Divinópolis: Gleidson Azevedo, deputado federal eleito com base em Divinópolis diz que Câmaras de Vereadores não deveriam existir e erra conta básica de matemática

Ao defender a extinção das câmaras municipais, o deputado federal eleito com base em Divinópolis, o irmão do governador eleito de Minas Gerais, e assim tem sido eleito sucessivamente, afirmou que 6% de R$ 100 milhões equivalem a R$ 60 milhões. O cálculo correto é R$ 6 milhões. Declaração motivou críticas à precisão dos argumentos utilizados pelo ex-prefeito de Divinópolis.

Publicado por: Geraldo Passos

O deputado federal eleito Gleidson Azevedo (Republicanos), ex-prefeito de Divinópolis e irmão do governador eleito Cleitinho Azevedo, cometeu um erro elementar de matemática durante entrevista concedida à Rádio Itatiaia, na quinta-feira (29). Ao defender a extinção de todas as câmaras municipais do Brasil, Gleidson tentou demonstrar quanto uma prefeitura repassaria ao Legislativo e afirmou que 6% de uma arrecadação hipotética de R$ 100 milhões corresponderiam a R$ 60 milhões. O valor correto, entretanto, é R$ 6 milhões. A declaração abre espaço para críticas à precisão dos argumentos utilizados pelo futuro parlamentar para justificar uma proposta de tamanha repercussão institucional.

Gleidson erra cálculo ao explicar repasses às câmaras

O episódio ocorreu quando Gleidson criticava o chamado duodécimo, mecanismo constitucional que garante os recursos destinados ao funcionamento do Poder Legislativo.

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Durante a explicação, o ex-prefeito utilizou Divinópolis como exemplo e apresentou uma arrecadação hipotética de R$ 100 milhões.

Na transcrição da entrevista, ele afirmou que um repasse de aproximadamente 6% representaria R$ 60 milhões.

Mas a matemática apresenta outro resultado. Seis por cento de R$ 100 milhões são R$ 6 milhões. A diferença entre o valor mencionado e o cálculo correto chega a R$ 54 milhões.

Em outras palavras, Gleidson multiplicou por dez o resultado da operação utilizada para sustentar sua crítica aos custos das câmaras.

O erro chama ainda mais atenção porque partiu de um ex-chefe do Executivo municipal que administrou o orçamento de Divinópolis e agora se prepara para participar das discussões sobre as contas públicas federais.

Repercussão abre espaço para ironias sobre matemática básica

A declaração também se tornou um prato cheio para críticas e ironias no ambiente político.

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Entre as reações relatadas ao Divinews estão comentários sugerindo que o deputado eleito deveria voltar aos bancos escolares para revisar conteúdos como tabuada, regra de três e proporção.

A provocação tem origem em uma conta que pode ser resolvida por uma operação simples: para encontrar 6% de R$ 100 milhões, basta multiplicar o valor por 0,06.

A resposta é R$ 6 milhões, independentemente da posição política de quem realiza o cálculo.

O episódio poderia ser tratado apenas como um deslize verbal. Entretanto, ganha outra dimensão porque o parlamentar utilizou o número durante uma argumentação sobre gastos públicos e sobre a própria existência dos legislativos municipais.

Valor do duodécimo também exige explicação correta

A discussão não termina no erro aritmético.

O artigo 29-A da Constituição Federal estabelece limites de despesas para as câmaras municipais conforme a população de cada município.

No caso de cidades com população entre 100 mil e 300 mil habitantes, o teto constitucional é de 6% sobre uma base de receitas definida pela própria Constituição, considerando a arrecadação e determinadas transferências do exercício anterior.

Isso não significa que qualquer município dessa faixa populacional seja obrigado a repassar exatamente 6% de toda a sua arrecadação anual.

O percentual corresponde a um limite de despesas, e não a uma cobrança automática sobre tudo aquilo que entra nos cofres municipais.

Portanto, além da multiplicação equivocada, a explicação apresentada pelo deputado eleito simplificou uma regra orçamentária que possui critérios específicos.

Deputado quer extinguir câmaras e acabar com emendas parlamentares

A entrevista à Itatiaia teve repercussão principalmente pela proposta de Gleidson de extinguir as câmaras municipais em todo o país.

O deputado eleito argumentou que os vereadores pouco contribuem para a população e sugeriu a criação de estruturas técnicas semelhantes a tribunais de contas para fiscalizar as prefeituras.

A proposta encontra obstáculos na Constituição Federal, que estabelece a existência do Legislativo municipal e atribui às câmaras a fiscalização dos atos do Executivo.

Gleidson também defendeu acabar com as emendas parlamentares, argumentando que a distribuição dos recursos deveria ficar sob responsabilidade dos governos.

As duas propostas envolvem mudanças na organização do poder público e precisam ser analisadas sob aspectos jurídicos, administrativos e financeiros.

Nesse contexto, a precisão dos dados utilizados para defendê-las deixa de ser um detalhe.

Erro matemático não encerra debate sobre gastos públicos

Questionar os custos das câmaras, os benefícios dos parlamentares e a destinação das emendas é legítimo. A população tem o direito de cobrar transparência e eficiência na aplicação do dinheiro público.

Contudo, uma proposta que pretende eliminar uma instituição prevista na Constituição exige argumentos consistentes, dados corretos e demonstração de seus efeitos sobre a fiscalização dos governos.

O erro de Gleidson não invalida automaticamente todas as críticas que ele faz às despesas legislativas. Mas compromete a credibilidade daquele exemplo específico, principalmente porque a diferença não foi pequena.

Eleito deputado federal com 126.248 votos, Gleidson Azevedo assumirá o mandato em fevereiro de 2027 e terá entre suas atribuições discutir leis, fiscalizar o Executivo e analisar a destinação dos recursos federais.

Se levar adiante a proposta de extinguir as câmaras municipais, precisará demonstrar, com números e fundamentos jurídicos, como pretende reduzir gastos sem comprometer a representação política da população. O exemplo dos R$ 100 milhões deixou uma lição simples: antes de discutir a extinção de um Poder, convém conferir a conta.

 

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