“Sai do Rio, vem morar em Divinópolis, aqui é seguro!”: aniversariante elogia cidade sem saber que minutos antes houve um ataque a tiros perto do bar onde estava

O COTIDIANO E SUAS IRONIAS | Um aniversário, telefonemas de parentes do Rio de Janeiro, uma declaração de amor à tranquilidade de Divinópolis e três viaturas policiais estacionadas diante de um restaurante. Tudo parecia absolutamente normal, até que uma notícia recebida em casa revelou que o aniversariante havia passado a noite elogiando a segurança de uma cidade onde, minutos antes, um homem escapara de um ataque a tiros.

Publicado por: Geraldo Passos

Há situações na vida que parecem ter sido escritas por um roteirista de comédias, desses que exageram tanto nas coincidências que acabam perdendo a credibilidade. Mas o cotidiano, especialmente o cotidiano de Divinópolis, às vezes consegue superar a ficção. Na noite da última sexta-feira (6), um casal saiu de casa para comemorar o aniversário do marido. O programa era simples: encontrar outro casal, escolher um bar agradável, conversar, brindar à vida e aproveitar algumas horas de descontração. Nada de extraordinário, até porque ninguém costuma sair para comemorar aniversário esperando encontrar, no caminho, o cenário de uma ocorrência policial.

O calor mudou os planos e levou a comemoração para o Bom Pastor

A primeira parada foi em um estabelecimento na região da Rua Minas Gerais. O ambiente, entretanto, estava quente demais para uma comemoração que prometia ser agradável. Os dois casais decidiram procurar outro local. Acabaram escolhendo o Espettus na região do Bom Pastor, já conhecido pelo aniversariante e pela esposa. Ali, o clima estava melhor, o ambiente mais confortável e tudo indicava que a noite seguiria sem acontecimentos dignos de nota, como tantas outras da vida noturna divinopolitana.

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Era também uma noite de muitos telefonemas. Afinal, aniversário tem essa particularidade de transformar o celular em uma espécie de central de atendimento familiar. Parentes do Rio de Janeiro ligavam para cumprimentar o aniversariante, desejar felicidades e saber como andavam as coisas em Minas Gerais. O homem, bastante satisfeito com a vida em Divinópolis, aproveitava cada ligação para fazer uma verdadeira propaganda da cidade.

Divinópolis, o paraíso da segurança pública

Do outro lado da linha, parentes cariocas ouviam maravilhados os relatos daquele familiar que parecia ter encontrado o endereço da paz. Segundo ele, Divinópolis era uma cidade tranquila, onde se podia andar pelas ruas conversando ao celular sem medo de assaltos, sem preocupação com balas perdidas e sem o receio de encontrar operações policiais violentas, como aquelas que frequentemente aparecem no noticiário do Rio de Janeiro.

O entusiasmo era tão grande que o aniversariante praticamente inaugurou uma campanha de incentivo à mudança de endereço. Convidou os parentes a conhecer Divinópolis e até sugeriu que viessem morar na cidade. Afinal, por que continuar enfrentando os problemas de segurança de uma grande metrópole quando existia, no Centro-Oeste de Minas, aquele verdadeiro oásis de tranquilidade? A descrição parecia propaganda institucional do interior de Minas, com direito a garantia verbal de sossego.

Os parentes se encantavam. E o aniversariante, cada vez mais convencido de que fizera uma excelente escolha ao morar em Divinópolis, seguia distribuindo elogios à segurança local.

Só que não!

Três viaturas e uma pergunta aparentemente inocente

Quando os casais chegaram à região do bar, o aniversariante percebeu uma viatura da Polícia Militar estacionada nas proximidades do restaurante Squema, na Rua Itamarandiba. Não deu muita importância. Afinal, policiais também circulam por regiões de bares e restaurantes, e uma viatura parada não representa necessariamente qualquer situação extraordinária.

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Entretanto, enquanto conversava e atendia às ligações, percebeu que a movimentação policial se prolongava. Da mesa onde estava, conseguia observar o local. A curiosidade começou a disputar espaço com a comemoração. Foi quando surgiu uma hipótese que, naquele momento, lhe pareceu perfeitamente plausível: será que o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, estava jantando no restaurante e os policiais faziam sua segurança?

A ideia não era completamente absurda. Cleitinho é de Divinópolis, e a presença de uma autoridade política poderia explicar uma movimentação diferente nas proximidades de um restaurante. Mas, quando o aniversariante resolveu se aproximar, percebeu que não havia apenas uma viatura. Eram três.

Na cabeça dele, a hipótese começou a perder força. Seria mesmo necessário mobilizar três viaturas para acompanhar um governador eleito durante um jantar? Provavelmente não. Ainda assim, a curiosidade venceu.

O jornalista que não estava trabalhando, mas continuava sendo jornalista

Há profissões das quais as pessoas conseguem se desligar quando encerram o expediente. Outras parecem acompanhar seus profissionais mesmo durante aniversários, férias e reuniões familiares. Jornalismo é uma delas. O aniversariante não estava oficialmente trabalhando, mas carregava consigo aquela curiosidade quase inevitável de quem passou boa parte da vida fazendo perguntas.

Aproximou-se dos policiais, identificou-se e perguntou educadamente se o governador eleito Cleitinho estava no restaurante com a família e se aquelas viaturas realizavam sua escolta.

A resposta foi negativa. Uma policial chegou a sorrir diante da pergunta. Outro militar, com expressão tranquila, também esclareceu que não se tratava de escolta. Um terceiro permaneceu com semblante fechado, aparentemente pouco interessado em prolongar a conversa com o cidadão curioso que resolvera interromper sua comemoração de aniversário para fazer uma pergunta.

Sem insistir, o aniversariante agradeceu, voltou para a mesa e retomou para as comemorações. Não imaginava que estava a poucos metros do cenário de uma ocorrência que mobilizara a Polícia Militar mineira e que, naquela mesma noite, poderia ter terminado em tragédia.

A notícia chegou depois da festa

A comemoração terminou sem sustos. Os casais voltaram para casa e tudo parecia ter transcorrido dentro da normalidade. Até que uma prima do aniversariante lhe passou uma informação capaz de transformar toda a história em uma daquelas ironias difíceis de acreditar.

Minutos antes de eles chegarem à região do Bom Pastor, um homem havia efetuado disparos de arma de fogo na Rua Itamarandiba, nas proximidades de uma loja de conveniência situada diante do restaurante Squema. Conforme os relatos recebidos, os tiros teriam sido direcionados a outro homem, que conseguiu escapar.

O local estava movimentado naquela noite de sexta-feira, período em que bares e restaurantes costumam receber grande quantidade de frequentadores. Segundo testemunhas, ninguém foi atingido. O episódio, tratado como suspeita de tentativa de homicídio, passou a integrar as ocorrências policiais locais, embora a intenção do autor e a dinâmica completa dos disparos ainda dependam da investigação.

O mais espantoso é que o aniversariante passou boa parte da noite a poucos metros de onde tudo havia acontecido, conversando tranquilamente pelo celular com parentes do Rio de Janeiro e garantindo que Divinópolis era praticamente um santuário de segurança.

Testemunha conta que precisou chamar a polícia

Um áudio encaminhado ao Divinews por uma testemunha que estava nas proximidades ajuda a reconstruir os acontecimentos. A mulher relatou que se encontrava no Bikus, estabelecimento da região, quando os disparos ocorreram. Segundo ela, foi a própria testemunha quem acionou a Polícia Militar após perceber que os policiais ainda não haviam chegado.

“Quem chamou a polícia fui eu”, afirmou no relato. A mulher explicou que aguardou aproximadamente cinco a dez minutos e, como não viu a chegada das viaturas, decidiu telefonar. Segundo ela, inicialmente foi informada de que não havia registro da ocorrência, motivo pelo qual pediu o envio de uma equipe.

A testemunha também contou que a região possui câmeras de segurança instaladas em estabelecimentos comerciais e residências. As imagens teriam sido recolhidas e apresentadas aos policiais por um familiar. Segundo o relato, os militares permaneceram nas proximidades por aproximadamente 40 minutos a uma hora, realizando os primeiros procedimentos relacionados aos disparos de arma registrados na via pública.

Tiros atingiram estabelecimento e carro próximo ao restaurante

Outro detalhe relatado pela testemunha reforça a gravidade do episódio. Segundo ela, um dos disparos teria atingido a loja de sua irmã, enquanto outro teria acertado de raspão um veículo pertencente a uma funcionária do restaurante Squema. A informação é baseada no depoimento encaminhado ao Divinews e não substitui a avaliação pericial sobre os danos.

A mulher também afirmou que imagens de segurança mostram uma pessoa em uma motocicleta passando pela calçada em frente à residência de sua mãe, aparentemente durante a fuga. A descrição é compatível com informações divulgadas sobre um motociclista que circulou em alta velocidade pela calçada após os tiros.

O registro policial divulgado neste sábado (7) informa que os disparos ocorreram por volta das 20h39. Segundo os dados da ocorrência, uma pessoa em um Fiat Palio Weekend prata, com vidros escuros, teria efetuado tiros nas proximidades do estabelecimento comercial. A perícia da Polícia Civil recolheu três cápsulas deflagradas. O veículo e o motociclista não haviam sido localizados até a divulgação das primeiras informações, e não houve confirmação de feridos.

A ocorrência será investigada para esclarecer quem atirou, qual era o alvo e o que motivou o ataque. O registro alimenta a preocupação com a segurança nos bairros e a exposição de frequentadores de estabelecimentos comerciais a episódios de violência.

O aniversariante descobriu que o paraíso quase virou cenário de tragédia

A essa altura, a ironia estava completa. Enquanto policiais examinavam o local onde tiros haviam sido disparados, o aniversariante seguia sua noite a poucos metros dali, sem a menor ideia do que acontecera. Mais do que isso, atendia parentes cariocas e exaltava as vantagens de morar em uma cidade onde, segundo sua avaliação entusiasmada, era possível conversar ao celular sem receio de violência.

E ainda chegou a perguntar aos policiais se estavam fazendo escolta para o governador eleito!

Quando soube da verdadeira razão da presença das três viaturas, não conseguiu conter o riso diante da própria ingenuidade. A esposa também se divertiu com a situação. Os dois passaram a relembrar as ligações, os elogios à tranquilidade divinopolitana e os convites feitos aos parentes para que viessem morar naquele suposto refúgio de paz.

O riso, evidentemente, não era pela ocorrência policial, muito menos pelo risco enfrentado por pessoas que estavam no local dos disparos. Era pela contradição quase inacreditável entre o discurso do aniversariante e o que havia acontecido poucos minutos antes, praticamente diante de seus olhos, embora ele nada tivesse percebido.

Entre a gargalhada e o susto, uma reflexão sobre Divinópolis

A história tem um lado engraçado porque revela como a percepção de segurança pode ser profundamente diferente da realidade que se desenrola a poucos metros de distância. O aniversariante não inventou suas experiências positivas com Divinópolis. Apenas não sabia que, naquela noite, enquanto apresentava a cidade aos parentes como um exemplo de tranquilidade, outras pessoas ainda estavam assustadas com tiros disparados em uma região movimentada.

Uma única ocorrência não define toda a situação da segurança pública de Divinópolis, assim como a sensação de tranquilidade de um morador não apaga episódios de violência. O que a história mostra é como essas duas realidades podem conviver, por vezes separadas apenas por uma esquina, uma porta de restaurante ou alguns minutos.

No fim, a sexta-feira terminou com aniversário comemorado, familiares convidados a se mudar, três viaturas devidamente observadas e uma história que certamente ainda renderá muitas gargalhadas nas próximas reuniões de família.

Afinal, entre os parabéns, os brindes e os telefonemas, o aniversariante acabou descobrindo que sua cidade podia até ser muito mais tranquila do que os parentes imaginavam.

Mas que, naquela noite, o paraíso da segurança tinha acabado de receber uma visita bastante inconveniente da realidade.

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Nota de transparência: Esse texto  contou com o auxílio de IA na sua organização e estruturação, mas, sob orientação e revisão editorial do Divinews.

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