Durante a Audiência Pública, da Comissão de Direitos Humanos, realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais – ALMG, na quinta-feira (10), a deputada estadual Bela Gonçalves (PSOL) em entrevista ao Divinews fez duras críticas à condução do Governo de Minas em relação ao antigo prédio do DOPS, em Belo Horizonte, e reforçou o apelo de movimentos sociais para a criação do Memorial da Verdade, Memória e Justiça. O local, que funcionou como centro de tortura durante a ditadura militar, foi recentemente ocupado por manifestantes e tornou-se palco de uma nova disputa entre sociedade civil e Estado.
Na semana passada, movimentos sociais ocuparam o prédio abandonado, denunciando o descaso e a falta de ação do governo mineiro em transformar o espaço em um memorial público. Em vez de diálogo, a resposta do Executivo foi o envio da Polícia Militar para cercar o prédio e impedir o acesso da população.
“O governo do Estado se fechou. Colocou a polícia para fazer um cerco e ainda não apresentou nenhum projeto de utilização para o espaço”, criticou a deputada.
“Ditadura nunca mais”
Durante audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, Bela Gonçalves compartilhou sua experiência pessoal ao visitar o local, onde identificou antigas salas de tortura, tanques de afogamento e até uma “churrasqueira” usada por militares para comemorações macabras enquanto presos políticos eram torturados.
A deputada defende que o espaço seja aberto imediatamente à visitação pública — mesmo antes da conclusão das obras — para pesquisadores, universidades, estudantes e sociedade civil. Ela também propôs a criação de um grupo popular de acompanhamento das reformas e da escolha do projeto que dará forma definitiva ao memorial.
Democracia em risco e memória como educação
Bela alertou para o fato de que muitas estruturas repressoras do regime militar ainda se mantêm ativas sob diferentes formas.
“Denúncias de tortura continuam a ocorrer, principalmente contra a população negra e pobre, nos presídios e abordagens policiais. Nossa democracia ainda é frágil e precisa ser defendida constantemente”, afirmou.
A parlamentar ainda fez referência direta aos ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, classificando-os como uma tentativa real de golpe de Estado.
“Não foi passeio de vovozinhas. Foram homens, articulados, com discurso radicalizado contra a democracia. E por isso, devem ser responsabilizados.”
Para Bela, a preservação da memória dos horrores da ditadura é essencial para garantir que novos regimes totalitários não ganhem espaço novamente.
“A luta pela democracia tem que ser permanente e precisa estar nas escolas, nas universidades e nas ruas. O memorial do antigo DOPS é parte dessa construção.”
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