O Partido dos Trabalhadores confirmou neste sábado (6) a eleição do ex-prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva, como novo presidente nacional da sigla para o período de 2025 a 2029. Com 73,5% dos votos válidos, Edinho assume o comando do partido com o aval direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas sua vitória ocorre em meio a um cenário turbulento no segundo maior colégio eleitoral da legenda: Minas Gerais.
A eleição em Minas foi adiada após uma sequência de conflitos internos, judicialização e indefinições envolvendo a candidatura da deputada federal Dandara Tonantzin à presidência do diretório estadual. A parlamentar teve seu registro indeferido pelas instâncias do partido por inadimplência no pagamento de contribuição partidária. Embora ela tenha apresentado comprovante de pagamento, este foi efetuado fora do prazo e inicialmente rejeitado.
Dandara recorreu à Justiça comum, obtendo liminar favorável. O Diretório Nacional então alegou impossibilidade logística para inseri-la nas cédulas de votação já impressas e distribuiu nota oficial adiando a votação em Minas. Neste domingo (7), a liminar foi suspensa pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, o que recolocou o partido diante do desafio de definir nova data para o pleito mineiro — agora prevista, preliminarmente, para o próximo domingo, 13 de julho.
Com isso, a eleição de Edinho Silva se deu sem a contabilização dos votos de Minas Gerais, o que não impediu sua vitória, mas comprometeu a imagem de unidade partidária que a sigla esperava demonstrar neste momento estratégico. A votação no estado é considerada decisiva, tanto pela relevância histórica do PT mineiro quanto pela força política de seus grupos internos. A disputa local opôs Dandara, apoiada por Reginaldo Lopes e Cristiano Silveira, à ala majoritária ligada a Gleide Andrade, secretária nacional de Planejamento e Finanças.
Mesmo sem os votos de Minas, Edinho foi eleito com ampla maioria. O resultado oficial o coloca à frente de nomes históricos como Rui Falcão (11%) e os dirigentes Valter Pomar e Romênio Pereira, ambos com menor expressão no PED 2025. O novo presidente nacional é ligado à corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), mesma tendência de Lula e de Gleisi Hoffmann, atual presidenta nacional que deixará o posto.
A vitória de Edinho sinaliza a continuidade da linha política lulista e uma postura mais pragmática do partido para a disputa de 2026. Ele deverá coordenar as alianças, ampliar o diálogo com o centro político e consolidar a reeleição de Lula ou lançar uma alternativa, caso o presidente não dispute um novo mandato.
Apesar disso, o episódio em Minas deixou marcas. Setores do partido criticaram abertamente a judicialização promovida por Dandara, enquanto seus aliados acusaram a direção nacional de perseguição política e favorecimento interno. A crise mostrou que o PT, embora robusto eleitoralmente, ainda enfrenta rachas profundos entre suas correntes — algo que pode gerar consequências em disputas municipais de 2024 e na sucessão estadual em Minas, onde o partido busca se reposicionar.
A direção nacional convocou reunião extraordinária do Diretório Nacional para esta próxima terça-feira (8), a fim de tratar dos desdobramentos da judicialização e definir os rumos do PED em Minas.






