Vários estudantes estavam presentes, falaram sobre sua indignação demonstrando preocupação quanto ao futuro do curso. O Diretor Geral Eduardo Sergio da Silva e a coordenadora do curso de medicina Cláudia de Lourenzo, explicaram aos alunos o porquê do atraso na entrega das obras.
Promessa
Pedro Bretas, estudante do 4º período de medicina e diretor do CA, disse que em dezembro ficou registrado na ata do Conselho Universitário o acordo feito entre os alunos e a universidade, resultado de uma greve realizada naquela época, quando a UFSJ se comprometeu a entregar em 12/06/09 a construção dos prédios.
Entretanto, somente 6 salas de aulas foram entregues. Ele fez questão de deixar claro que “nós estamos evoluindo, sabemos que estamos evoluindo. Temos um bom curso, bons professores, bom currículo, mas estamos preocupados com os prazos, com o futuro no nosso curso”, afinal foi feito um acordo que não foi cumprido.
Durante a manifestação o aluno do 4º período de medicina, Bernardo Vieira Goulart, disse que “não estamos aqui para reivindicar, mas para estudar, estamos reivindicando porque temos problemas”. E ainda completa dizendo que: “é difícil se preocupar com movimentos estudantis e ainda ter que estudar”.
Os estudantes presentes demonstraram que não concordavam com a questão do acordo feito e não cumprido e isso os preocupava na medida em que não sabia o que esperar da direção, vez que isso demonstrava falta de comprometimento.
Outro ponto que os alunos consideraram na manifestação foi a importância da participação estudantil para reivindicar mudanças para seu próprio benefício, nesse sentido eles disseram que, quando a universidade iniciou as aulas não tinham cadáveres e com a manifestação deles foi possível fazer com que a universidade estruturasse um laboratório de anatomia para estudo em cadáveres. E finalizaram a manifestação dizendo todos “estudantes que ousam lutar constroem o poder popular”
Em resposta o Diretor, Eduardo Sergio, e a Diretora Adjunta, Heloiza Rennó, disseram que em universidade pública as pessoas têm direito a falar e reivindicar. Ademais, explicaram que as construtoras pediram para adiar as obras e assim eles concordaram desde que no início das aulas as seis salas necessárias estivessem prontas.
Na universidade hoje há doze turmas estudando e 12 salas funcionando, o que supre a necessidade dos alunos e não compromete o ensino e a educação de nenhum curso. Todos os laboratórios estão fisicamente prontos, faltando maquinário e materiais necessários para seu devido funcionamento.
A Diretora Adjunta disse que esse é um presente para a cidade e região e que as pessoas devem entender que esse é processo de construção em que todos participam, a universidade nasceu junto com os alunos e por isso as pessoas que entraram nesse processo devem entender que a universidade está construção.
Outro ponto abordado pelos diretores foi a questão da necessidade de licitação e outras medidas legais cabíveis para a compra dos materiais necessários para equipar os laboratórios, e isso demanda tempo, mas que os laboratórios essenciais para as aulas de cada curso já estão prontos e em funcionamento.
Cadáveres
Sobre a questão abordada pelos alunos com relação aos cadáveres, os diretores disseram que é um processo demorado e que envolve muita discussão ética porque não é possível encontrar cadáver para fins de estudo com facilidade, depende de doação e nenhum cadáver com morte violenta pode ser usado para fins educacionais.
O que se pretende é montar um serviço de verificação de óbito que contará com a participação de várias cidades da região com o objetivo de definir a causa mortis de quem morre em casa, por exemplo. Complementaram, ainda, dizendo que a falta de cadáver não inviabiliza o estudo, mas para isso depende de uma série de fatores e que os alunos estavam cientes de que esse processo demoraria e provavelmente não seria para essa primeira turma.
O que ocorre é que, na opinião dos diretores e dos técnicos de laboratório de anatomia e habilidades práticas, os cadáveres não são essenciais ao ensino vez que a tecnologia, hoje, permite um aprendizado com simulador de paciente, um boneco que simula complicações orgânicas, respiração, sons cardíacos, entre outros movimentos necessários ao aprendizado das habilidades práticas do médico e do enfermeiro. Modelo esse que tem sido utilizado em vários lugares do mundo, como Inglaterra e Estados Unidos. O que é necessário, para eles, é uma mudança da cultura tradicionalista.
Hoje a universidade tem setenta e cinco professores, sendo que o quadro final deverá ter cento e quarenta e quatro. Os cursos oferecidos são Bioquímica, Farmácia, Enfermagem e Medicina.
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