Minas manda 53 para Brasília: PL conquista 21 cadeiras, Nikolas bate recorde e renovação fica em 26,4%

Minas Gerais definiu os 53 deputados federais que representarão o Estado na Câmara dos Deputados a partir de fevereiro de 2027, e o resultado das urnas redesenhou a correlação de forças da bancada mineira em Brasília. O PL conquistou sozinho 21 cadeiras, Nikolas Ferreira ultrapassou a marca de 3,1 milhões de votos e tornou-se novamente o deputado federal mais votado do Brasil, enquanto 14 dos eleitos por Minas chegarão à Casa para exercer o primeiro mandato. Os números constam nos dados oficiais Câmara divulgados nesta segunda-feira (5)

Publicado por: Geraldo Passos

A nova composição confirma uma ampliação significativa do espaço ocupado pelo PL na representação mineira. Em 2022, a legenda havia conquistado 11 cadeiras; agora passa para 21, praticamente dobrando seu tamanho. Ao mesmo tempo, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, soma 13 representantes, enquanto a Federação União Progressista, que reúne União Brasil e PP, alcança seis. A bancada mineira eleita mostra ainda Republicanos com três parlamentares, além de outras siglas com representação menor – O mais votado pela extrema-direita foi Nikolas Ferreira (PL), seguido por Ana Elisa (PT)  pelo campo progressista. 

Veja os 53 deputados federais eleitos por Minas

A relação abaixo segue os dados divulgados pelo próprio Portal da Câmara dos Deputados, com nome, partido e votação. O sistema também identifica quem conseguiu a reeleição.

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Deputado eleito Partido Votos
Nikolas Ferreira PL 3.119.318
Ana Elisa PT 524.219
Duda Salabert PSOL 229.535
Reginaldo Lopes PT 215.192
Rogério Correia PT 185.912
Pinheirinho PP 151.981
Zé Vitor PL 145.006
Ana Pimentel PT 144.496
Gleide Andrade PT 130.253
Weliton Prado PSD 129.366
Paulo Guedes PT 126.974
Gleidson Azevedo Republicanos 126.248
Pedro Rousseff PT 118.567
Bruno Farias Republicanos 113.379
Miguel Ângelo PT 110.124
Diego Andrade PSD 109.445
Dandara PT 108.193
Lohanna PV 108.182
Rodrigo de Castro União 105.371
Delegado Marcelo Freitas União 104.010
Fred Costa PRD 100.082
Bella Gonçalves PT 98.750
Gilberto Abramo Republicanos 96.046
Emidinho Madeira PL 94.812
Newton Cardoso Jr. MDB 93.759
Dimas Fabiano PP 90.827
Padre João PT 86.923
Luis Tibé Avante 86.740
Rafael Simões União 86.131
Samuel Viana União 84.879
Eros Biondini PL 81.650
Vinicius Diniz PL 80.567
Leonardo Monteiro PT 78.841
André Janones Rede 78.780
Nely Aquino Podemos 70.921
Igor Santos PL 70.572
Paulo Abi-Ackel PSDB 68.795
Dr. Marcos Vinicius PL 67.371
Greyce Elias PL 66.395
Lafayette Andrada PL 61.773
Dr. Frederico PL 60.625
Caporezzo PL 57.878
Rosângela Reis PL 57.063
Marcelo Álvaro Antônio PL 56.958
Duarte Júnior PSB 46.479
Fabinho Ramalho PL 43.908
Thiago Ganem PL 42.718
Delegada Ione PL 39.275
Rodrigo Tavares PL 37.534
Lincoln Portela PL 37.162
Subtenente Gonzaga PL 35.958
Junio Amaral PL 33.762
Sargento Mello-Casal PL 25.090
Renovação mineira fica em 26,4%

A leitura da classificação feita pela Câmara mostra que 14 dos 53 deputados eleitos por Minas exercerão pela primeira vez um mandato de deputado federal. Isso corresponde a aproximadamente 26,4% da bancada mineira, percentual inferior à taxa nacional de renovação. Entre os estreantes estão Ana Elisa, Bella Gonçalves, Caporezzo, Dr. Marcos Vinicius, Duarte Júnior, Gleide Andrade, Gleidson Azevedo, Igor Santos, Lohanna, Pedro Rousseff, Rodrigo Tavares, Sargento Mello-Casal, Thiago Ganem e Vinicius Diniz.

Outros dois nomes que não aparecem entre os reeleitos também não são propriamente estreantes: Fabinho Ramalho e Subtenente Gonzaga já exerceram mandatos federais em legislaturas anteriores e agora retornam à Câmara. Dessa forma, 37 dos 53 mineiros foram reeleitos, 14 são efetivamente de primeiro mandato e dois são ex-deputados que retornam. A diferenciação é importante porque a Câmara considera como renovação apenas aqueles que nunca haviam exercido mandato de deputado federal.

No conjunto do Brasil, a taxa nacional renovação ficou em 35,67%. Dos 513 eleitos, 183 exercerão o primeiro mandato. Outros 301 foram reeleitos, o equivalente a 58,6% da Câmara, enquanto 29 ex-deputados que haviam deixado a Casa conseguiram retornar.

PL domina a bancada de Minas

O resultado partidário talvez seja a mudança política mais expressiva da eleição mineira para a Câmara. O PL passa de 11 deputados eleitos em 2022 para 21 agora, ganhando dez cadeiras e reunindo quase 40% de toda a representação de Minas em Brasília. Nenhuma outra força política chega perto individualmente desse número. Pela composição nominal, o PT terá 12 deputados, o União Brasil quatro, Republicanos três, PP e PSD dois cada.

Considerando as federações utilizadas na eleição, a Federação PT-PCdoB-PV soma 13 cadeiras, uma vez que aos 12 deputados do PT se junta Lohanna, do PV. A Federação União-PP reúne seis parlamentares, a Psol-Rede fica com duas cadeiras, enquanto PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade terão uma cada. Avante, MDB, Podemos, PSB e Republicanos completam o desenho partidário mineiro.

Há, inclusive, um detalhe nos próprios dados divulgados pela Câmara: a nota-resumo sobre Minas não cita o Republicanos no parágrafo que distribui as vagas entre partidos e federações. Entretanto, a relação nominal oficial registra três eleitos pela legenda: Gleidson Azevedo, Bruno Farias e Gilberto Abramo. Por isso, nesta matéria, a distribuição partidária considera a listagem individual publicada pela própria Casa.

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Maiores bancadas de Minas

O PL terá, portanto, 21 dos 53 deputados mineiros. Na sequência aparecem PT, com 12; União Brasil, com quatro; Republicanos, com três; PP e PSD, com dois cada. PSOL, PV, PRD, MDB, Avante, Rede, Podemos, PSDB e PSB elegeram um representante cada. Vista pelas federações partidárias, a segunda maior força passa a ser PT-PCdoB-PV, com 13, seguida por União-PP, com seis.

Essa distribuição amplia consideravelmente o peso político do PL dentro da bancada de Minas e também fortalece o partido na composição geral da Câmara. O resultado deverá produzir efeitos na escolha das lideranças, na distribuição das comissões permanentes, nas negociações da Mesa Diretora e na relação do Congresso com o próximo governo federal.

PL também terá a maior bancada nacional

O avanço do partido não ocorreu apenas em Minas. A composição partidária nacional mostra que o PL elegeu 121 deputados federais, contra 97 nas eleições de 2022, e será isoladamente a maior força da Câmara na legislatura que começa em fevereiro de 2027.

A Federação PT-PCdoB-PV aparece em segundo lugar, com 88 deputados, seguida muito de perto pela Federação União-PP, com 87. Depois vêm PSD, com 43; Republicanos, com 41; MDB, com 36; Podemos, com 27; PSB e Psol-Rede, ambos com 15; PSDB-Cidadania, com 11; Novo, com dez; PRD-Solidariedade, com sete; PDT, com seis; Avante, com cinco; e Missão, com uma cadeira.

A Câmara terá, portanto, uma correlação partidária diferente da atual. O PL ganhou 24 cadeiras em comparação com 2022, enquanto a federação PT-PCdoB-PV cresceu de 82 para 88. A União-PP, por outro lado, reúne 87 parlamentares ante 105 cadeiras conquistadas separadamente pelas legendas e alianças correspondentes na eleição anterior. Nikolas dispara e Ana Elisa surpreende em Minas

Se o crescimento partidário do PL chamou atenção, o desempenho individual de Nikolas Ferreira foi ainda mais expressivo. O deputado mineiro recebeu 3.119.318 votos, correspondentes a aproximadamente 27,4% dos votos válidos para deputado federal em Minas. Além de liderar o Estado, tornou-se o candidato a deputado federal mais votado do Brasil e estabeleceu novo recorde histórico para a Câmara.

A segunda maior votação mineira também chama atenção pela distância em relação aos demais. Ana Elisa (PT) conquistou 524.219 votos logo em sua primeira eleição para a Câmara. Em seguida aparecem Duda Salabert (PSOL), com 229.535; Reginaldo Lopes (PT), com 215.192; e Rogério Correia (PT), com 185.912. Os números mostram uma concentração bastante elevada de votos nos primeiros nomes, principalmente em Nikolas, cuja votação isolada supera com larga vantagem a dos demais candidatos mineiros.

Os campeões de votos no Brasil

Nikolas também encabeça a relação dos campeões de votos divulgada pela Câmara. O segundo colocado nacional foi Lucas Pavanato (PL-SP), que recebeu 3.038.438 votos. Os dois foram os únicos candidatos a deputado federal a superar a barreira dos três milhões de votos nesta eleição.

Entre os campeões estaduais também aparecem André Fernandes (PL-CE), com 684.372 votos; Julia Zanatta (PL-SC), com 560.223; Jeffrey Chiquini (Novo-PR), com 425.399; Lucas Polese (PL-ES), com 419.735; Delegado Caveira (PL-PA), com 414.927; e Maurício Marcon (PL-RS), com 379.834. Segundo a Câmara, candidatos do PL lideraram a votação em 11 das 27 unidades da Federação, outro indicador da expansão eleitoral da legenda em 2026.

Minas terá peso reforçado em Brasília

Além de possuir a segunda maior bancada estadual da Câmara, atrás apenas de São Paulo, Minas chega à próxima legislatura com um deputado que estabeleceu o recorde nacional de votos e com uma bancada do PL que praticamente dobrou de tamanho. As 53 cadeiras mineiras representam mais de 10% dos 513 deputados federais, o que tradicionalmente coloca o Estado em posição importante nas negociações políticas do Congresso.

A nova bancada toma posse em 1º de fevereiro de 2027. Até lá, partidos e federações deverão organizar suas lideranças e começar as articulações em torno das comissões, da Mesa Diretora e das principais pautas que estarão sobre a mesa no início da próxima legislatura. Para Minas, a eleição produziu uma mistura de continuidade e mudança: 37 reeleitos permanecem, 14 estreantes chegam pela primeira vez e dois antigos deputados retornam ao plenário.

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