Minas Gerais terá 314 novas UBS em plano de preparação para impactos do El Niño

Unidades serão distribuídas por 259 municípios, com investimento federal de R$ 711,5 milhões; projetos incluem medidas de sustentabilidade e adaptação para eventos climáticos extremos

Publicado por: Cassia Misael

Bigode: Unidades serão distribuídas por 259 municípios, com investimento federal de R$ 711,5 milhões; projetos incluem medidas de sustentabilidade e adaptação para eventos climáticos extremos

Minas Gerais terá 314 novas Unidades Básicas de Saúde (UBS) distribuídas por 259 municípios como parte da estratégia do governo federal para ampliar a capacidade de atendimento do SUS e preparar a rede pública para os impactos de eventos climáticos extremos, entre eles os associados ao El Niño. O investimento previsto para o estado chega a R$ 711,5 milhões.

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O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante uma coletiva realizada nesta semana. A iniciativa integra uma estratégia nacional de adaptação da infraestrutura do Sistema Único de Saúde diante de mudanças nas condições climáticas e dos efeitos que períodos de calor intenso, temporais e outros eventos extremos podem provocar sobre a saúde da população.

Das 314 unidades previstas para Minas Gerais, nove já foram concluídas. Entretanto, o Ministério da Saúde ainda não divulgou um cronograma para a conclusão das outras 305 UBS. Também não há, até o momento, informação pública que confirme se todas as unidades já finalizadas estão em funcionamento.

UBS serão preparadas para enfrentar eventos climáticos extremos

A proposta não se limita à ampliação do número de unidades de atendimento. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, os projetos das novas UBS incorporam medidas de sustentabilidade, adaptação e resiliência, com o objetivo de manter a estrutura de atendimento em condições climáticas adversas.

Entre as soluções previstas estão sistemas de ventilação e iluminação naturais, reuso de água, equipamentos de menor consumo energético e geração de energia por meio de painéis solares. Dessa maneira, a estrutura física das unidades também passa a considerar os desafios provocados pelas mudanças climáticas.

A estratégia ganha importância diante do cenário climático projetado para os próximos meses. O Ministério da Saúde informou que o El Niño está em nível forte, com possibilidade de permanecer até o início de 2027. No Sudeste, o fenômeno pode contribuir para períodos de temperaturas acima da média e ocorrência de temporais em determinados períodos.

Mais de 250 municípios mineiros serão contemplados

As novas unidades serão distribuídas por diferentes regiões de Minas Gerais. Entre os municípios contemplados estão Belo Horizonte, Betim, Contagem, Uberlândia, Uberaba, Patos de Minas, Governador Valadares, Montes Claros, Juiz de Fora, Teófilo Otoni, Ipatinga, Poços de Caldas, Pouso Alegre e Varginha.

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A distribuição busca ampliar a presença da atenção primária e aumentar a capacidade de atendimento em diferentes territórios. Com uma rede mais próxima da população, o SUS pode responder de forma mais descentralizada a situações que elevem a procura por serviços de saúde.

No caso de eventos climáticos extremos, essa estrutura ganha relevância porque períodos prolongados de calor, por exemplo, podem aumentar a ocorrência de problemas cardiovasculares e respiratórios. Além disso, alterações no regime de chuvas e nas temperaturas podem favorecer a ocorrência de doenças transmitidas por vetores, como as arboviroses.

El Niño coloca saúde pública em alerta

O Ministério da Saúde vem adotando medidas específicas para preparar o SUS para os possíveis impactos do fenômeno. Em setembro, a pasta mobilizou gestores estaduais para avançar na elaboração de Planos Estaduais de Enfrentamento ao El Niño, considerando as características e vulnerabilidades de cada território.

Para Minas Gerais, o cenário exige atenção principalmente diante da possibilidade de temperaturas elevadas e eventos extremos que podem pressionar a rede de atendimento. A preparação, portanto, envolve não apenas a construção de novas unidades, mas também o planejamento de respostas e o monitoramento dos riscos à saúde.

O Ministério da Saúde também anunciou ações específicas para o Sudeste, incluindo monitoramento do calor e medidas de prevenção relacionadas a doenças que podem aumentar em períodos de instabilidade climática.

Investimento faz parte de estratégia nacional

Os R$ 711,5 milhões destinados às novas UBS em Minas Gerais integram uma política nacional mais ampla de adaptação do SUS. O programa AdaptaSUS prevê investimentos e medidas para aumentar a capacidade de resposta dos serviços de saúde diante das mudanças climáticas.

O planejamento nacional estabelece metas e ações de longo prazo para fortalecer a infraestrutura e preparar os serviços para diferentes cenários. A proposta considera que eventos climáticos extremos podem afetar diretamente a população e, ao mesmo tempo, comprometer o funcionamento de unidades de saúde.

Nesse contexto, a construção de UBS com características de resiliência climática busca unir ampliação da assistência e adaptação da infraestrutura. A ideia é que as novas unidades não apenas aumentem a oferta de atendimento, mas também tenham condições estruturais mais adequadas para operar diante de situações adversas.

Entrega das novas unidades ainda não tem cronograma completo

Apesar do anúncio dos investimentos e da definição dos municípios contemplados, a implantação das unidades ainda ocorrerá de forma gradual.

Até o momento, nove das 314 UBS previstas para Minas Gerais já foram concluídas, enquanto as outras 305 ainda não possuem, segundo as informações divulgadas, uma previsão pública de entrega. Por isso, o impacto da expansão sobre o atendimento da população será percebido à medida que as obras forem concluídas e as unidades entrarem efetivamente em funcionamento.

A expansão representa, portanto, uma das frentes adotadas pelo governo federal para preparar o sistema público de saúde diante de um cenário de maior pressão provocada por eventos climáticos extremos. Em Minas Gerais, o investimento alcança 259 municípios e amplia a perspectiva de reforço da atenção básica em diferentes regiões do estado.

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