A partir de janeiro de 2025, Minas Gerais se tornará pioneiro no Brasil ao ampliar o teste do pezinho, permitindo a detecção de até 60 doenças em recém-nascidos. Atualmente, o exame identifica 23 condições, mas a mudança trará um salto significativo na triagem neonatal. O anúncio foi feito pelo governador Romeu Zema nesta segunda-feira (9), acompanhado da notícia de um investimento anual de R$ 64,2 milhões para custear exames, diagnósticos e tratamentos, beneficiando milhares de famílias no estado.
O avanço coloca Minas à frente no cumprimento da Lei Federal nº 14.154, que aprimorou o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN). Essa iniciativa, que já salva vidas ao prevenir sequelas graves, é uma das principais ferramentas do Sistema Único de Saúde (SUS) para cuidar da saúde de recém-nascidos.
Como o teste será ampliado
Realizado entre o terceiro e o quinto dia de vida, o exame é coletado em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e maternidades cadastradas. A amostra é enviada ao Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que processa cerca de mil testes por dia. O resultado fica disponível online e, em casos de alterações, os municípios são notificados para iniciar rapidamente o tratamento, quando necessário.
Com a ampliação, doenças metabólicas, genéticas e infecciosas serão identificadas precocemente, como a fenilcetonúria, fibrose cística, hipotireoidismo congênito e toxoplasmose congênita. Além disso, outras condições mais raras poderão ser diagnosticadas, oferecendo melhores chances de tratamento e qualidade de vida.
Impacto na saúde pública
Segundo o governador Zema, a triagem ampliada já está trazendo resultados positivos, salvando vidas e prevenindo sequelas irreversíveis. O investimento de R$ 64,2 milhões também cobrirá exames complementares e tratamentos especializados, garantindo que o programa seja abrangente e acessível para todas as famílias.
Atualmente, apenas 7% das crianças brasileiras passam pelo rastreamento ampliado de doenças raras, apesar de nascerem mais de 2 milhões de bebês por ano no país. A ampliação em Minas Gerais busca corrigir essa lacuna e se alinhar ao objetivo de oferecer saúde neonatal de excelência.
Por que essa ampliação é importante?
Doenças raras, muitas vezes associadas a fatores genéticos, ambientais e imunológicos, são difíceis de diagnosticar sem triagem adequada. Estima-se que existam mais de 5 mil tipos diferentes dessas condições. Identificar precocemente significa oferecer uma chance real de tratamento e evitar danos que impactam toda a vida do paciente.
Com o investimento do governo estadual e apoio de instituições como a UFMG, Minas Gerais estabelece um novo padrão de cuidado neonatal no Brasil, demonstrando que é possível integrar tecnologia, ciência e políticas públicas para transformar vidas desde os primeiros dias de existência.






