O episódio de violência que fez a família do senhor Mauro deixar às pressas um sítio na região de Ermida ganhou, nesta terça-feira (15), um novo e preocupante capítulo. Ao tomar conhecimento de que cães e aves haviam permanecido na propriedade depois que a família deixou o local, com medo de serem mortos, o Divinews acionou os vereadores Flávio Marra, ligado à defesa da causa animal, e Walmir Ribeiro, que mantém atuação política na região. Os dois foram ao local com a reportagem e encontraram vários cães do lado de fora da casa, galinhas e um cachorro machucado, mancando e sem água dentro de um compartimento. O cenário, porém, não decorre de uma decisão deliberada da família de abandonar os animais: segundo os relatos reunidos pelo portal, os moradores deixaram tudo para trás em meio ao medo provocado pelas agressões que atribuem a Rildo José Jesuino.
A visita ocorreu dois dias depois do episódio que, segundo a família, terminou com o senhor Mauro, de 77 anos, e suas duas filhas agredidos. O relato aponta Rildo José Jesuino como autor das agressões. A família sustenta ainda que um vizinho interveio quando ele teria ido até um veículo buscar um machado, impedindo que a situação terminasse de forma ainda mais grave.
Na visita desta terça, o Divinews encontrou sinais claros de que os moradores saíram da propriedade de forma abrupta. Em um dos registros feitos no local, a equipe observa que partes do imóvel sequer ficaram devidamente fechadas após a saída da família.
O temor permanece. Durante a vistoria, a reportagem registrou que a família não se sente segura para retornar à propriedade e já cogita vender o sítio por causa das lembranças e do receio de novos episódios.
Cão já havia recebido atendimento veterinário antes da agressão
Entre os animais encontrados estava justamente um cachorro que já apresentava ferimento antes do episódio envolvendo a família. Segundo as informações apuradas no local, os próprios familiares perceberam o problema, levaram o animal ao veterinário e providenciaram atendimento. Foi durante o retorno dessa ida ao veterinário, segundo o relato registrado pelo Divinews, que ocorreu a agressão contra a família.
Nesta terça-feira, o cão permanecia dentro de um compartimento da propriedade. Durante a vistoria, os presentes perceberam que ele mancava e demonstrava medo. Flávio Marra verificou a situação e providenciou água para o animal.
Esse detalhe é importante para afastar uma interpretação injusta contra os próprios tutores. A família não deixou o cachorro ferido sem assistência e simplesmente foi embora. Antes da violência, já havia buscado tratamento veterinário. O afastamento posterior ocorreu, de acordo com seus integrantes, porque temiam retornar ao local.
Os vereadores também encontraram outros cães e aves na propriedade. Durante a vistoria, a equipe verificou as condições das galinhas e providenciou alimentação para os animais que permaneceram no sítio.
“O animal não sabe pedir socorro”, diz Flávio Marra
Flávio Marra chamou atenção para uma consequência que muitas vezes passa despercebida em episódios de violência contra famílias rurais: quando as pessoas precisam fugir, os animais podem ficar presos à propriedade e sofrer os efeitos da situação.
“A família sabe correr, sabe pedir socorro, sabe pedir abrigo. O animal não sabe”, afirmou o vereador durante a vistoria.
Marra avaliou que as circunstâncias precisam chegar às autoridades responsáveis pela proteção animal. A legislação federal tipifica como crime praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais. Quando a vítima é cão ou gato, a Lei de Crimes Ambientais prevê reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda. A responsabilização por este caso específico, entretanto, depende de apuração sobre quem provocou cada situação e sobre eventual ação ou omissão relacionada aos animais.
O Divinews também ressalta que não há, até aqui, comprovação de que Rildo tenha causado diretamente o ferimento já existente no cachorro. A própria apuração mostra que a família já havia levado o cão ao veterinário antes das agressões. Qualquer afirmação diferente dependerá de prova veterinária, testemunhal ou policial.
O ponto comprovado pela visita é outro: o episódio de violência relatado pela família provocou uma retirada precipitada do imóvel e deixou os animais em situação de vulnerabilidade, exigindo intervenção posterior para verificar água, alimentação e condições de saúde.
Mourões da cerca desapareceram da propriedade
A ida ao sítio também levantou outro ponto que precisa de esclarecimento. A reportagem verificou que os mourões de eucalipto que formavam a cerca mencionada na disputa não estavam mais no local. A controvérsia sobre a cerca já vinha de uma questão envolvendo a área do imóvel e, segundo a família, havia alcançado uma solução antes do episódio de violência.
Relatos encaminhados ao Divinews apontam que Rinaldo, irmão de Rildo, teria providenciado a locação de um trator pertencente a Reni para a retirada da cerca. A família também afirma que os mourões teriam deixado a propriedade.
O Divinews ainda não possui elementos suficientes para afirmar quem ficou definitivamente com a madeira nem qual destino os mourões receberam. Também não há qualquer prova, neste momento, de que a madeira tenha virado carvão, mesmo com a informação de que Reni atua no segmento de carvoaria. Esse ponto exige resposta objetiva do envolvido, e não especulação. As perguntas são simples: quem retirou os mourões? Quem autorizou a retirada? Onde está a madeira?
Retirada da madeira pode ser chamada de roubo?
O Divinews não classifica neste momento a retirada dos mourões como “roubo”. O Código Penal exige violência ou grave ameaça ligada à subtração para caracterizar roubo. Já o furto ocorre quando alguém subtrai coisa alheia móvel para si ou para terceiro. A apropriação indébita pressupõe situação diferente: o agente inicialmente possui ou detém legitimamente o bem e depois se apropria dele.
Portanto, se a investigação confirmar que alguém retirou e levou madeira pertencente a outra pessoa sem autorização válida, as autoridades poderão analisar eventual crime patrimonial, mas a classificação dependerá da propriedade do material, de quem autorizou sua retirada, da forma como ocorreu e da intenção dos envolvidos.
Se houver propriedade comum ou discussão sobre participação societária, o Código Penal ainda prevê situação específica para a subtração de coisa comum por condômino, co-herdeiro ou sócio. A eventual autorização de Rinaldo também exige análise: para que essa autorização tenha relevância, será preciso esclarecer se ele possuía poderes ou direito sobre aqueles mourões.
Fala de Rinaldo abre nova contradição a ser esclarecida
Rinaldo já afirmou que não mantém mais sociedade com o irmão Rildo. Essa versão, entretanto, coloca uma questão adicional diante das informações agora reunidas sobre a retirada da cerca. Se a sociedade realmente havia terminado e Rinaldo não participava mais dos negócios de Rildo, qual foi exatamente a atuação dele na questão da cerca?
E mais: como Rildo tomou conhecimento da existência da cerca e da presença de Mauro na propriedade? Durante uma conversa registrada pelo Divinews sobre a disputa, aparecem referências à escritura, ao levantamento topográfico e à retirada da cerca. A própria transcrição apresenta trechos prejudicados pelo áudio, razão pela qual o portal evita atribuir declarações além do que consegue confirmar com segurança.
O que precisa de esclarecimento agora não é apenas a existência ou não de sociedade formal. A reportagem quer compreender qual ligação prática Rinaldo manteve com as providências relacionadas à propriedade, à cerca e ao trator utilizado na retirada. O Divinews mantém espaço aberto para que Rinaldo explique sua participação, assim como para manifestação de Rildo e Reni.
Família deixou para trás muito mais que uma casa
A cena encontrada nesta terça-feira ajuda a dimensionar a consequência do episódio. Não estavam ali apenas uma casa vazia, ferramentas e animais esperando pelos donos. O Divinews encontrou uma propriedade abandonada às pressas por uma família que, segundo os relatos reunidos até agora, tem medo de voltar ao lugar onde vivia.
Os cães permaneceram no sítio. As galinhas também. Um dos animais, mesmo depois do atendimento veterinário providenciado pela própria família, acabou dentro de um compartimento, mancando e precisando de água quando a equipe chegou. A família, segundo os registros feitos durante a visita, afirma que não pretende retornar e considera vender a propriedade.
Flávio Marra e Walmir Ribeiro acompanharam a vistoria depois que o Divinews comunicou a situação. A partir de agora, o caso também exige acompanhamento dos órgãos responsáveis para garantir proteção, alimentação, água e atendimento veterinário aos animais enquanto a família não conseguir retornar com segurança.
Ao mesmo tempo, as autoridades ainda precisam esclarecer o episódio de violência, a retirada da cerca e o destino dos mourões. Para a família de Mauro, porém, o impacto já ultrapassou qualquer disputa sobre terra: o medo a expulsou temporariamente do próprio sítio e atingiu até aqueles que não têm como fugir sozinhos, os animais que ficaram para trás.






