Datafolha: Cleitinho sobe a 37%, abre 24 pontos e coloca vitória no 1º turno no radar; em eventual 2º turno, vence Patrus e Kalil

Senador cresce cinco pontos desde agosto e mantém liderança isolada; cálculo dos votos válidos mostra que ele ainda não venceria hoje no primeiro turno, mas está a cerca de 3,2 pontos percentuais do limite necessário entre os eleitores que já escolheram candidato

Publicado por: Geraldo Passos

Cleitinho Azevedo (Republicanos) ampliou a vantagem na corrida pelo Governo de Minas Gerais e chegou a 37% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (11). O senador cresceu cinco pontos em relação ao levantamento de 21 de agosto, quando tinha 32%, e abriu 24 pontos de vantagem sobre Patrus Ananias (PT), segundo colocado com 13%. Alexandre Kalil (PDT) aparece com 11%. Além da liderança isolada, os números colocam uma nova questão sobre a mesa: diante do volume de indecisos, brancos e nulos, existe possibilidade matemática de Cleitinho liquidar a eleição ainda no primeiro turno? A resposta é sim, existe uma combinação possível, mas o retrato central da pesquisa ainda não mostra essa vitória assegurada.

O Datafolha entrevistou 1.204 eleitores mineiros entre os dias 8 e 10 de setembro, por abordagem presencial. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MG-01611/2026.

Continua depois da publicidade

Depois de Cleitinho, com 37%, aparecem Patrus, com 13%, e Kalil, com 11%. Mateus Simões (PSD), Flávio Roscoe (PL) e Gabriel Azevedo (MDB) têm 4% cada. Túlio Lopes (PCB) registra 3%. Ben Mendes (Missão), Rafael Duda (PSTU) e Henrique Áreas (PCO) aparecem com 1% cada. Indira Xavier (UP) não pontuou. Brancos e nulos somam 11%, enquanto 10% disseram ainda não saber em quem votar.

Cleitinho cresce cinco pontos enquanto adversários permanecem distantes

A comparação com a rodada anterior do próprio Datafolha evidencia o avanço do senador. Em 21 de agosto, Cleitinho tinha 32%, enquanto Patrus e Kalil apareciam empatados numericamente com 12%. Agora, Cleitinho chega a 37%, Patrus oscila para 13% e Kalil para 11%. Considerada a margem de erro, os dois continuam tecnicamente empatados na disputa pela segunda colocação.

O cenário também confirma uma tendência observada em outros levantamentos recentes. A Quaest divulgada em 8 de setembro colocou Cleitinho com 32%, contra 11% de Patrus e 11% de Kalil. Já a AtlasIntel apontou 41% para Cleitinho, 30% para Patrus e 9,2% para Kalil. Como os institutos utilizam metodologias diferentes, os percentuais não devem ser comparados diretamente, mas os três levantamentos têm um ponto em comum: Cleitinho aparece na liderança da disputa estadual.

E a vitória no primeiro turno? A matemática começa pelos votos válidos

Para entender esse cenário, é necessário separar intenção de voto do critério utilizado pela Justiça Eleitoral. Para ser eleito governador no primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos. Votos brancos e nulos não entram nesse cálculo. Se ninguém alcançar a maioria absoluta, os dois candidatos mais votados disputam o segundo turno.

No Datafolha desta sexta-feira, a soma das intenções de voto atribuídas a todos os candidatos é de aproximadamente 79%. Os outros 21% estão divididos entre 11% de brancos e nulos e 10% de indecisos.

Cleitinho possui 37 pontos desses 79 pontos atualmente destinados a candidatos. Quando fazemos a conta apenas sobre esse universo, chegamos a:

Continua depois da publicidade

37 ÷ 79 = 46,8%

Ou seja, entre os eleitores que neste momento já indicam algum candidato, Cleitinho teria aproximadamente 46,8% dos votos válidos.

Esse é um dado importante. Ele ainda estaria abaixo dos mais de 50% necessários para encerrar a eleição no primeiro turno, mas estaria a aproximadamente 3,2 pontos percentuais desse patamar quando a base é convertida em votos válidos.

O detalhe decisivo: Cleitinho tem 37%, mas todos os adversários juntos têm 42%

Existe uma maneira ainda mais simples de visualizar a conta. Hoje, Cleitinho registra 37%. Todos os demais candidatos, somados, têm aproximadamente 42%. Para ganhar no primeiro turno, Cleitinho precisa terminar com mais votos válidos do que todos os seus adversários juntos. Portanto, no retrato atual, o chamado “campo adversário” ainda supera o senador por aproximadamente cinco pontos: 42% contra 37%. É justamente o comportamento dos 10% de indecisos, além de possíveis migrações entre candidatos nas próximas semanas, que pode mudar essa equação.

Quanto dos indecisos Cleitinho precisaria conquistar?

Se os 10 pontos de eleitores hoje indecisos decidissem votar em algum candidato e os 11% de brancos e nulos permanecessem como estão, o total de votos válidos projetados subiria de 79% para 89%. Neste cenário extremo, para ultrapassar metade dos votos válidos, Cleitinho precisaria superar 44,5 pontos. Como atualmente tem 37%, precisaria chegar a pelo menos algo próximo de 45% do eleitorado total.

Isso significaria conquistar aproximadamente oito dos dez pontos hoje indecisos, caso nenhum eleitor atualmente declarado para outro candidato mudasse de posição. Com 45 pontos em um universo de 89 pontos válidos: 45 ÷ 89 = 50,6% dos votos válidos.

Nesse cenário, matematicamente, Cleitinho venceria no primeiro turno. Se conquistasse apenas sete desses dez pontos e os outros três fossem para adversários, teria 44 votos em uma base válida de 89, equivalentes a 49,4%, insuficientes para liquidar a disputa.

Brancos e nulos ajudam? Indiretamente, mas não entregam a eleição sozinhos

Existe um detalhe importante: Quanto maior a quantidade de votos brancos e nulos no dia da eleição, menor é a quantidade absoluta de votos necessária para atingir mais de 50% dos votos válidos. Mas esses votos não são transferidos para Cleitinho nem para qualquer candidato. Eles simplesmente são retirados do cálculo. O TSE é explícito ao afirmar que brancos e nulos não integram o universo dos votos válidos.

Por isso, os atuais 11% de brancos e nulos favorecem matematicamente qualquer candidato que esteja muito à frente, mas não bastariam sozinhos para eleger Cleitinho no primeiro turno. Mesmo retirando os 11% de brancos e nulos e também desconsiderando momentaneamente os indecisos, Cleitinho chega aos já mencionados 46,8% dos votos definidos, ainda abaixo do necessário.

Ele precisa, portanto, de uma combinação de fatores: conquistar parte significativa dos indecisos, receber votos que atualmente estão com outros candidatos ou fazer as duas coisas simultaneamente. Uma mudança pequena entre adversários também altera muito a conta

Há outra variável que torna o primeiro turno matematicamente possível: migração de voto. Hoje, entre os eleitores que indicam candidato, a situação é aproximadamente: Cleitinho: 37 pontos / Todos os adversários juntos: 42 pontos

Imagine, apenas como exercício matemático, que três pontos percentuais atualmente distribuídos entre outros candidatos migrassem diretamente para Cleitinho, enquanto indecisos permanecessem fora da base válida. O placar passaria para: Cleitinho: 40 / Adversários: 39

Nesse cenário hipotético, Cleitinho teria: 40 ÷ 79 = 50,6% dos votos válidos. Portanto, o senador não precisa necessariamente conquistar quase todos os indecisos. Uma combinação entre crescimento entre os indecisos e transferência de votos hoje destinados aos adversários pode levá-lo acima da linha dos 50%.

É possível dizer que Cleitinho tem chance de ganhar no primeiro turno?

Matematicamente, sim. Estatisticamente, a pesquisa ainda não autoriza afirmar que ele venceria hoje no primeiro turno. Essa distinção é fundamental.

O Datafolha mostra Cleitinho com 37% do eleitorado total e aproximadamente 46,8% quando se considera apenas a soma das atuais intenções destinadas a candidatos. Portanto, ele está relativamente próximo da maioria absoluta dos votos válidos, mas ainda abaixo dela.

Também não é correto utilizar simplesmente a margem de erro de três pontos e afirmar que Cleitinho “já teria 40% e, portanto, estaria eleito”. A margem de erro representa a incerteza estatística da pesquisa e não funciona como pontos que podem ser adicionados livremente a um candidato. O próprio Datafolha ressalta que pesquisas representam um retrato do momento, e não uma previsão do resultado da eleição.

O que os números permitem afirmar é diferente: o primeiro turno deixou de ser uma hipótese matematicamente distante. Para que aconteça, porém, Cleitinho precisa ampliar sua votação líquida em relação à soma dos adversários.

Segundo turno mostra vantagem ainda maior

Se a eleição for para uma segunda rodada, o cenário apresentado pelo Datafolha é amplamente favorável ao senador. Contra Alexandre Kalil, Cleitinho aparece com 54%, contra 29% do ex-prefeito de Belo Horizonte. Em uma disputa contra Patrus Ananias, a vantagem é ainda maior: 59% a 24%.

A rejeição de Cleitinho também está abaixo das registradas pelos dois principais adversários na pesquisa. Patrus é rejeitado por 30% dos entrevistados e Kalil, por 24%. Cleitinho tem rejeição de 15%, mesmo índice de Mateus Simões e Ben Mendes.

Na pesquisa espontânea, quando o entrevistador não apresenta uma lista de candidatos, Cleitinho também lidera com 22%. Patrus aparece com 5% e Kalil com 4%. Nesse modelo, entretanto, 53% ainda não sabem espontaneamente em quem votar, demonstrando que a corrida ainda possui parcela expressiva do eleitorado sem escolha consolidada.

O que observar nas próximas pesquisas do DataFolha

Mais importante que verificar apenas se Cleitinho continuará na casa dos 37% será acompanhar a proporção dele dentro dos votos válidos projetados. Se nas próximas rodadas o senador avançar para algo próximo de 40% do eleitorado total, enquanto brancos, nulos e indecisos permanecerem elevados e os adversários continuarem fragmentados, a possibilidade de vitória no primeiro turno passará a ser ainda mais concreta matematicamente.

Por outro lado, se Patrus, Kalil ou outro candidato começarem a concentrar o voto hoje dividido entre os adversários de Cleitinho, a soma do campo concorrente pode impedir que o senador atravesse a barreira da maioria absoluta.

A fotografia desta sexta-feira (11), portanto, mostra duas realidades simultâneas: Cleitinho é hoje o favorito isolado na corrida pelo Governo de Minas e venceria os adversários testados em segundo turno; ao mesmo tempo, ainda precisa crescer para transformar a liderança confortável em uma vitória já no primeiro domingo de outubro.

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados