Reportagem do JN flagra Eduardo Bolsonaro nos EUA negociando interesses pessoais com governo Trump

Publicado por: Geraldo Passos

Na noite de ontem, quarta-feira (16), o Jornal Nacional exibiu uma reportagem que surpreendeu até os mais atentos aos bastidores políticos: Eduardo Bolsonaro, deputado federal licenciado e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi flagrado pela correspondente Raquel Krähenbühl circulando nas imediações da Casa Branca, em Washington. A aparição do parlamentar, fora da agenda oficial e sem qualquer representação diplomática formal, revelou uma atuação silenciosa e reveladora uma tentativa de interferência política internacional que, na prática, escancara a prioridade da família Bolsonaro, ou seja, blindar o ex-presidente e garantir sua anistia, mesmo que isso custe sanções ao Brasil.

William Bonner introduziu a matéria com ênfase. Raquel, uma das correspondentes mais respeitadas do país, abordou Eduardo Bolsonaro e perguntou o que ele fazia por ali. Sem hesitar, Eduardo disse estar nos Estados Unidos a convite de “autoridades americanas”, para discutir as reações do Brasil à proposta de sobretaxa de 50% imposta pelo ex-presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.

Continua depois da publicidade

O parlamentar foi além: afirmou que Trump “puxou o problema para si” e insinuou que a medida que penaliza diretamente o setor produtivo brasileiro seria uma forma de pressionar o Supremo Tribunal Federal, especialmente o ministro Alexandre de Moraes. Para Eduardo, a retaliação americana estaria relacionada às decisões tomadas contra seu pai e aliados no inquérito das fake news e dos atos golpistas.

Interesses pessoais acima da soberania nacional

A postura de Eduardo Bolsonaro revela um padrão recorrente da família: quando em risco, jogam o Brasil à mesa como moeda de troca. A tentativa de atrelar sanções econômicas de uma potência estrangeira a decisões judiciais internas do Brasil é, para muitos analistas, inaceitável. Não apenas coloca em xeque a soberania nacional, como ainda estimula uma perigosa diplomacia paralela, conduzida sem chancela institucional.

É escandaloso que um deputado federal licenciado, portanto, ainda vinculado ao cargo público atue fora dos canais diplomáticos, sem representação legal, numa agenda obscura que coloca em primeiro lugar os interesses do clã Bolsonaro e não do povo brasileiro.

A tarifa de 50% como chantagem internacional

A sobretaxa de Trump foi recebida com perplexidade por setores da indústria brasileira. Em vez de buscar uma mediação diplomática séria por meio do Itamaraty ou do Ministério da Fazenda, Eduardo Bolsonaro opta por validar a tarifa, chamando-a de “alavanca” termo que, na prática, soa como chantagem. A alavanca serviria, segundo ele, para que Trump pressionasse o Judiciário brasileiro ou impusesse sanções adicionais ao país até que o sistema se dobre à anistia de Bolsonaro.

Continua depois da publicidade

É uma inversão completa dos princípios básicos da democracia: um parlamentar legitimando que um governo estrangeiro puna economicamente seu próprio povo como moeda de barganha para livrar o pai de uma eventual prisão. O Brasil é, mais uma vez, usado como escudo e ferramenta de interesses familiares.

Raquel Krähenbühl expõe o silêncio conveniente da mídia bolsonarista

A reportagem, conduzida por Raquel Krähenbühl, foi objetiva e incisiva. A jornalista tem longa trajetória de cobertura internacional e já entrevistou presidentes, ministros e lideranças globais. A naturalidade com que Eduardo respondeu à pergunta reforça o tom de descuido e convicção de quem acredita que os fins justificam os meios.

Curiosamente, a mesma ala bolsonarista que grita por soberania nacional quando o tema envolve relações com a China ou a Venezuela, agora se cala diante da confissão aberta de que Trump é o plano B da família para reverter decisões internas do Judiciário brasileiro. A contradição é gritante.

Eduardo age como agente informal do bolsonarismo e não como parlamentar da República

A presença de Eduardo Bolsonaro em Washington, longe de representar interesses do Brasil, é mais uma peça de um tabuleiro geopolítico distorcido, em que a prioridade não é o povo brasileiro, mas o projeto de salvação jurídica de Jair Bolsonaro. E para isso, parece que qualquer coisa vale: inclusive defender tarifas contra o próprio país ou buscar ajuda de um ex-presidente estrangeiro com histórico de golpismo e isolamento diplomático.

Enquanto isso, o Brasil paga a conta e quem produz, quem exporta e quem trabalha, é quem sente o peso da “alavanca” imposta por um filho em desespero.

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

  1. Weverton disse:

    Um verdadeiro traidor da pátria

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados