Às vésperas dos 11 anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), passa a ser alvo de uma cobrança pública dos atingidos pela tragédia. Conforme informações da assessoria do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), representantes das comunidades entregarão à equipe de transição documentos com reivindicações relacionadas ao Novo Acordo Rio Doce. A mobilização coloca diante do futuro governador pendências que atravessam a administração de Romeu Zema e Mateus Simões e que precisarão ser enfrentadas pela próxima gestão estadual
O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, completa 11 anos nesta quinta-feira (5 de novembro), deixando uma história marcada por 19 mortes, comunidades destruídas e milhares de pessoas afetadas. Mesmo após mais de uma década, moradores da bacia do Rio Doce continuam reivindicando reparação integral pelos danos provocados pela tragédia. Para marcar a data, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) promove, entre os dias 4 e 6 de novembro, uma jornada de mobilizações em diferentes cidades mineiras, com atividades de memória, manifestações e reuniões com autoridades.
Tragédia de Mariana deixou 19 mortos e destruiu comunidades
Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, pertencente à Samarco, empresa controlada pela Vale e pela BHP, provocou um dos maiores desastres socioambientais da história brasileira. Milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração atingiram comunidades, destruíram o distrito de Bento Rodrigues e percorreram mais de 600 quilômetros pela bacia do Rio Doce, chegando ao oceano Atlântico, no Espírito Santo. O desastre comprometeu fontes de abastecimento, atividades econômicas, ecossistemas e a sobrevivência de famílias que dependiam diretamente do rio.
Passados 11 anos, as consequências permanecem no centro das discussões sobre responsabilidade em Minas, recuperação ambiental e direitos das populações atingidas. Para as comunidades mobilizadas, o pagamento de indenizações não representa, isoladamente, a reparação de todos os prejuízos. A reconstrução das condições de vida, a recuperação dos territórios, o acesso à saúde e a participação das vítimas nas decisões continuam entre as reivindicações apresentadas pelo movimento.
Atingidos vão cobrar compromissos do governo Cleitinho
Um dos principais pontos da mobilização será a entrega de documentos à equipe de transição do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, do Republicanos. Os representantes das comunidades pretendem apresentar reivindicações relacionadas ao Novo Acordo Rio Doce e cobrar compromissos da futura administração estadual. A iniciativa também coloca a política de Minas no centro das discussões sobre a aplicação dos recursos e a responsabilidade do poder público na execução das medidas reparatórias.
A cobrança se estende ao Governo Federal, que deverá participar de uma reunião com representantes dos atingidos na comunidade quilombola Vila Santa Efigênia, em Mariana. Segundo o MAB, a presença das autoridades é considerada fundamental para discutir o cumprimento dos compromissos assumidos pelas instituições responsáveis pela reparação. O movimento defende maior transparência, participação popular e mecanismos de acompanhamento que permitam às comunidades fiscalizar os resultados das ações anunciadas.
Novo acordo prevê R$ 170 bilhões para reparação
O documento foi assinado em outubro de 2024 e homologado pelo Supremo Tribunal Federal em novembro do mesmo ano, estabelece um conjunto de medidas que totalizam R$ 170 bilhões. Desse montante, R$ 38 bilhões correspondem a valores anteriormente executados pelas empresas, enquanto R$ 132 bilhões integram as obrigações financeiras previstas na repactuação. Entre as destinações estão indenizações, recuperação ambiental, investimentos em saúde, infraestrutura e medidas para reconstrução das condições socioeconômicas das regiões atingidas.
O texto também modificou a estrutura de execução das ações reparatórias, com a extinção da Fundação Renova e a ampliação das responsabilidades da União, dos estados e dos municípios. Apesar da dimensão financeira, o MAB sustenta que a efetividade das medidas depende da participação direta das comunidades. O assunto permanece relevante para o cenário político mineiro, especialmente diante da mudança de governo estadual e das responsabilidades administrativas previstas para os próximos anos.
Mobilização reúne comunidades de outras regiões
Além dos atingidos pela tragédia de Mariana, a jornada contará com representantes da bacia do Rio Paraopeba e de comunidades afetadas pela mineração em Itatiaiuçu e Congonhas. A participação desses grupos amplia o debate sobre segurança de barragens, fiscalização e reparação de danos em diferentes regiões mineiras. A presença de moradores de outros territórios também pretende fortalecer a articulação entre comunidades que enfrentam consequências ambientais, econômicas e sociais relacionadas à atividade mineradora.
A programação inclui atividades na Região Central, no Vale do Rio Doce e em Belo Horizonte, envolvendo debates com representantes públicos, ações simbólicas e manifestações. O encontro na Assembleia Legislativa de Minas Gerais dará visibilidade às reivindicações junto ao poder público estadual, enquanto a caminhada programada para a capital deverá reunir participantes em defesa da reparação integral. A mobilização também se insere nas discussões sobre direitos da população e responsabilidades institucionais.
Confira a programação dos três dias de mobilização
Quarta-feira, 4 de novembro
Das 7h às 10h, está prevista a entrega de mudas nativas personalizadas aos usuários da MG-262, na Escola Família Agrícola Paulo Freire, localizada na comunidade de Boa Cama, em Acaiaca. A atividade integra as ações simbólicas de memória e recuperação ambiental.
Quinta-feira, 5 de novembro
- 9h: evento “11 anos da morte do Rio Doce”, em Governador Valadares.
- 10h: homenagem às vítimas no território original de Bento Rodrigues, em Mariana.
- 18h: reunião com representantes do Governo Federal na comunidade quilombola Vila Santa Efigênia, em Mariana.
- 19h: encontro com a juventude e grupo de hip-hop no bairro Santo Antônio, em Mariana.
- 19h: solenidade sobre a reparação do Rio Doce na Câmara Municipal de Belo Horizonte, em parceria com a vereadora Luiza Dulci.
Sexta-feira, 6 de novembro
- 9h: encontro “Atingidos e atingidas na Bacia do Rio Doce: 11 anos de luta por soberania, reparação e direitos!”, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte.
- 14h: caminhada pela soberania, reparação integral e direitos, também na capital mineira.
Onze anos depois, reparação continua no centro das reivindicações
A passagem dos 11 anos do rompimento da barragem de Fundão reforça a discussão sobre os efeitos prolongados de grandes desastres ambientais. Para as comunidades atingidas, a reconstrução vai além das indenizações financeiras e exige condições para recuperar atividades econômicas, vínculos comunitários e formas de subsistência. O tema também envolve fiscalização dos governos e acompanhamento das obrigações assumidas pelas empresas e instituições públicas responsáveis.
A mobilização ocorre em um momento de transição na administração estadual mineira e de execução do novo modelo de reparação. A expectativa dos organizadores é ampliar o diálogo com as instituições e levar as reivindicações diretamente aos responsáveis pelas decisões. Onze anos depois, as comunidades reafirmam a cobrança por medidas concretas capazes de responder aos prejuízos acumulados e assegurar os direitos das famílias atingidas.
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Nota de transparência: Esta matéria contou com o auxílio de IA na organização e estruturação do conteúdo, sob orientação e revisão editorial do Divinews.






