O GAECO, Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado, de Belo Horizonte, cumpriu 31 mandados de busca e apreensão durante a operação Fraus Omnia. Várias pessoas estão sendo investigadas por suspeita de formar uma quadrilha especializada em fraudar a emissão e a renovação de carteiras de habilitação. Um dos alvos da operação foi uma casa no bairro Icaraí, em Divinópolis.
Ao todo, 25 pessoas estão sendo investigadas. Cinco são policiais civis, incluindo três que já estão aposentados. O Ministério Público não divulgou qual o envolvimento da pessoa que mora em Divinópolis. Ao todo, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão. Além de Divinópolis, a ação aconteceu simultaneamente em Belo Horizonte, Contagem, Ribeirão das Neves, Betim, Ibirité, Lagoa Santa, Nova Lima e Itaobim. “Identificamos um esquema bastante robusto e complexo, que envolvia todas as etapas do processo de obtenção e renovação da CNH”, explica o promotor de justiça do Ministério Público, Peterson Queiroz Araújo.
De acordo com as investigações, além dos policiais civis, responsáveis por fraudar a emissão de documentos no Detran, o esquema envolvia donos e instrutores de autoescolas, e agenciadores de exames. Durante a operação foram apreendidos documentos, celulares e R$ 50 mil em dinheiro. O MP afirma que começou a acompanhar a quadrilha há cerca de dois anos após uma outra operação.
O Ministério Público afirma que, com a ajuda dos policiais civis, os outros membros da quadrilha conseguiam fazer a emissão de CNH´s legítimas. Não se tratava de um esquema de falsificação de documentos. Os clientes do grupo que não conseguiriam a carteira de habilitação segundo as normas, pessoas como analfabetas ou com doenças graves, que comprometeriam a direção. “Por exemplo, indivíduos com visão em apenas um dos olhos. Até mesmo pessoas que não queriam fazer a prova de legislação, por achar difícil”, complementa o promotor.
As investigações descobriram que as fraudes aconteciam tanto nas provas de legislação quanto nos exames médicos e de direção veicular. Os criminosos cobram de R$ 8 mil a R$ 10 mil reais para fraudar todas as etapas de emissão da CNH. Já se o esquema envolvesse apenas uma das fases, o preço girava em torno de R$ 3 mil.
O MP já conseguiu identificar várias pessoas que compravam as CNH´s fraudadas. Além disso, segundo o Ministério Público, “foram identificados pelo menos 40 acidentes de trânsito envolvendo beneficiários do esquema criminoso, sendo que em um desses acidentes uma mulher, passageira de um ônibus do transporte coletivo, teve sua perna amputada.”






