A Polícia Federal (PF) indiciou o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e outras 13 pessoas no inquérito que investiga suspeitas de fraudes em operações financeiras envolvendo as duas instituições. O relatório parcial, com mais de 700 páginas, foi encaminhado nesta quarta-feira (28) ao Supremo Tribunal Federal (STF), segundo informações divulgadas sobre a investigação.
Entre os nomes citados estão também Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. De acordo com os investigadores, os envolvidos teriam participado de operações que buscavam viabilizar a aquisição do Banco Master pelo BRB, em negociações realizadas entre 2024 e 2025. As suspeitas ainda dependem da análise das autoridades responsáveis e não representam condenação criminal.
Investigação apura operações entre os bancos
A apuração faz parte da Operação Compliance Zero, deflagrada para investigar possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e irregularidades em negociações envolvendo o Banco Master e o BRB.
Um dos focos é a negociação de carteiras de crédito que teriam sido adquiridas pelo banco público. A Polícia Federal investiga se parte dos ativos negociados possuía comprovação adequada e se documentos utilizados nas operações correspondiam a créditos efetivamente existentes.
Segundo informações divulgadas sobre a investigação, as transações envolveram valores bilionários. Os investigadores apuram se operações financeiras foram utilizadas para dar aparência de regularidade a negócios que, na realidade, poderiam apresentar irregularidades.
Vorcaro e ex-presidente do BRB são apontados como figuras centrais
O relatório da PF atribui a Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa posições importantes nas decisões relacionadas às operações investigadas. A suspeita é de que o grupo tenha atuado para viabilizar negócios entre as instituições financeiras, apesar de possíveis problemas na documentação e na comprovação dos créditos.
A investigação também alcança outros empresários e pessoas que, segundo os investigadores, podem ter contribuído para a realização das operações. A responsabilização individual dependerá da análise das provas e das decisões das autoridades competentes.
PF pede mais tempo para aprofundar apuração
Além dos indiciamentos, os investigadores solicitaram ao STF a prorrogação do prazo do inquérito por mais 60 dias. A medida permitiria aprofundar a análise dos elementos reunidos e realizar diligências complementares.
O envio do relatório representa uma etapa da investigação, mas não encerra necessariamente todos os desdobramentos do caso. Caberá às autoridades competentes avaliar as conclusões da PF e decidir sobre os próximos passos, incluindo eventual apresentação de denúncia pelo Ministério Público.
Indiciamento não significa condenação
O indiciamento é o ato pelo qual a autoridade policial aponta indícios de que determinada pessoa pode ter cometido um crime. Ele não equivale a uma denúncia criminal nem a uma condenação.
Os investigados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência. A eventual responsabilização penal depende do andamento do processo e de decisão judicial.
A investigação segue em andamento, com análise das operações financeiras e das responsabilidades atribuídas aos envolvidos.






