaro à crise econômica internacional gerada pela política de tarifas do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que afetou exportações brasileiras.
A estratégia, segundo fontes próximas ao Planalto, é posicionar Lula como líder estável e experiente, capaz de garantir segurança social e econômica em um cenário de instabilidade global.
“Se eu estiver como estou, serei candidato para ganhar”, diz Lula
Questionado sobre a possibilidade de disputar a reeleição, Lula afirmou em entrevista à Rádio Apiatã, da Bahia, que só decidirá em 2026, mas sinalizou disposição clara:
“Se eu, no momento em que decidir, estiver com o vigor físico e a motivação que tenho hoje, não tenho dúvida de que serei candidato à Presidência para ganhar as eleições.”
O presidente disse ainda que seus adversários devem estar “muito mais preocupados” diante das projeções eleitorais.
Apesar da boa fase nas pesquisas, 56% dos eleitores acreditam que Lula não deveria se candidatar novamente, contra 42% que apoiam a reeleição. Essa divisão mostra que o desafio do governo será manter o protagonismo político sem desgastar a imagem pessoal do presidente, especialmente diante de uma oposição enfraquecida, mas ainda barulhenta.






