Os usuários do Pronto Socorro em Divinópolis já contam, desde o dia 1º de setembro, com o atendimento através da metodologia de trabalho do Protocolo de Manchester. Implementada inicialmente em Manchester, na Inglaterra, no ano de 1997, com aplicação em vários outros países, como Portugal, Suécia, Holanda e Espanha, e no Brasil sendo atualmente utilizado principalmente no estado de Minas Gerais, tem como objetivo estabelecer um tempo de espera pela atenção médica, e não de estabelecer um diagnóstico.
O método de trabalho consiste em identificar a queixa inicial, seguir o fluxograma de decisão e, por fim, estabelecer o tempo de espera, que varia conforme a gravidade. Esse tempo de atendimento é estabelecido através de cores: vermelho (emergente) tem atendimento imediato; laranja (muito urgente) prevê atendimento em dez minutos; amarelo (urgente), 60 minutos; verde (pouco urgente), 120 minutos; e azul (não urgente), 240 minutos.
De acordo com o diretor de Atenção à Urgência e Emergência, Maurício Couto da Silva, a utilização da metodologia do Protocolo de Manchester “vem de encontro a uma necessidade de se organizar a porta de entrada das urgências e emergências. Na verdade, já existe uma classificação de risco, mas essa especialmente é uma proposta inovadora, pois o usuário terá o conhecimento prévio de seu tempo de espera, em função da gravidade e do risco que apresenta naquele momento”, disse.
Esse processo de triagem pelo qual passa o paciente que procura o Pronto Socorro é precedido de um rigoroso treinamento, promovido pela Secretaria de Estado de Saúde. Quarenta profissionais que atuam na unidade em Divinópolis, entre médicos e enfermeiros, já fizeram o treinamento, e ainda segundo o diretor da unidade de saúde, no dia 24 de setembro devem passar pelo mesmo processo mais dez enfermeiros. “O treinamento tem um rigor específico, nem todos conseguem a certificação, e somente quem a recebe poderá produzir as ações da classificação de risco. Especialmente o enfermeiro é que vai oferecer esse atendimento, de primeira atenção ao usuário, quando vai aplicar técnicas de classificação de risco e avaliará os sintomas que o usuário apresenta, e com uma segurança científica poderá colocar o tempo de espera necessário para aquele caso”, explicou Maurício Couto.
Atendimento
O importante em relação à utilização do Protocolo de Manchester é que dá transparência quanto ao fluxo de usuários. É, ainda segundo o diretor da unidade, “uma organização que conseguimos na porta de entrada da urgência e emergência. Pudemos observar aqui, a partir de 1º de setembro, uma fluidez melhor em relação ao atendimento dos pacientes, pois a partir da implantação do Protocolo observamos um esvaziamento na questão da fila de espera; antigamente, havia um número exagerado de pessoas, hoje há um número bem menor”.
Outro ponto destacado pelo diretor da unidade, e que constantemente é motivo de queixa por parte dos usuários, diz respeito à dinâmica de atendimento, que não acontece pela ordem de chegada. “É grande a insatisfação de algumas pessoas que procuram o Pronto Socorro, mas a dinâmica de atendimento aqui é diferente dos demais lugares. O paciente que chega primeiro, nem sempre é o que vai ser atendido primeiro. Nós aqui classificamos conforme a gravidade e a atenção que tem de ser dada. Muitas vezes há uma incompreensão do público, porque acha que aqui é por ordem de chegada, e no serviço de urgência não pode se trabalhar dessa forma. Tem indivíduos que chegam aqui num estado mais grave, que requerem uma atenção mais rápida. É importante essa questão da cultura da população, de ter esse entendimento, de que exatamente quem tem a maior necessidade terá um atendimento de prioridade”, disse.
Sensibilização
Maurício Couto da Silva salientou sobre a importância de a comunidade entender o funcionamento do método que hoje é empregado. Para isso, no próximo dia 25 de setembro (a data será confirmada, devido à questão da gripe em Divinópolis), a Semusa irá promover uma sensibilização da população em relação ao protocolo de Manchester, com a presença de técnicos da Secretaria de Estado de Saúde, que irão explicar sobre a metodologia: como é empregada, por que, os seus benefícios; enfim, irão tirar as dúvidas dos usuários do serviço público de saúde.




