Lohanna França projeta mandato em Brasília, cobra pautas sociais de Cleitinho e chama Nikolas de “operador do medo”

Deputada federal eleita com 108.182 votos falou nesta terça-feira (6) sobre o novo peso político de Divinópolis, relação com Cleitinho e Domingos Sávio, força de Nikolas Ferreira, segundo turno presidencial e prioridades para o primeiro mandato na Câmara.

Publicado por: Geraldo Passos

Dois dias depois de conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados com 108.182 votos, Lohanna França (PV) concedeu entrevista ao Divinews na manhã desta terça-feira (6) e fez uma ampla leitura das eleições de 2026. A deputada federal eleita falou sobre o crescimento de sua votação, o novo peso político de Divinópolis, a vitória de Cleitinho Azevedo para o Governo de Minas, a eleição de Domingos Sávio para o Senado e o fenômeno eleitoral representado por Nikolas Ferreira. Também antecipou duas áreas que pretende colocar no centro de seu mandato em Brasília: direitos das mulheres e educação.

Lohanna terminou a eleição com 108.182 votos, alcançando 0,94% dos votos válidos para deputado federal em Minas e garantindo uma das 53 cadeiras destinadas ao Estado. A bancada federal mineira confirma a parlamentar do PV entre os eleitos, enquanto levantamento baseado nos dados do TSE mostra que ela recebeu votos em 808 municípios mineiros. Divinópolis foi a cidade em que obteve maior votação nominal, com 17.553 votos.

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Durante a entrevista, Lohanna disse que ultrapassar a barreira dos 100 mil votos representou uma conquista que sua própria equipe considerava distante. Segundo ela, a votação cresceu em mais de 40 mil votos em comparação com a eleição anterior e sua presença territorial também avançou, saindo de 748 municípios para mais de 800. A parlamentar atribuiu o resultado ao trabalho acumulado desde o mandato como vereadora de Divinópolis e posteriormente na Assembleia Legislativa. Lohanna 6-10-26

Divinópolis como novo polo político

Ao ser questionada pelo Divinews sobre o desempenho dos candidatos ligados à cidade, Lohanna avaliou que Divinópolis ganhou uma posição diferenciada no cenário estadual. A eleição produziu nomes associados ao município no Governo de Minas, Senado Federal, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, ainda que pertencentes a campos políticos distintos.

Para Lohanna, essa representação precisa agora ser convertida em capacidade de defender as necessidades do Centro-Oeste. Ela afirmou que os problemas da região precisam ocupar maior espaço na agenda estadual e nacional e disse enxergar condições para que os eleitos atuem nesses debates no Congresso, na Assembleia e no próprio Governo de Minas. Lohanna 6-10-26

“Eu entendo que os problemas e a falta da nossa região precisam ocupar o lugar de Estado também”, afirmou. A deputada eleita destacou que a existência de vários representantes com história política ou eleitoral ligada a Divinópolis cria uma expectativa legítima da população por resultados, independentemente das diferenças partidárias entre eles. Lohanna 6-10-26

Cleitinho terá cobrança por pautas sociais

Lohanna também comentou a vitória de Cleitinho Azevedo (Republicanos), que foi eleito governador de Minas Gerais ainda no primeiro turno. O governador eleito mineiro recebeu 6.321.351 votos, equivalentes a 55,40% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

Embora tenha apoiado Patrus Ananias (PT) na disputa estadual, Lohanna afirmou que Cleitinho demonstrou capacidade de receber votos para além de um único campo político. Na avaliação dela, o governador eleito conseguiu dialogar eleitoralmente tanto com setores de direita quanto com eleitores progressistas, o que, segundo a deputada, aumenta sua responsabilidade diante de pautas sociais.

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“Eu espero que o Cleitinho, no governo, lembre-se disso”, afirmou, ao citar combate à fome e às desigualdades, acesso ao ensino superior e técnico e fortalecimento do SUS entre os temas que espera ver contemplados pela próxima administração. Lohanna também cobrou atenção especial às regiões mais pobres e aos vales mineiros. Lohanna 6-10-26

Domingos Sávio: divergência política e cobrança institucional

A eleição de Domingos Sávio (PL) para o Senado também entrou na conversa. Os senadores mineiros eleitos foram Domingos e Marília Campos (PT), que assumirão mandatos de oito anos em fevereiro de 2027. Domingos construiu parte importante da carreira em Divinópolis, onde foi vereador e prefeito antes de exercer mandatos de deputado estadual e federal.

Lohanna deixou clara sua distância ideológica em relação ao senador eleito, mas reconheceu sua experiência política e afirmou esperar dele uma atuação que ultrapasse as divergências partidárias. Na avaliação da deputada, temas como a dívida de Minas Gerais e a situação das concessões ferroviárias devem estar acima das disputas entre campos ideológicos e exigirão participação ativa dos representantes mineiros no Senado. Lohanna 6-10-26

Ela citou especificamente as ferrovias como uma pauta importante para Minas e para Divinópolis, lembrando o peso histórico do setor ferroviário para o município. “Isso é assunto de senador”, afirmou ao defender que Domingos utilize sua experiência política para atuar em temas estruturantes do Estado. Lohanna 6-10-26

Lohanna chama Nikolas de “operador do medo”

Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando o Divinews perguntou como Lohanna interpretava a votação de Nikolas Ferreira (PL), que ultrapassou três milhões de votos e terminou como deputado federal mais votado de Minas e do Brasil.

“Eu acho que o Nikolas Ferreira é um operador do medo”, afirmou Lohanna. A expressão representa a avaliação política da deputada eleita sobre a estratégia de comunicação do parlamentar do PL. Segundo ela, Nikolas possui grande capacidade de mobilizar sentimentos nas redes sociais e conseguiu preservar força eleitoral mesmo em locais onde havia expectativa de perda de votos. Lohanna 6-10-26

Como exemplo, Lohanna citou Divinópolis. Segundo os números mencionados por ela durante a entrevista, Nikolas havia recebido cerca de 21 mil votos na cidade em 2022 e manteve aproximadamente 20 mil em 2026, apesar da existência de candidaturas locais competitivas. Para a deputada, esse desempenho demonstra a força do modelo de comunicação utilizado pelo parlamentar. Lohanna 6-10-26

Apesar da crítica ao conteúdo político, Lohanna afirmou que seu campo precisa observar a eficiência das ferramentas utilizadas pelos adversários. Nesse ponto, elogiou Ana Elisa, também eleita deputada federal por Minas, dizendo que a jovem demonstrou domínio da comunicação digital e poderá contribuir com esse debate dentro da esquerda. “A forma pode ser aproveitada, mas o conteúdo, eu, pelo menos, não aproveito”, resumiu. Lohanna 6-10-26

Mulheres e educação serão prioridades em Brasília

Ao falar sobre o próprio mandato, Lohanna disse que pretende levar para a Câmara características que já marcaram sua atuação na Assembleia: presença nas redes e na imprensa, formulação de políticas públicas e capacidade de articulação política nos bastidores. Ela reconheceu, porém, que o ambiente federal será mais complexo, com 513 deputados e parlamentares que acumulam décadas de experiência. Lohanna 6-10-26

Dentro desse cenário, definiu duas áreas prioritárias: mulheres e educação. Uma das propostas que pretende desenvolver é a criação de um Fundo Garantidor de Pensão Alimentícia. A ideia apresentada por Lohanna é que, em determinadas situações de inadimplência, o Estado assegure temporariamente o pagamento necessário à criança e posteriormente cobre o responsável pela obrigação. Lohanna 6-10-26

Para Lohanna, a ausência da pensão frequentemente transfere integralmente para a mãe a responsabilidade financeira pela criança. Ela argumentou que, se crianças são consideradas prioridade constitucional, o Estado precisa construir mecanismos que evitem que a falta de pagamento comprometa alimentação, moradia e demais necessidades básicas. A forma jurídica e financeira da proposta ainda dependerá da elaboração do projeto no Congresso.

Permanência de estudantes também está no radar

Na educação, Lohanna pretende concentrar parte da atuação nas políticas de permanência estudantil. Ela afirmou que o acesso às universidades avançou, mas avaliou que estudantes de baixa renda ainda encontram dificuldades para permanecer nos cursos, principalmente aqueles beneficiados pelo ProUni e pelo Fies ou matriculados em graduações integrais. Lohanna 6-10-26

A deputada defendeu a discussão de políticas que envolvam alimentação, moradia e bolsas, argumentando que permitir o ingresso de estudantes de baixa renda sem oferecer condições para que concluam a formação pode manter índices elevados de evasão. Ela também mencionou a necessidade de reforçar estruturas de universidades e institutos federais.

Lohanna já atuou com o tema na Assembleia Legislativa e citou sua experiência com políticas de permanência estudantil como um dos trabalhos dos quais pretende partir ao chegar à Câmara. O mandato federal, segundo ela, deverá permitir que essas discussões adquiram dimensão nacional. Lohanna 6-10-26

Algoritmos das redes entram no debate

O peso das redes sociais nas eleições voltou à entrevista quando Lohanna foi questionada sobre o resultado do primeiro turno presidencial. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47,03% dos votos válidos e Lula (PT), 45,16%, levando a disputa para o segundo turno, conforme o resultado presidencial oficial divulgado pelo TSE. Tribunal Superior Eleitoral

Lohanna afirmou considerar que as plataformas digitais tiveram influência no processo eleitoral e defendeu que o próximo Congresso discuta maior transparência sobre o funcionamento dos algoritmos. Ela comparou o ambiente digital à nova “praça pública” e argumentou que seria necessário compreender de que maneira conteúdos e candidaturas ganham maior ou menor exposição. Lohanna 6-10-26

A parlamentar fez uma ressalva importante durante a própria entrevista: disse não estar afirmando que plataformas tenham favorecido deliberadamente candidatos. Sua posição é a de que a existência dessa suspeita já justificaria uma discussão sobre transparência, critérios de recomendação e eventual regulamentação das redes. Lohanna 6-10-26

Campanha de Lula no segundo turno

Lohanna confirmou que participará ativamente da campanha de Lula no segundo turno. Logo no início da entrevista, ao comentar os resultados eleitorais em Minas, declarou que está comprometida com a disputa presidencial e que pretende atuar para ampliar a votação do candidato petista em Divinópolis e no Centro-Oeste. Lohanna 6-10-26

Ao analisar a comunicação eleitoral, ela avaliou que parte das realizações do governo federal não chegou ao eleitor de maneira suficientemente vinculada à figura do presidente. A deputada citou investimentos e políticas públicas em Divinópolis e defendeu uma comunicação mais direta sobre quais decisões governamentais estão relacionadas às entregas realizadas no município. Essa é uma avaliação política da parlamentar, feita no contexto da campanha presidencial. Lohanna 6-10-26

“Não sou irmã de ninguém, não sou filha de ninguém”

Nos minutos finais da entrevista, Lohanna voltou ao próprio resultado eleitoral e atribuiu significado especial aos 108 mil votos alcançados. Em uma fala sobre sua trajetória, destacou que não pertence a uma família tradicional da política e afirmou ter construído os mandatos sucessivamente a partir das eleições de 2020, 2022 e, agora, 2026.

“Eu não sou irmã de ninguém, eu não sou filha de ninguém. O meu sobrenome não me abre portas”, declarou. Para Lohanna, a votação recebida representa reconhecimento ao trabalho desenvolvido desde sua passagem pela Câmara Municipal de Divinópolis e posteriormente pela Assembleia Legislativa. “É só isso que eu tenho para entregar. É trabalho. Mas é muito trabalho”, completou. Lohanna 6-10-26

A entrevista desta terça-feira mostrou uma Lohanna já voltada para a próxima etapa da carreira política. Depois de sair das urnas com 108.182 votos, ela passará dos 77 integrantes da Assembleia mineira para uma Câmara com 513 deputados, levando para Brasília pautas que já marcaram seu mandato estadual, mas também temas novos, como o Fundo Garantidor de Pensão Alimentícia, transparência algorítmica e ampliação das políticas nacionais de permanência estudantil.

 

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