Um problema silencioso, mas com impacto direto na vida da população, tem chamado a atenção na saúde pública de Divinópolis. Nos três primeiros meses de 2026, mais de 14 mil consultas agendadas nas Unidades Básicas de Saúde foram perdidas por ausência dos pacientes.
Os dados apontam que, entre janeiro e março, foram registradas 14.549 faltas. Logo no início do ano, janeiro concentrou 4.654 ausências. Em seguida, fevereiro teve 4.169 registros. Já em março, o número subiu ainda mais, alcançando 5.723 faltas, indicando crescimento do problema ao longo do trimestre.
Esse cenário revela um gargalo que vai além de quem não comparece. Cada consulta perdida representa uma vaga que poderia ser utilizada por outro paciente que aguarda atendimento. Na prática, o impacto recai diretamente sobre quem precisa do serviço e enfrenta filas cada vez maiores.
Entre as unidades mais afetadas, a UBS Central lidera o ranking, com 831 faltas registradas. Logo depois aparece a unidade do bairro Niterói, com 828 ausências, números que reforçam a pressão sobre regiões de maior demanda.
A administração municipal destaca que o problema interfere diretamente na organização do sistema de saúde. Quando o paciente não comparece e não desmarca, a vaga fica ociosa. Ao mesmo tempo, outros usuários permanecem aguardando, o que aumenta o tempo de espera e compromete o fluxo de atendimento.
Além disso, o aumento progressivo das faltas ao longo dos meses acende um alerta para a necessidade de medidas mais efetivas. Estratégias como confirmação prévia de consultas, campanhas de conscientização e até penalidades administrativas já são discutidas em diversos municípios como formas de reduzir o índice de ausência.
O fenômeno não é exclusivo de Divinópolis, mas os números locais mostram um volume expressivo que pressiona ainda mais a rede pública. Em um sistema já sobrecarregado, cada vaga desperdiçada amplia o desafio de garantir atendimento ágil e eficiente.
Diante desse cenário, o desafio passa a ser coletivo. De um lado, o poder público busca soluções para otimizar o sistema. Do outro, a colaboração da população se torna essencial para evitar desperdício de vagas e garantir que o atendimento chegue a quem realmente precisa.






