O departamento de enfermagem do hospital, explicou que, embora o processo seja o mesmo utilizado no pronto-socorro, o procedimento será diferente pelas características de atendimento do HSJD.
O Protocolo de Manchester no HSJD será utilizado somente nos casos de atendimentos de urgências
Entenda o que é o “Protocolo de Manchester”, por que foi criado, quem criou e o ambiente para negócio
A porta de entrada de um hospital, na maioria das vezes, é o pronto-socorro. Como uma espécie de ambulatório, o atendimento, que deveria ser destinado aos pacientes urgentes, acaba sendo um filtro entre o emergencial e o ambulatorial. Diante desta conjuntura, as instituições hospitalares brasileiras e do mundo inteiro começaram a sentir a necessidade de organizar uma forma de triagem do atendimento, como estratégia de contenção de custo e otimização da assistência médica.
Em 1998, o professor e médico Kevin Mackway-Jones criou o protocolo de Manchester, que funcionou como uma diretriz de classificação de urgência para todo o Reino Unido. O documento discrimina por meio de cores (vermelho, amarelo, verde e azul) o grau de gravidade do paciente, que é avaliado por perguntas-chave e classificado de forma objetiva por enfermeiros ou qualquer outro profissional gabaritado, que passa por uma auditoria.
Não se passou muito tempo e o modelo britânico migrou para Portugal, que, por sua vez, disseminou a idéia para o Brasil. Em 2003, o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, de Campinas, adotou o modelo do protocolo de Manchester, coordenado pela consultora de Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde, Adriana Mafra. Com uma média de atendimento de 12,3 mil consultas no pronto-socorro adulto, a instituição foi pioneira ao adotar a metodologia de classificação. “O uso da classificação de Manchester é confiável, porque a triagem que um enfermeiro faz é, em 85% dos casos, a mesma que um outro enfermeiro faz, pois o profissional é treinado para manusear o protocolo, que é passível de informatização. Assim, consigo fazer a classificação de risco em um minuto, o que diminui a espera por atendimento”, pontua Adriana. Com o resultado positivo, o modelo de classificação de risco foi apresentado em outras localidades do Brasil. A consultora também coordenou um projeto de emprego do protocolo de Manchester no pronto-socorro do Hospital Municipal Odilon Behrens, localizado em Minas Gerais. “No Odilon, o acolhimento por meio de classificação de risco já ocorria nas portas de entrada do pronto- socorro, com a explicação de como é feita a triagem e como se organizam as cores. É uma forma de conscientizar o paciente das gravidades e agir de forma ética”, explica a consultora. O método reduziu o número de internação da instituição de 1,2 mil para 500 por mês.
Depois dos projetos de classificação de risco na rede pública de Minas Gerais, o governo mineiro resolveu investir neste modelo. De acordo com Adriana, o poder público identificou o protocolo como uma importante ferramenta de gestão hospitalar.
Portanto, o Estado de Minas Gerais optou por utilizar o protocolo de Manchester informatizado da Alert, no qual são estabelecidos procedimentos operacionais capazes de realizar uma triagem dos pacientes que necessitam efetivamente de um pronto-atendimento, o que foge do tradicional modelo classificado pela ordem de chegada.
Com investimentos da ordem de R$ 48 milhões, o sistema de triagem da rede pública mineira alcançou seis mil pontos de emergências, o que engloba um total de 19 grandes hospitais. “Realizamos um processo de formação de equipes, agrupadas por especialidades, na qual os profissionais são treinados para a utilização dos softwares, de forma que o operador é induzido a triar o paciente da forma correta”, explica o diretor da Alert no Brasil, Luiz Marcos Brescia.
De acordo com o executivo, o uso do protocolo de Manchester deve se consolidar no Brasil nos próximos cinco anos. Já existe um Grupo Brasileiro de Classificação de Riscos, que se responsabiliza pela autorização do uso do protocolo, sua evolução e formação de profissionais dentro do País. “Não tenho dúvida de que o mercado vai se consolidar, porque o gerenciamento das urgências de uma forma padronizada permite uma economia de 20%, já que com uma estrutura bem definida é possível estabelecer a melhor forma de organizar uma equipe de trabalho, o que facilita o workflow”, acredita Brescia.
AMBIENTE PARA NEGÓCIOS
Com um faturamento de 23,6 milhões em 2007, a Alert projeta um crescimento nas receitas arrojado. “Queremos alcançar a faixa de 50 milhões neste ano, por conta dos projetos que estamos estudando em outros Estados brasileiros”, antecipa o diretor.
Segundo Brescia, o ambiente hospitalar no País está propício a investimentos neste segmento. “Com a questão da falta de recursos, as instituições – inclusive as públicas – buscam formas eficientes de lidar com a assistência e o protocolo permite que haja um uso inteligente dos recursos humanos e financeiros, o que melhora o atendimento do paciente nos final das contas”, diz.
A InterSystems também está ingressando no mercado nacional com um módulo de triagem de emergências. “Nos projetos de implementação de sistemas hospitalares pelo mundo afora, como prontuários eletrônicos, nos deparamos com o Protocolo de Manchester manual, O que fizemos foi nos basear naqueles conceitos para criar uma forma rápida de triagem, que garantisse a qualidade clínica deste processo. Transformamos esta solução em um módulo integrante do sistema de gestão hospitalar”, explica o diretor de negócios e saúde da InterSystems, Fernando Vogt.
Com projetos em dois hospitais no exterior, a empresa quer agora ingressar no mercado brasileiro. Ao todo, 17 hospitais do Distrito Federal adotarão o módulo. A primeira instituição será o Hospital Samambaia, do Distrito Federal, em Brasília. O processo de utilização do protocolo de risco terá início ainda neste mês de julho. De acordo com Vogt, o protocolo não será idêntico ao de Manchester, pois o modelo britânico não é capaz de captar informações sociais do paciente, dado que é de suma relevância no sistema de saúde brasileiro, “As perguntas das diretrizes de Manchester não devem ser as mesmas no Brasil, pois são realidades distintas”, argumenta.
Como Brasília já possui toda a rede pública de saúde informatizada por meio de prontuários eletrônicos, o executivo acredita que os benefícios do uso de uma classificação de urgências serão mais visíveis. “Diminuir as filas no sistema de saúde pública brasileiro é um desafio do Governo Federal, em que é necessário o aprofundamento da gestão do paciente, dos exames, dos medicamentos, dos leitos hospitalares e de UTI, o que é preconizado no protocolo de classificação de risco. Sabe-se que a triagem traz agilidade no atendimento, com aumento da qualidade e acuracidade de registro clínico. Isso diminui o tempo de espera e conseqüentemente o risco de agravamento”, acredita Vogt.
Fonte de informações: InterSystem do Brasil





