Câmara de Divinópolis aprova proibição de vendas nas ruas, por pessoas acolhidas em comunidades terapêuticas

Projeto de autoria do vereador Matheus Dias, impede que instituições encaminhem pessoas em tratamento para vender produtos em semáforos e estabelecimentos; descumprimento poderá resultar em multa e interdição.

Publicado por: Vinícius Xavier

A Câmara Municipal de Divinópolis aprovou, nesta quinta-feira (8), o Projeto de Lei nº 253/2025, que proíbe comunidades terapêuticas de utilizar pessoas acolhidas para vender produtos nas ruas com o objetivo de arrecadar recursos para as instituições. A proposta é de autoria do vereador Matheus Dias (Avante) e recebeu 15 votos favoráveis.

A medida pretende impedir que pessoas em tratamento contra a dependência de álcool e outras drogas sejam encaminhadas para comercializar mercadorias em semáforos, esquinas e estabelecimentos comerciais sob a justificativa de que a atividade faz parte do processo de recuperação.

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O projeto foi elaborado em parceria com o Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (Comad). Segundo o vereador, a iniciativa busca assegurar que o acolhimento seja direcionado ao tratamento e à recuperação, sem que a venda de produtos nas ruas seja apresentada como uma obrigação dos internos.

Vereador aponta preocupação com possível exploração

Durante a discussão da proposta, Matheus Dias afirmou que algumas comunidades terapêuticas encaminham pessoas acolhidas para vender mercadorias em pontos movimentados da cidade. De acordo com o parlamentar, em determinadas situações, a atividade seria apresentada pelas instituições como parte do tratamento, sem que os participantes tivessem liberdade para decidir se desejam realizá-la.

O vereador ressaltou que apoia o trabalho desenvolvido pelas comunidades terapêuticas, mas defendeu que as atividades realizadas durante o acolhimento devem priorizar a recuperação dos usuários.

“Sou um grande apoiador de comunidades terapêuticas, acredito em comunidades terapêuticas”, declarou Matheus Dias, ao explicar que a proposta não tem como objetivo desconsiderar a atuação dessas instituições, mas estabelecer limites para a utilização dos acolhidos em atividades comerciais externas.

A discussão envolve a proteção da dignidade e dos direitos das pessoas que estão em tratamento, além da necessidade de diferenciar atividades terapêuticas de ações voltadas à arrecadação financeira das entidades.

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Projeto prevê multa e interdição

O texto aprovado prevê penalidades para as comunidades terapêuticas que descumprirem a proibição. Entre as medidas previstas estão a aplicação de multa e a possibilidade de interdição da instituição.

A proposta ainda precisa passar pelos procedimentos legais posteriores à votação antes de entrar em vigor. Portanto, a aprovação na Câmara representa uma etapa da tramitação legislativa, e a aplicação das novas regras depende da conclusão desse processo.

Recuperação e reinserção social

O debate ocorre em meio à necessidade de fortalecer políticas públicas de acolhimento, tratamento e reinserção social de pessoas que enfrentam problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.

Em Divinópolis, a rede municipal de atendimento inclui serviços de saúde e assistência social voltados ao acompanhamento de pessoas em situação de vulnerabilidade. Entre eles está o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), que oferece acompanhamento especializado.

A Prefeitura também mantém iniciativas de acolhimento e proteção social para pessoas em situação de vulnerabilidade, com ações voltadas à reconstrução de vínculos familiares e comunitários e ao desenvolvimento da autonomia.

Com a aprovação do projeto, o Legislativo municipal busca estabelecer limites para a atuação das comunidades terapêuticas em atividades comerciais externas, reforçando que o período de acolhimento deve ter como prioridade o cuidado, a recuperação e a garantia dos direitos das pessoas atendidas.

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