A deputada estadual Lohanna França (PV), em entrevista ao Divinews, nesta última quarta-feira (02), na ALMG, repetindo sua fala na Audiência Pública da UEMG, realizada no dia anterior, voltou a criticar duramente o governo de Romeu Zema (Novo) pela proposta de incluir imóveis da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) como moeda de pagamento da dívida do Estado com a União, que já ultrapassa R$ 170 bilhões. A parlamentar classificou a estratégia de Zema como um risco para a continuidade da universidade estadual, que, segundo ela, vem recebendo investimentos importantes e cumpre um papel essencial no ensino superior mineiro.
Lohanna argumentou que o PROPAG, plano defendido pelo governo estadual para renegociar a dívida, não prevê a entrega de imóveis como forma de pagamento, mas sim investimentos em áreas estratégicas, entrega de ativos estatais como Cemig e Copasa, ou recursos financeiros diretos. “O Zema quer passar mais de 300 imóveis, incluindo prédios da UEMG, delegacias e até prefeituras. Mas a União já deixou claro que imóvel não está entre as moedas aceitas”, frisou a deputada.
Para ilustrar a situação, Lohanna usou uma metáfora simples, comparando a proposta de Zema ao tentar pagar uma dívida entregando um carro para alguém que não quer receber o veículo: “Não adianta querer passar um carro se a pessoa já disse que não quer o carro”, disse, lembrando que a União já declarou não ter interesse em federalizar a UEMG.
A deputada reforçou que a melhor universidade do país, a USP é estadual, e defendeu que Minas Gerais siga o mesmo modelo, fortalecendo sua rede de ensino próprio. “Minas não pode abrir mão de ter a sua universidade estadual. A UEMG já foi fortalecida por diversas emendas parlamentares, inclusive do meu mandato, e não pode ser vendida ou repassada para o setor privado”, completou.
Durante a audiência, Lohanna também alertou para o risco de os imóveis da UEMG, muitos deles recém-reformados, serem vendidos a conglomerados privados de educação superior. Segundo a parlamentar, esses grupos estariam de olho nos prédios bem estruturados para expandirem seus negócios em Minas, caso a federalização não prospere.
A proposta do PROPAG continua gerando embates entre deputados, membros do governo e representantes da sociedade civil. A expectativa é de que o tema siga mobilizando a Assembleia nos próximos meses. Porém, somente após o recesso do Legislativo que ocorrerá após o dia 18, é que o tema voltará a ser abordado.






