A escritora mineira Adélia Prado, de 90 anos, sofreu um novo acidente doméstico nesta segunda-feira (19), em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Segundo informações divulgadas pela família, a poetisa não precisou ser hospitalizada, permanece lúcida e apresenta estado de saúde estável. O episódio acontece em um momento delicado de sua recuperação, após problemas de saúde enfrentados ao longo de 2026. Paralelamente, Adélia está entre os finalistas do Prêmio Jabuti, uma das principais premiações da literatura brasileira, e poderá receber mais um reconhecimento por sua trajetória.
Escritora enfrenta recuperação prolongada após internações
A recuperação de Adélia Prado já vinha acontecendo de maneira lenta em razão de complicações anteriores de saúde, incluindo um quadro de sepse. A condição ocorre quando o organismo apresenta uma resposta desregulada a uma infecção, podendo comprometer o funcionamento de órgãos. Apesar do novo acidente doméstico, familiares informaram que a escritora permanece consciente, lúcida e em recuperação na própria residência.
Em maio deste ano, Adélia ficou internada durante 15 dias no Hospital São Judas Tadeu, em Divinópolis, para tratamento de uma infecção sistêmica. Foi a segunda hospitalização da escritora em 2026, período marcado por dificuldades de saúde e pela necessidade de acompanhamento médico e reabilitação.
A primeira internação ocorreu em janeiro, após uma queda dentro de casa que provocou fraturas no fêmur, no cotovelo e no joelho. A escritora precisou passar por procedimentos cirúrgicos e recebeu alta hospitalar em fevereiro. Desde então, a recuperação tem exigido cuidados, especialmente em razão da idade avançada e das complicações enfrentadas nos últimos meses.
Adélia Prado é finalista do Prêmio Jabuti e poderá ser representada pela filha
Mesmo diante das dificuldades de saúde, Adélia Prado continua recebendo reconhecimento por sua contribuição à literatura brasileira. Aos 90 anos, a escritora é finalista da 68ª edição do Prêmio Jabuti, na categoria Poesia, com o livro O Jardim das Oliveiras, publicado em setembro de 2025.
A obra marcou o retorno da autora aos lançamentos inéditos após um intervalo de aproximadamente 12 anos. A indicação ao Jabuti reforça a importância de sua produção literária e demonstra como seus textos continuam conquistando espaço entre leitores, críticos e instituições culturais.
A filha da escritora, Ana Beatriz Prado, informou que poderá representar a mãe na cerimônia de premiação caso o livro seja anunciado vencedor. Até o momento, Adélia figura entre os finalistas, e a conquista do prêmio ainda depende do resultado oficial.
De Divinópolis para o reconhecimento internacional
Nascida em Divinópolis, em 13 de dezembro de 1935, Adélia Prado construiu uma trajetória que transformou experiências cotidianas, sentimentos, espiritualidade e a condição feminina em poesia. Sua linguagem direta, marcada pela sensibilidade e pela presença da religiosidade, tornou-se uma das características mais reconhecidas de sua produção literária.
Sua estreia individual aconteceu com Bagagem, publicado em 1976, depois que seus poemas chegaram ao conhecimento de Affonso Romano de Sant’Anna e Carlos Drummond de Andrade. O reconhecimento nacional ganhou força com O Coração Disparado, obra que conquistou o Prêmio Jabuti em 1978 e consolidou seu nome na literatura brasileira.
Além da produção poética, Adélia publicou livros em prosa e participou da vida cultural de Divinópolis, inclusive ocupando funções na administração municipal. Sua obra ultrapassou as fronteiras brasileiras e passou a integrar estudos acadêmicos e debates literários em universidades e instituições internacionais.
Prêmios Camões e Machado de Assis consolidaram trajetória
Em 2024, Adélia Prado recebeu dois dos mais importantes reconhecimentos de sua carreira: o Prêmio Camões, considerado a principal distinção da literatura em língua portuguesa, e o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.
Os reconhecimentos reafirmaram a relevância da escritora divinopolitana no cenário literário. Sua produção atravessa gerações e continua despertando interesse pela maneira como relaciona acontecimentos comuns da vida com questões profundas da existência humana, da fé e das relações familiares.
Em Divinópolis, a trajetória da autora também é valorizada por iniciativas culturais, incluindo uma exposição no Museu Histórico dedicada à sua vida e produção literária.
Recuperação mobiliza carinho e torcida por nova conquista
O novo acidente doméstico acontece em um período de atenção à saúde da escritora, mas as informações divulgadas por familiares indicam que Adélia permanece estável e não precisou de nova internação.
Enquanto segue o processo de recuperação em casa, a autora também vive a expectativa do resultado do Prêmio Jabuti. A possibilidade de conquistar mais uma premiação representa um novo capítulo na história de uma mulher que levou o nome de Divinópolis ao cenário internacional da literatura.
Para admiradores de sua obra, a expectativa agora envolve dois desejos: a continuidade de sua recuperação e a possibilidade de celebrar mais uma conquista literária de Adélia Prado.






