Renata Mara, de 43 anos, era vista como uma mulher simples, trabalhadora, atuante em feiras livres de Divinópolis. Sempre com um sorriso no rosto, conquistava a simpatia de quem passava por sua barraca. Com jeito humilde, ganhou a confiança dos vizinhos e se tornou conhecida por sua “fé” e “força” diante da vida.
Mas por trás da imagem de mulher guerreira, escondia-se uma golpista fria e calculista, capaz de usar a dor alheia como isca para lucrar. Renata Mara simulou ter câncer, comoveu toda a cidade, organizou rifas, campanhas e até uma cavalgada, e arrecadou mais de R$ 60 mil com uma mentira cruel.
O Divinews teve acesso a um vídeo de uma cavalgada beneficente em prol ao seu tratamento, lá simulou estar com câncer, emocionou vizinhos, sensibilizou a comunidade e conseguiu arrecadar doações, rifas e eventos beneficentes. Tudo baseado em uma mentira.
Renata, com aparência frágil e discursos tocantes, construiu uma narrativa de dor e esperança que nunca existiu. Vizinhos, colegas de feira e até desconhecidos se mobilizaram para ajudar no falso tratamento da golpista, que agora está formalmente indiciada pelos crimes de estelionato e falsidade ideológica.
“A gente via a força dela. Ela montava a barraca e vendia tudo. Por isso ninguém imaginava nada errado. Ermida inteira ficou comovida, todo mundo ajudou comprando rifas, participando de evento. Quando estourou a história, o povo ficou abismado”, contou um produtor. Ele preferiu não ser identificado.
Além disso, de acordo com uma vizinha de Renata, que por receio e medo, preferiu não identificar, disse relatou uma vida simples da golpista, além de passar a necessidade de “necessitada”
“Ela é mãe solteira, sempre correu muito atrás. Em março me pediu R$ 2 mil para comprar “injeções anticoagulantes”. Mandei mensagem para meus grupos de produtores, organizei campanha de Pix. Ermida inteira se mobilizou”
Além disso, Renata Mara, de 43 anos, disse ter enfrentado um câncer no estômago em 2022, ao receber ajuda para um tratamento em Barretos cidade referência, no tratamento oncológico, Renata disse que havia jogado todos os laudos fora.
O discurso da mentira: Renata Mara emociona com fala encenada
Portanto, durante a cavalgada, realizada por amigos e apoiadores, Renata Mara fez um discurso repleto de falsidade e manipulação emocional, que hoje causa revolta.
“Boa tarde a todos. Eu gostaria de imenso coração, agradecer a cada um que largou o seu serviço, né? Às vezes largou a sua família para estar nos prestigiando. E queria pedir à Nossa Senhora Aparecida que ela ilumine a vida de cada um de vocês que está hoje aqui presente, por uma causa beneficente, para me ajudar e também ajudar o Centro de Ecoterapia.”
“E gostaria de agradecer também, primeiramente, a Deus, que se não fosse Ele, eu não estaria aqui hoje. Por tudo que eu já passei e venho passando, a batalha é muito difícil. Mas com vocês do meu lado, eu tenho certeza que eu vou vencer. Já estou vencendo a luta e vou continuar vencendo.”
“E um dia, a hora que eu tiver curada, eu vou lembrar de todos os amigos que hoje aqui estão e quem passou pela minha vida. E agradecer também ao pessoal da organização, ao Ricardo, que abraçou a causa junto comigo, largou o seu tempo, foi me ajudar. Ao Leandro, também, à Prefeitura, aos meninos da Polícia Militar, ao Sargento Júlio Vilano, ao Maicel Oliveira, à locução, ao Aline, que hoje não pôde estar presente porque está com a sua filha hospitalizada. Eu quero agradecer a ele de coração por ter nos ajudado. Ao Valmir, ao Daniel, que está aqui também nos ajudando. E a todos vocês que estão montados em seus animais.”
“Que Deus proteja cada um de vocês, toda a família e também a todos os animais. Espero que o trajeto seja um trajeto tranquilo e pode preparar, que lá tem muita comida boa e muita festa, viu? E um showzaço lá pra dançar e rastar o pé. Obrigada a todos!”
“Ela nos enganou! Fez a cidade chorar por ela!”
A revolta nas ruas de Divinópolis é generalizada. Pessoas que compraram rifas, participaram de almoços e cavalgada beneficentes, fizeram doações via PIX e organizaram campanhas, se sentem traídas e humilhadas. Renata usou da boa-fé de uma população inteira para engordar sua conta bancária.
As investigações confirmaram que não havia nenhum diagnóstico médico, nenhuma consulta oncológica, nem mesmo exames compatíveis com a doença que ela dizia enfrentar. Mesmo assim, ela aparecia de lenço na cabeça e narrava, com riqueza de detalhes, sessões de quimioterapia que nunca aconteceram.
A estratégia da mentira
Portanto, Renata Mara criou um enredo digno de novela para sustentar sua mentira. Disse que enfrentava um tipo agressivo de câncer e que precisava de ajuda para seguir com o tratamento.
Além disso, fez postagens comoventes nas redes sociais, apareceu com aparência debilitada e chegou a relatar efeitos colaterais dos medicamentos que jamais usou.
Portanto, a farsa foi além do virtual. A feirante participou ativamente de eventos para arrecadação de fundos. Chorou em público, agradeceu doações e emocionou quem se envolvia em sua “luta pela vida”.
Estelionato e falsidade ideológica
Além disso, a Polícia Civil, após reunir provas e depoimentos, indiciou Renata Mara pelos crimes de estelionato e falsidade ideológica. O inquérito encerrado, e agora a golpista responderá na Justiça pelos atos covardes que cometeu contra a própria comunidade.
Portanto, a expectativa é que ela seja responsabilizada não apenas criminalmente, mas também civilmente sendo obrigada a devolver os valores arrecadados com a farsa.
Um alerta para outras vítimas
Além disso, casos como esse acendem o alerta, a solidariedade da população não pode ser manipulada por pessoas sem escrúpulos. Renata Mara aproveitou-se da dor que o câncer representa para tantas famílias para lucrar de forma desumana.
Portanto, o Ministério Público acompanha o caso, e a repercussão já gerou um clamor social por justiça. Muitos dos doadores querem ver não apenas a prisão da golpista, mas também a devolução do que conquistado sob mentiras e manipulação emocional.
Indiciada nesta semana, a suspeita segue em liberdade enquanto a Justiça avalia se decreta ou não sua prisão preventiva. Além disso, a delegada Adriene Lopes, alerta para o impacto social do caso.
“Já encaminhamos o processo para a Justiça e para a promotoria. As pessoas devem tomar cuidado, até mesmo na questão social de solidariedade. Você deve procurar saber para não ajudar um criminoso e deixar de ajudar quem verdadeiramente precisa”.







