“Urgente: Bolsonaro é preso, por violar determinação do STF de não usar redes sociais”

Ao descumprir medidas cautelares impostas pelo STF, ex-presidente Jair Bolsonaro passa a cumprir prisão domiciliar; Moraes aponta uso indireto das redes sociais para atacar instituições.

Publicado por: Geraldo Passos

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (4) a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão veio após a constatação de que ele violou medidas cautelares impostas em julho. Como resultado, a Polícia Federal (PF) realizou buscas na casa de Bolsonaro, em Brasília, e apreendeu um celular.

Além da prisão domiciliar, o ministro proibiu visitas, exceto de familiares e advogados. Moraes também ordenou o recolhimento de todos os celulares do local. Segundo ele, diante das constantes violações, medidas mais rígidas são necessárias para impedir a continuidade das ações ilegais.

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Bolsonaro dribla regras usando redes de aliados

De acordo com Moraes, Bolsonaro recorreu às redes sociais de aliados, incluindo seus três filhos parlamentares, para divulgar mensagens. Esses conteúdos, segundo o ministro, incentivavam ataques ao STF e defendiam intervenção estrangeira no Judiciário brasileiro.

No domingo (4), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, postou um vídeo em que o pai aparece falando por viva-voz com apoiadores em Copacabana, no Rio.
“Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos. É pela nossa liberdade. Estamos juntos”, disse Bolsonaro.

Apesar de não usar diretamente seus perfis, o ex-presidente, segundo Moraes, burlou as restrições de forma deliberada. O próprio Flávio apagou a publicação horas depois, o que reforçou a suspeita de tentativa de ocultação.

Violações anteriores e agravamento das medidas

Vale lembrar que, em 18 de julho, Moraes impôs medidas cautelares a Bolsonaro. Entre elas, estavam o uso de tornozeleira eletrônica, a permanência em casa à noite e nos fins de semana, e a proibição total de usar redes sociais, inclusive por meio de terceiros.

Contudo, mesmo com essas restrições em vigor, Bolsonaro continuou a participar do debate digital. Moraes destacou que ele manteve influência política ao repassar conteúdos a terceiros. Diante disso, o ministro decidiu endurecer as restrições.

Investigação internacional e apoio ao filho

Paralelamente, Bolsonaro também é investigado por envolvimento em uma campanha internacional contra autoridades brasileiras. Segundo a PF, ele apoiou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em uma tentativa de influenciar o governo dos Estados Unidos a impor sanções contra ministros do STF, integrantes da PGR e da Polícia Federal.

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Durante depoimento à PF, Bolsonaro admitiu ter enviado US$ 2 milhões para manter o filho nos EUA. A confissão chamou atenção dos investigadores e reforçou a suspeita de articulação conjunta entre pai e filho.

Conforme apurado, os dois utilizaram entrevistas e redes sociais para pressionar instituições brasileiras. Com isso, buscavam reforçar a narrativa de perseguição política e interferir no andamento das investigações.

Tarifas de Trump e tentativa de chantagem

O caso ganhou novo contorno após Donald Trump anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. O governo americano alegou que a medida foi motivada por ações do Judiciário contra Bolsonaro.

Logo depois, o ex-presidente deu declarações públicas sugerindo que as tarifas poderiam ser suspensas, desde que ele fosse anistiado. Para Moraes, tal postura configura uma tentativa de chantagem institucional, além de atentar contra a soberania nacional.

Na avaliação do ministro, Bolsonaro confessou de forma voluntária essa intenção em entrevistas recentes, o que agravou ainda mais a sua situação jurídica.

PGR aponta risco de fuga e ameaça constitucional

A Procuradoria-Geral da República (PGR), por sua vez, concluiu que existem indícios de crimes como obstrução de Justiça, coação e ameaça à ordem constitucional. Além disso, alertou para o risco de fuga do ex-presidente e defendeu medidas urgentes.

Diante de todo esse cenário, Moraes decidiu aplicar a prisão domiciliar e restringir ainda mais os contatos e acessos do ex-presidente. O objetivo, segundo ele, é preservar o cumprimento da lei e proteger as instituições democráticas de novos ataques.

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