Convidado para a equipe de transição de Cleitinho, João Paulo, presidente da UV Minas cobra reação à fala de Gleidson contra vereadores

Vereador de Lavras e presidente da União dos Vereadores de Minas Gerais, João Paulo Felizardo, havia anunciado ter sido convidado para participar da transição estadual e criar um canal de diálogo com os legislativos; Agora, a entidade cobra manifestação da ABRACAM sobre a proposta de extinguir as câmaras e as emendas parlamentares.

Publicado por: Geraldo Passos

As declarações do deputado federal eleito Gleidson Azevedo (Republicanos), ex-prefeito de Divinópolis e irmão gêmeo do governador eleito Cleitinho Azevedo, produziram uma situação politicamente delicada dentro do próprio grupo que se organiza para assumir o governo de Minas Gerais. A União dos Vereadores de Minas Gerais (UV Minas), presidida pelo vereador de Lavras João Paulo Felizardo, passou a cobrar um posicionamento da Associação Brasileira de Câmaras Municipais (ABRACAM) sobre a proposta de Gleidson de extinguir os legislativos municipais e acabar com as emendas parlamentares. A reação ganha significado porque, poucos dias depois da vitória de Cleitinho no primeiro turno, João Paulo anunciou publicamente que havia sido convidado a participar da equipe de transição do futuro governo estadual, justamente para representar os vereadores mineiros.

Presidente da UV Minas anunciou convite para transição de Cleitinho

Após as eleições de outubro, João Paulo Felizardo divulgou em suas redes sociais uma publicação anunciando que havia sido convidado para integrar a comissão de transição do governo de Cleitinho Azevedo.

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A publicação trouxe como destaque a informação de que o parlamentar representaria os vereadores de Minas Gerais na organização da futura administração estadual.

Segundo o texto divulgado, João Paulo atuaria ao lado de outras lideranças na criação do chamado Espaço do Parlamentar, estrutura destinada a receber demandas dos municípios encaminhadas por vereadores de diferentes regiões do estado.

A proposta anunciada tinha como objetivo aproximar o futuro governo das necessidades apresentadas pelos representantes municipais.

A publicação também destacava a disposição da UV Minas de apoiar o governo de Cleitinho e do vice-governador eleito Luís Eduardo Falcão.

João Paulo, que exerce seu quarto mandato como vereador de Lavras, foi apresentado como cientista político, estudante de Direito, empresário e ex-assessor especial dos Direitos da Juventude.

O anúncio previa ainda uma agenda em Belo Horizonte para encontros com lideranças e participação nas articulações da futura base governista na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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A informação sobre o convite foi divulgada em 11 de outubro, mas a publicação, isoladamente, não comprova a formalização de sua nomeação para a comissão oficial de transição.

Proposta de Gleidson cria situação delicada para representante dos vereadores

É justamente a partir desse histórico que a manifestação da UV Minas assume maior relevância política.

De um lado, João Paulo anunciou aproximação com a futura administração estadual, defendendo a criação de um espaço institucional para que vereadores possam apresentar reivindicações de seus municípios.

De outro, Gleidson Azevedo, irmão gêmeo do governador eleito e também integrante das articulações políticas do novo governo, declarou publicamente que pretende defender no Congresso Nacional a extinção de todas as câmaras municipais do Brasil.

A proposta, se concretizada, eliminaria justamente os cargos ocupados pelos parlamentares que João Paulo afirma representar.

A divergência é evidente entre as duas posições anunciadas, embora não exista comprovação de que a proposta de Gleidson tenha sido discutida ou aprovada pela equipe de Cleitinho.

Também não há declaração pública do governador eleito indicando que a extinção das câmaras faça parte de seu programa de governo.

Ainda assim, a situação coloca em evidência uma questão política: como será construída a relação do futuro governo estadual com os vereadores mineiros diante de uma proposta dessa natureza apresentada pelo próprio irmão do governador eleito?

União dos Vereadores aciona ABRACAM e cobra providências

A reação da UV Minas foi apresentada em uma solicitação de posicionamento institucional dirigida à Associação Brasileira de Câmaras Municipais, aos cuidados de seu presidente nacional, Rogério Rodrigues da Silva.

A mensagem, compartilhada em um grupo de representantes municipais, faz referência às declarações de Gleidson e afirma que suas propostas atingem diretamente a estrutura e a atuação do Poder Legislativo.

O documento destaca a importância das emendas parlamentares para a destinação de recursos públicos às necessidades dos municípios e da população.

A solicitação pede que a entidade nacional se manifeste sobre o assunto e esclareça quais medidas pretende adotar diante das declarações do deputado eleito.

A iniciativa representa uma cobrança por reação institucional em defesa das prerrogativas dos vereadores, especialmente em um momento em que o funcionamento das câmaras municipais passou a ser questionado publicamente.

O Divinews teve acesso à imagem da solicitação compartilhada no grupo. O trecho apresentado não permite confirmar o inteiro teor da mensagem ou a existência de um protocolo formal junto à ABRACAM.

Gleidson defendeu acabar com câmaras e emendas parlamentares

A controvérsia teve início após entrevista de Gleidson Azevedo à Rádio Itatiaia, na quinta-feira (29).

O deputado federal eleito afirmou que pretende apresentar uma proposta para extinguir os legislativos municipais em todo o país.

“Eu tenho uma ideia lá dentro do Congresso que eu não sei o que vai passar, né, que é acabar com as câmaras, acabar com a questão dos vereadores”, declarou.

Gleidson argumentou que as câmaras representam custos elevados e questionou a contribuição dos vereadores para a população, mencionando projetos de denominação de ruas e concessão de moções.

Como alternativa, sugeriu a criação de estruturas técnicas semelhantes aos tribunais de contas para fiscalizar as administrações municipais.

O ex-prefeito também defendeu o fim das emendas parlamentares, sustentando que a distribuição dos recursos públicos deveria ficar sob responsabilidade do Executivo.

A proposta envolve mudanças profundas na organização política dos municípios e enfrenta obstáculos constitucionais, já que os artigos 29 e 31 da Constituição Federal estabelecem a existência das câmaras e suas atribuições de fiscalização dos prefeitos.

ACAM também manifestou repúdio às declarações

A mobilização da UV Minas ocorre no mesmo período em que a Associação das Câmaras Municipais de Minas Gerais (ACAM) divulgou uma nota oficial de repúdio às declarações de Gleidson.

A entidade classificou a proposta de extinção dos legislativos municipais como um grave retrocesso institucional e uma ameaça à autonomia dos municípios, à representação popular e ao equilíbrio entre os Poderes.

No documento assinado por seu presidente, Paulo Marcos Dolabella Lacerda Campos, a ACAM defendeu a importância das câmaras na elaboração de leis, na discussão dos orçamentos e na fiscalização dos atos do Executivo.

A associação reconheceu a necessidade de combater desperdícios e melhorar a administração pública, mas sustentou que tais objetivos não justificam a eliminação dos órgãos de representação popular.

Com a manifestação da ACAM e a cobrança encaminhada à ABRACAM, as declarações de Gleidson passaram a provocar reações de diferentes entidades representativas do Legislativo municipal.

Relação com Cleitinho amplia repercussão política do episódio

A ligação de João Paulo Felizardo com as articulações do futuro governo acrescenta um componente político à controvérsia.

O presidente da UV Minas havia divulgado a intenção de construir, em parceria com a administração de Cleitinho, um canal para atender demandas apresentadas pelos vereadores.

Agora, a entidade que ele preside pede uma reação nacional às propostas do irmão do governador eleito.

Não se trata necessariamente de um rompimento político. A defesa das prerrogativas do Legislativo pode conviver com o apoio institucional a um governo estadual.

Entretanto, a divergência entre a proposta de aproximação com os vereadores e a intenção de extinguir seus cargos exigirá esclarecimentos caso o assunto avance no Congresso.

A situação também coloca em debate o posicionamento que a futura administração de Minas pretende adotar sobre a autonomia dos municípios e a relação com os legislativos locais.

Debate sobre economia pública não elimina questão democrática

A defesa da redução de despesas, da revisão de benefícios e da fiscalização dos gastos das câmaras integra uma discussão legítima sobre a eficiência da administração pública.

Entretanto, extinguir os legislativos municipais significaria retirar da população representantes eleitos para aprovar leis, discutir orçamentos e fiscalizar prefeitos.

A Constituição estabelece essas atribuições e protege a organização democrática do Estado. Qualquer proposta destinada a eliminar indiscriminadamente as câmaras enfrentaria questionamentos jurídicos e institucionais de grande alcance.

Gleidson ainda não apresentou um texto formal detalhando como pretende executar a medida e quais instituições assumiriam as responsabilidades atualmente exercidas pelos vereadores.

Enquanto isso, as manifestações das entidades municipais mostram que a proposta já provocou uma reação antes mesmo da posse do deputado eleito, prevista para fevereiro de 2027.

O ponto que torna o episódio politicamente mais significativo é que a cobrança parte de uma entidade cujo presidente anunciou participação na transição de Cleitinho, com a missão de ampliar a presença dos vereadores junto ao governo estadual.

 

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