Mulheres na política: a representatividade feminina em Minas

Minas terá a maior bancada feminina da história da Assembleia Legislativa; resultado das urnas também amplia a presença das mulheres na Câmara dos Deputados

Publicado por: Cassia Misael

Minas Gerais terá a maior bancada feminina da história da Assembleia Legislativa; resultado das urnas também amplia a presença das mulheres na Câmara dos Deputados. As eleições de 2026 ampliaram a presença das mulheres nos espaços de decisão política de Minas Gerais. A partir de 2027, 20 deputadas ocuparão cadeiras na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o maior número já registrado na história da Casa. Mesmo com o avanço, elas representarão 26% das 77 vagas do Parlamento mineiro.

O resultado coloca a representatividade feminina no centro do debate político de Minas. Mais do que contabilizar as eleitas, o resultado permite observar como as mulheres vêm conquistando espaço em instituições que discutem leis, fiscalizam governos e definem prioridades para o estado. Em 2022, 15 mulheres chegaram à ALMG; agora, cinco cadeiras a mais passam para representantes femininas.

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Um recorde que ainda revela uma desigualdade

O crescimento da bancada feminina marca uma mudança importante, mas os próprios números mostram que a igualdade de representação ainda está distante. Com 20 deputadas entre as 77 cadeiras da ALMG, as mulheres ocuparão pouco mais de um quarto do Parlamento, enquanto os homens continuarão com a maioria das vagas.

A evolução, entretanto, mantém uma trajetória de crescimento nas últimas eleições. Em 2014, Minas elegeu cinco deputadas estaduais; em 2018, foram dez; em 2022, 15; e agora, 20. Em pouco mais de uma década, a bancada feminina quadruplicou, embora ainda não alcance um terço da composição da Assembleia.

De cinco para 20 em pouco mais de uma década

A comparação histórica ajuda a dimensionar essa mudança. Na legislatura iniciada em 2015, cinco mulheres conquistaram cadeiras na Assembleia. Quatro anos depois, o número dobrou; em 2022, chegou a 15; e, para o período de 2027 a 2031, alcança 20 parlamentares.

O crescimento acompanha uma ampliação da participação feminina nas disputas eleitorais, mas ainda existe uma diferença entre a presença das mulheres nas urnas e o número de cadeiras conquistadas. Segundo levantamento da ALMG, elas representaram 35,2% das candidaturas registradas em Minas nas eleições de 2026, enquanto a legislação eleitoral estabelece o mínimo de 30% de candidaturas de cada gênero nas eleições proporcionais.

Uma bancada formada por diferentes trajetórias

A nova bancada feminina da ALMG reúne 20 deputadas, sendo 14 reeleitas e seis estreantes. Entre as parlamentares que renovaram o mandato estão Beatriz Cerqueira, Alê Portela, Amanda Teixeira Dias, Ana Paula Siqueira, Andréia de Jesus, Carol Caram, Chiara Biondini, Delegada Sheila, Leninha, Lud Falcão, Macaé Evaristo, Maria Clara, Marli Ribeiro e Nayara Rocha.

As seis estreantes são Adriana Souza, Dra. Laís Santiago, Flávia Borja, Iza Lourença, Marilia Amaral e Roberta Lopes. A composição reúne diferentes partidos, regiões e posições políticas, o que impede tratar as 20 deputadas como um grupo homogêneo. A presença feminina aumenta, mas cada parlamentar chega ao Legislativo com sua própria trajetória, partido, pautas e posicionamentos.

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A representação feminina também chega à Câmara dos Deputados

O movimento não ficou restrito à Assembleia. A bancada mineira que chegará à Câmara dos Deputados em 2027 também terá mulheres com trajetórias bastante diferentes, entre elas Ana Elisa, Gleide Andrade e Lohanna, que possuem ligação com Divinópolis.

Ana Elisa representa uma nova geração que encontrou nas redes sociais uma importante porta de entrada para a política. Aos 21 anos, ela foi eleita deputada federal por Minas com 524.219 votos, a segunda maior votação entre os 53 deputados federais eleitos pelo estado.

Gleide Andrade chega ao Congresso depois de décadas de atuação política e partidária e conquistou 130.253 votos. Lohanna, por sua vez, chega à Câmara dos Deputados depois de passar pela Câmara Municipal de Divinópolis e pela Assembleia Legislativa, construindo uma trajetória que avançou por diferentes níveis do Legislativo.

As três histórias ajudam a mostrar que não existe um único caminho para uma mulher chegar ao poder. A nova representação feminina reúne diferentes idades, experiências profissionais, trajetórias políticas e formas de comunicação com o eleitor.

O destaque de Divinópolis dentro do cenário mineiro

Nesse cenário estadual, Divinópolis aparece com um dado particular: três mulheres ligadas à cidade foram eleitas para a Câmara dos Deputados. Ana Elisa, Gleide Andrade e Lohanna chegam a Brasília por caminhos diferentes, mas passam a integrar a bancada feminina que representará Minas na próxima legislatura.

O dado chama atenção justamente por inserir uma cidade do interior em uma discussão estadual mais ampla sobre representatividade. As três, no entanto, não formam necessariamente um grupo político e possuem trajetórias e posicionamentos próprios. O que existe em comum é a origem ou ligação com Divinópolis e a conquista de uma cadeira na Câmara Federal.

O que a presença feminina pode mudar?

A presença de mais mulheres no Legislativo amplia a diversidade de experiências dentro dos espaços onde são discutidas políticas públicas. Deputadas estaduais e federais participam de decisões relacionadas a saúde, educação, segurança, infraestrutura, orçamento e direitos sociais, além de exercerem funções de fiscalização dentro de suas respectivas Casas.

Isso não significa que todas as parlamentares defenderão as mesmas pautas ou votarão da mesma maneira. A representatividade feminina não transforma as eleitas em um bloco político, mas aumenta a presença de mulheres em processos que historicamente tiveram predominância masculina.

É justamente por isso que o resultado das urnas vai além da estatística. A quantidade de mulheres eleitas mostra uma mudança na composição dos espaços de poder, enquanto os próximos quatro anos mostrarão como cada uma delas utilizará o mandato conquistado.

O recorde também aumenta a cobrança

A eleição de 20 mulheres para a Assembleia estabelece um marco, mas também cria uma nova referência para a cobrança dos eleitores. A partir de 2027, será possível acompanhar quais projetos essas parlamentares apresentarão, como votarão, quais comissões integrarão e de que maneira participarão da fiscalização do governo estadual.

Na Câmara dos Deputados, a lógica será semelhante. A população poderá acompanhar a atuação das deputadas em votações, projetos, comissões, articulações por recursos e discussões que tenham impacto sobre Minas Gerais e os municípios.

A representatividade, portanto, não termina com a conquista da cadeira. Ela ganha sentido ao longo do mandato, quando o eleitor consegue acompanhar o trabalho de quem recebeu seu voto e cobrar resultados.

Um avanço que ainda não significa igualdade

A história da participação feminina na política mineira ajuda a dimensionar o resultado de 2026. Em 1963, apenas duas mulheres foram eleitas para a Assembleia Legislativa. Ao longo das décadas, Minas passou por legislaturas com uma única deputada e até períodos sem nenhuma representante feminina.

Agora, 20 mulheres ocuparão as cadeiras da ALMG, o maior número já registrado pela Casa. O avanço é expressivo, mas elas ainda representarão somente 26% do Parlamento estadual, o que mostra que a participação feminina cresceu sem alcançar uma distribuição equilibrada entre homens e mulheres.

O resultado de 2026, portanto, reúne duas informações que precisam ser observadas ao mesmo tempo: Minas alcançou um recorde histórico de mulheres eleitas, mas a maioria das cadeiras continua nas mãos dos homens.

É nesse ponto que a próxima legislatura ganha importância. Mais mulheres chegaram ao poder, mas a dimensão dessa mudança será percebida não apenas pelo número de cadeiras ocupadas, e sim pela participação efetiva dessas parlamentares nas decisões que definem os rumos de Minas Gerais.

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