Gleide Andrade: da militância no PT à Câmara dos Deputados

De militante histórica do PT a deputada federal eleita, Gleide Andrade leva para Brasília uma trajetória construída nos bastidores da política e ligada a Divinópolis.

Publicado por: Cassia Misael

Nascida em Divinópolis, Gleide Andrade construiu uma carreira de quase quatro décadas dentro do PT, ocupou posições estratégicas na direção nacional da legenda e agora chega pela primeira vez ao Congresso Nacional.

Gleide Andrade de Oliveira, eleita deputada federal por Minas Gerais nas eleições de domingo (4), percorreu um caminho diferente dos outros políticos de Divinópolis que chegaram ao poder em 2026. Antes de conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados, ela passou décadas dentro do Partido dos Trabalhadores, ocupou cargos na estrutura partidária em Minas Gerais e chegou à Secretaria Nacional de Finanças e Planejamento do PT.

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Aos 55 anos, Gleide conseguiu em 2026 transformar uma longa trajetória partidária em mandato eletivo. Ela recebeu 130.253 votos, equivalentes a 1,14% dos votos válidos em Minas Gerais, e ficou com a nona maior votação entre os 53 deputados federais eleitos pelo estado.

A eleição também encerra uma tentativa anterior. Em 2022, Gleide já havia disputado uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não conseguiu se eleger. Naquela eleição, recebeu 49.620 votos.

Uma trajetória construída dentro do PT

Gleide nasceu em Divinópolis, em 25 de maio de 1971. É formada em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e construiu sua carreira profissional e política ligada ao Partido dos Trabalhadores.

A relação com o PT começou ainda nos anos 1980. Segundo informações divulgadas pelo próprio partido e reproduzidas pelo SBT, Gleide atua como militante petista desde 1986, período em que o partido ainda estava consolidando sua presença política no país.

Ao longo dos anos, deixou de ser apenas uma militante de base e passou a ocupar funções dentro da estrutura partidária.

Foi secretária de Finanças do PT em Minas Gerais e também exerceu funções na administração da Prefeitura de Belo Horizonte. Posteriormente, passou a integrar a Executiva Nacional do partido.

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Essa trajetória interna se tornou a principal característica de sua carreira política.

Enquanto outros nomes construíram sua força a partir de eleições municipais ou mandatos parlamentares, Gleide avançou pela estrutura partidária, participando das decisões, da organização e do financiamento político do PT.

Da organização partidária ao comando das finanças

Um dos momentos mais importantes de sua carreira aconteceu quando chegou à Secretaria Nacional de Finanças e Planejamento do PT.

O cargo colocou Gleide no centro da administração financeira de uma das maiores legendas do país.

A função envolve justamente uma área estratégica para o funcionamento partidário: a administração dos recursos do partido, incluindo a organização financeira e a estrutura relacionada às campanhas eleitorais.

Em 2025, a permanência de Gleide no comando da área financeira do PT esteve no centro de uma disputa interna da legenda. A Folha informou que ela administrava uma estrutura que envolvia centenas de milhões de reais em recursos partidários e eleitorais.

A posição também fez com que Gleide ganhasse espaço nas articulações políticas em Minas Gerais.

Uma mineira próxima da direção nacional

A atuação de Gleide ultrapassou os limites de Minas Gerais.

Como integrante da direção nacional do PT, ela participou de decisões estratégicas da legenda e manteve proximidade com nomes importantes do partido, entre eles a ex-presidente do PT e atual ministra Gleisi Hoffmann.

Em 2023, Gleide foi indicada para integrar o Conselho de Administração da Itaipu Binacional, em uma nomeação feita durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A indicação ampliou sua presença no cenário político nacional antes mesmo de conquistar um mandato.

A partir dali, sua atuação passou a combinar a estrutura partidária com articulações relacionadas ao governo federal e aos interesses de municípios mineiros.

A ponte entre Brasília e Minas

Em 2024, a Folha mostrou que Gleide vinha atuando junto a ministérios para buscar recursos e obras federais para municípios mineiros, mesmo sem exercer mandato eletivo.

Entre os exemplos citados estava a articulação relacionada à implantação de uma unidade do Instituto Federal em Bom Despacho e a busca por investimentos na área da saúde para Divinópolis.

Essa atuação ajudou a fortalecer sua presença política no Centro-Oeste de Minas.

Ao mesmo tempo, também provocou críticas dentro do próprio PT. Em 2024, o Estado de Minas publicou que integrantes da legenda questionavam a utilização da estrutura partidária e das articulações para fortalecer sua futura candidatura à Câmara dos Deputados.

O episódio mostra uma característica importante da trajetória de Gleide: sua ascensão não ocorreu sem disputas internas.

A primeira tentativa eleitoral

Apesar de décadas de militância, Gleide demorou para disputar um cargo eletivo.

A primeira candidatura registrada ocorreu somente em 2022, quando concorreu a deputada federal pelo PT de Minas Gerais.

Ela recebeu 49.620 votos, mas ficou fora da lista dos eleitos.

A derrota, entretanto, não interrompeu sua trajetória.

Nos anos seguintes, permaneceu em posição estratégica dentro do PT e ampliou sua atuação política em Minas Gerais.

Quando voltou a disputar a Câmara dos Deputados em 2026, portanto, já não era uma candidata desconhecida dentro da estrutura partidária.

A campanha que terminou em vitória

A eleição de 2026 teve um significado diferente.

Desta vez, Gleide conseguiu transformar sua experiência partidária e sua presença política em votos suficientes para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Foram 130.253 votos, colocando-a entre as dez maiores votações individuais de Minas Gerais para deputado federal.

O resultado também fez do PT uma das principais forças da bancada mineira. A legenda elegeu 12 deputados federais no estado, dentro da Federação Brasil da Esperança, que conquistou 13 cadeiras.

Para Gleide, porém, o resultado representa principalmente a transformação de uma carreira construída nos bastidores do partido em um mandato público.

A relação com Divinópolis

Apesar de ter construído grande parte da carreira política em Belo Horizonte e Brasília, Gleide mantém em Divinópolis sua origem e uma parcela importante de sua base política.

A cidade aparece como ponto de referência de sua trajetória e também como território estratégico durante a campanha.

Em junho de 2026, por exemplo, Gleide teve participação na articulação da visita de Lula a Divinópolis para a inauguração do Hospital Regional. A agenda presidencial colocou a petista novamente no centro das articulações políticas na cidade.

A presença de Gleide na agenda também evidenciou uma disputa política dentro da própria esquerda mineira, especialmente com Lohanna, que igualmente disputou uma vaga na Câmara dos Deputados e acabou eleita.

As duas, que disputavam espaço no mesmo campo político e eleitoral, terminaram a eleição com cadeiras no Congresso.

Uma política de bastidores que agora terá um plenário pela frente

A eleição muda a natureza da atuação de Gleide.

Durante décadas, seu trabalho esteve concentrado principalmente na organização partidária, nas articulações políticas e na gestão interna do PT.

A partir de 2027, ela terá um mandato para exercer diretamente.

Na Câmara dos Deputados, precisará participar de votações, comissões, debates sobre orçamento e elaboração de leis, além de construir articulações que ultrapassam os limites do PT.

A experiência acumulada dentro da direção nacional do partido pode ser uma vantagem nesse processo, especialmente pela proximidade que já possui com dirigentes e integrantes do governo federal.

Por outro lado, o mandato também exigirá uma mudança de posição: deixar de atuar principalmente na construção das estratégias partidárias para passar a responder diretamente ao eleitorado.

O que muda para Divinópolis

Com a eleição de Gleide, Divinópolis ganha mais um nome no Congresso Nacional.

Ela se junta a Ana Elisa e Gleidson Azevedo, também eleitos deputados federais, enquanto Cleitinho Azevedo chega ao Governo de Minas e Eduardo Azevedo conquista uma vaga na Assembleia Legislativa.

A cidade passa, assim, a ter uma presença política expressiva em diferentes níveis de poder.

No caso de Gleide, a representação tem ainda uma característica particular: ela chega à Câmara dos Deputados depois de construir sua carreira justamente na estrutura que articula a política nacional do PT.

De militante a deputada federal

A trajetória de Gleide Andrade pode ser resumida como uma longa caminhada dentro de uma mesma legenda.

Começou na militância do PT nos anos 1980, passou pela estrutura partidária em Minas Gerais, ocupou funções na administração pública, chegou à direção nacional do partido, comandou as finanças da legenda e participou de articulações políticas em Brasília e Minas Gerais.

Tentou pela primeira vez uma eleição em 2022.

Quatro anos depois, voltou às urnas e conseguiu o resultado que buscava.

A militante de décadas deixa os bastidores da política partidária para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

E, ao lado de outros seis nomes ligados a Divinópolis, passa a fazer parte do grupo que colocou a cidade em uma posição de destaque na política mineira após as eleições de 2026.

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