A rotina nas Unidades de Saúde da Família (USFs) tem sido marcada por um problema crescente e muitas vezes invisibilizado: a ausência sistemática de pacientes em consultas agendadas, sem qualquer justificativa. O cirurgião-dentista Dr. Gabriel Assunção gravou um vídeo que viralizou nas redes sociais denunciando o impacto direto dessas faltas na qualidade dos serviços prestados.
“Os pacientes querem ser atendidos nos horários deles, como se o mundo tivesse que girar ao redor da conveniência de cada um”, desabafou o profissional, visivelmente indignado com a sequência de consultas desmarcadas por ausência — inclusive com horários consecutivos vagos, enquanto outros aguardam por atendimento urgente.
A situação, segundo ele, afeta toda a equipe multidisciplinar: enfermeiros deixam de realizar atendimentos de puericultura, coleta de preventivo e pré-natal; médicos têm consultas canceladas por ausência; e dentistas perdem horários que poderiam ser destinados a urgências. Em um sistema com recursos limitados, cada vaga perdida representa menos cuidado para quem realmente precisa.
Projeto de Lei propõe responsabilização após 3 faltas
Para enfrentar o que classifica como um “descaso coletivo travestido de normalidade”, Dr. Gabriel propõe um Projeto de Lei Municipal: a partir da terceira falta injustificada, o paciente só poderá ser reagendado após um prazo mínimo de seis meses. Estariam isentos os casos com apresentação de atestado médico ou comunicação prévia de impossibilidade.
“Não é sobre punir, é sobre educar. É conscientizar que saúde pública é coisa séria. A vaga que você não ocupa poderia ter sido de alguém com dor, com febre, com urgência. Essa postura egoísta precisa mudar”, argumenta.
A medida busca valorizar o tempo dos profissionais e combater um dos fatores que mais comprometem a eficiência do SUS: a cultura de “não comparecer” como se o serviço público fosse descartável.
Cultura de responsabilidade: um dever coletivo
A proposta do Dr. Gabriel ecoa entre profissionais de diversas regiões, que enfrentam diariamente o mesmo cenário. Em muitos casos, equipes enxutas são obrigadas a reorganizar toda a agenda por causa de pacientes que simplesmente não aparecem. O resultado é frustração, desperdício e sobrecarga.
Além de denunciar, o vídeo funciona como um apelo por mudança de comportamento. A ausência de políticas locais para lidar com faltas abusivas também é vista como uma lacuna a ser urgentemente preenchida. E, como destaca o próprio dentista, o respeito à saúde pública deve ser um valor construído com todos — inclusive com os usuários.
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