A polarização política ganhou mais um capítulo em Divinópolis após a circulação de uma suposta lista de estabelecimentos comerciais que seriam pertencentes a simpatizantes do PT, acompanhada de uma proposta de boicote. A situação provocou a reação do vereador Vitor Costa, presidente municipal da legenda, depois que a empresária Ana Letícia Ribeiro publicou um vídeo defendendo uma amiga incluída na relação. Ao tentar afastar qualquer ligação da amiga com o petismo, a proprietária da Auritta Moda Feminina destacou que ela, a amiga, seria trabalhadora, esforçada e defensora da família. Para o parlamentar, a declaração revela um preconceito que associa, injustamente, eleitores de Lula à falta de disposição para o trabalho e à ausência de valores familiares.
Empresária defende amiga e provoca reação ao associar trabalho e família à rejeição ao PT
A controvérsia começou com a circulação de uma lista de comércios que, supostamente, pertenceriam a empresários identificados com o Partido dos Trabalhadores.
Segundo Vitor Costa, o material estaria sendo utilizado para incentivar um boicote a estabelecimentos comerciais por causa do posicionamento político atribuído aos proprietários.
O vereador também destacou um vídeo divulgado por uma empresária que procurou defender uma amiga mencionada nessa relação.
Na gravação, a mulher afirmou que a amiga não seria petista e utilizou características pessoais para justificar sua posição.
“A chefe Marina Amaral não é petista, pelo amor de Jesus Cristo. É uma pessoa, assim, extremamente séria, a favor da família, trabalhadeira, esforçada. Tem um trem que ela não é petista, tá?”, declarou Ana Leticia Ribeiro, proprietária da Auritta Moda Feminina.
Em seguida, pediu que o nome da amiga fosse retirado da relação. O problema apontado pelo vereador não foi a defesa da empresária, mas a associação implícita entre ser uma pessoa trabalhadora, séria e ligada à família e não pertencer ao PT.
“Olhe o nível do preconceito e da arrogância”, dispara Vitor Costa
Ao comentar a gravação, Vitor Costa demonstrou indignação com o argumento utilizado pela empresária.
Para o parlamentar, a declaração ultrapassou uma simples manifestação de preferência política e reproduziu um estereótipo ofensivo contra brasileiros identificados com a esquerda.
“E sabe qual foi o argumento dela? Que a amiga dela jamais seria petista, porque ela é uma mulher trabalhadora, esforçada e a favor da família. Olhe o nível do preconceito e da arrogância dessa fala”, afirmou.
A crítica do vereador está concentrada justamente na ideia de que determinadas qualidades morais e profissionais pertenceriam exclusivamente a pessoas de um campo político.
O episódio demonstra como a polarização eleitoral pode ultrapassar a disputa entre candidatos e atingir a imagem pessoal e profissional dos cidadãos.
Vereador lembra que começou a trabalhar aos 13 anos e é filho de pastores
Para contestar a declaração, Vitor Costa utilizou sua própria trajetória como exemplo de que ser petista não significa rejeitar o trabalho ou os valores familiares. O vereador afirmou que começou a trabalhar ainda na adolescência e destacou sua formação familiar e acadêmica.
“Eu, por exemplo, eu trabalho desde os meus 13 anos de idade. Desde os 16, eu tive a minha carteira assinada. Eu tô na minha segunda graduação, eu tenho pai, tenho mãe, tenho irmãos, sou filho de pastores, sei muito bem o que é acordar cedo, correr atrás e conquistar as coisas com seu próprio esforço.”
O parlamentar procurou mostrar que sua identidade partidária não elimina sua experiência como trabalhador nem suas referências familiares e religiosas. A declaração também rebate a tentativa de estabelecer uma oposição entre a militância petista e os valores tradicionalmente associados à família.
“Eu sou presidente municipal do PT e não sou exceção”, afirma parlamentar
Vitor Costa ressaltou que sua trajetória não representa uma situação isolada dentro do partido.
Segundo o vereador, os apoiadores de Lula que participaram das manifestações realizadas em Divinópolis pertencem a diferentes categorias profissionais e grupos sociais.
“Eu sou presidente municipal do PT e eu não sou exceção”, declarou.
Na sequência, mencionou trabalhadores, estudantes, professores, servidores públicos, comerciantes, mães e pais de família que participaram das mobilizações políticas.
O parlamentar destacou ainda pessoas que dependem do transporte coletivo, enfrentam jornadas extensas e precisam conciliar trabalho com estudos.
Para Vitor, esses cidadãos não podem ter sua dignidade questionada por causa de suas escolhas eleitorais.
Escala 6×1 também entra na resposta do vereador
A crítica do parlamentar também alcançou a realidade dos trabalhadores submetidos à escala 6×1, modelo de jornada em que o empregado trabalha seis dias para descansar um. Vitor Costa mencionou pessoas que enfrentam longas jornadas e que participaram das mobilizações em defesa da redução da escala de trabalho.
Segundo ele, muitos dos apoiadores do presidente Lula estão justamente entre aqueles que precisam acordar cedo, utilizar ônibus lotados e conciliar diferentes responsabilidades.
O vereador classificou como contraditório o discurso de setores políticos que afirmam defender o trabalhador, mas reproduzem generalizações depreciativas contra eleitores identificados com o PT.
A fala reforça a mensagem central de sua manifestação: trabalhar, estudar e valorizar a família não são características exclusivas de pessoas de direita ou de esquerda.
Vitor também ataca candidato adversário e menciona suposto emprego fantasma
No encerramento de sua manifestação, Vitor Costa elevou o tom contra o campo político adversário. O vereador questionou o discurso de defesa da família utilizado durante a campanha presidencial e fez referências a alegações envolvendo o candidato apoiado pelos críticos do PT.
“Porque eles falam tanto em defender a família, mas o candidato deles participava de festas questionáveis. E também tinha um emprego fantasma na Câmara dos Deputados aos 19 anos”, declarou, referindo-se a Flávio Bolsonaro.
Suposto boicote comercial levanta questionamento sobre intolerância política
A circulação da lista mencionada por Vitor Costa também merece atenção. Conforme o vereador, estabelecimentos comerciais estariam sendo identificados como pertencentes a petistas, com a intenção de incentivar consumidores a deixar de frequentá-los.
A gravação encaminhada ao Divinews não permite identificar quem elaborou a lista, quantas empresas foram incluídas ou qual foi o alcance efetivo do suposto boicote.
Mesmo assim, o episódio relatado expõe uma questão importante: a possibilidade de divergências partidárias serem transformadas em campanhas de hostilidade contra comerciantes.
A liberdade de escolha do consumidor deve ser preservada, assim como o direito de empresários manifestarem suas posições políticas sem sofrer ameaças ou constrangimentos ilegais. A identificação de pessoas com uma legenda partidária não autoriza acusações infundadas contra sua capacidade profissional ou sua integridade.
Depois das urnas, polarização continua provocando conflitos em Divinópolis
O episódio acontece logo depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para seu quarto mandato presidencial. Embora a votação tenha terminado, as divergências entre eleitores e apoiadores dos candidatos continuam presentes nas redes sociais e nas discussões locais.
O caso envolvendo a empresária Ana Letícia e o vereador demonstra como o confronto político pode atingir relações comerciais, familiares e profissionais.
Ao responder à gravação, Vitor Costa procurou rejeitar a associação entre preferência partidária e caráter pessoal. O vereador encerrou sua manifestação atribuindo a vitória presidencial aos trabalhadores, estudantes e famílias que participaram do processo eleitoral.
“Podem ter certeza, viu gente, que a vitória que aconteceu nesse domingo foi dos trabalhadores, dos estudantes e da família”, afirmou.
A discussão provocada em Divinópolis deixa uma questão que ultrapassa a eleição presidencial: desde quando ser trabalhador, honesto e defensor da família passou a ser atributo exclusivo de uma posição partidária?
A crítica de Vitor Costa coloca em debate o preconceito político e a dificuldade de convivência entre pessoas que possuem escolhas eleitorais diferentes.
TRANSPARÊNCIA EDITORIAL | DIVINEWS
Matéria elaborada exclusivamente a partir da transcrição encaminhada pela redação, com as falas, em vídeo, da empresária e do vereador Vitor Costa.
As manifestações foram atribuídas a seus autores. A existência e a autoria da lista de estabelecimentos mencionada e enviada ao Divinews pelo parlamentar não foram verificadas, logo, os nomes das empresas não serão divulgados. A IA foi utilizada como ferramenta auxiliar de organização e estruturação textual, sob responsabilidade editorial do Divinews.






