Site falso, Pix desviado e R$ 1,7 milhão de prejuízo: MPMG mira quadrilha que enganava contribuintes em Minas

Investigação aponta que criminosos reproduziam páginas oficiais para induzir vítimas ao pagamento do imposto; 10 suspeitos foram presos

Publicado por: Cassia Misael

Uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes contra contribuintes mineiros por meio da clonagem do portal oficial de pagamento do IPVA foi alvo de uma operação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) nesta quinta-feira (3). Segundo as investigações, o grupo teria desviado mais de R$ 1,7 milhão de pessoas que acreditavam estar quitando o imposto junto ao Governo de Minas. Batizada de Operação Contramão, a ação cumpriu 14 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão em cidades dos estados de Goiás, Maranhão e São Paulo, além do Distrito Federal.

As investigações são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber) e pela 11ª Promotoria de Justiça de Belo Horizonte.

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Até o momento, 10 investigados foram presos. Durante o cumprimento das ordens judiciais, os agentes também apreenderam celulares, notebooks, pendrives e cartões bancários. Além do material relacionado à investigação, foram encontrados 11 papelotes de cocaína e um simulacro de arma de fogo.

Portal falso enganava contribuintes

De acordo com o MPMG, o grupo desenvolveu páginas na internet praticamente idênticas ao portal oficial utilizado pelos contribuintes para consultar e pagar o IPVA.

O esquema funcionava de forma a induzir a vítima a acreditar que estava acessando um serviço legítimo do Governo de Minas. Depois de preencher os dados e avançar para o pagamento, entretanto, o dinheiro enviado por Pix não chegava aos cofres públicos.

Os valores eram direcionados para contas bancárias controladas ou utilizadas pelos criminosos.

Segundo as investigações, o esquema estaria em funcionamento desde 2024 e teria feito vítimas ao longo desse período.

A estratégia explorava justamente a aparência de legitimidade dos sites. Os criminosos utilizavam domínios que continham palavras associadas aos serviços públicos, como “gov”, “detran” e “minasgerais”, para aumentar a confiança dos usuários.

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Empresas de fachada ajudavam a movimentar dinheiro

Além da criação dos portais falsos, a organização teria utilizado empresas de fachada para receber e movimentar os recursos obtidos com os golpes.

Segundo o MPMG, os nomes dessas empresas também eram escolhidos para simular alguma relação com serviços de arrecadação pública.

Depois de recebidos, os valores eram pulverizados entre diferentes contas bancárias localizadas em Goiás, Maranhão, São Paulo e no entorno do Distrito Federal.

A estratégia dificultava o rastreamento do dinheiro e, segundo os investigadores, fazia parte da estrutura utilizada pela organização para movimentar os recursos desviados.

Operação mira estrutura criminosa

A Operação Contramão foi deflagrada justamente para atingir não apenas os responsáveis pela criação das páginas falsas, mas também a estrutura utilizada para receber e movimentar o dinheiro obtido ilegalmente.

As apreensões realizadas nesta quinta-feira deverão ajudar os investigadores a identificar novas informações sobre o funcionamento do grupo.

Celulares, computadores, pendrives e cartões bancários serão submetidos à análise. O conteúdo desses equipamentos poderá contribuir para identificar outros integrantes, vítimas, contas utilizadas e a extensão do esquema.

As buscas pelos demais suspeitos continuam.

Prejuízo supera R$ 1,7 milhão

O levantamento feito durante a investigação aponta que o grupo teria conseguido desviar mais de R$ 1,7 milhão por meio do golpe.

O valor representa pagamentos que contribuintes mineiros acreditavam estar realizando para quitar o IPVA, mas que acabaram sendo desviados.

A investigação ainda está em andamento e o número de vítimas e o montante total movimentado pelo grupo poderão ser atualizados após a análise do material apreendido.

Como o processo tramita sob sigilo, detalhes adicionais sobre os investigados e sobre a dinâmica financeira da organização ainda não foram divulgados.

Atenção redobrada ao pagar o IPVA

O caso serve também como alerta para os contribuintes, especialmente diante do uso de páginas falsas que reproduzem visualmente sites oficiais.

A utilização de termos como “gov”, “detran” ou “minasgerais” no endereço de um site não é suficiente para garantir que a página seja verdadeira. Golpistas podem utilizar palavras relacionadas a órgãos públicos justamente para transmitir uma falsa sensação de segurança.

Antes de realizar qualquer pagamento, principalmente por Pix, é importante conferir cuidadosamente o endereço eletrônico acessado e utilizar os canais oficiais do Governo de Minas.

No golpe investigado pelo MPMG, a aparência semelhante à página oficial foi justamente um dos recursos utilizados para convencer as vítimas de que o pagamento estava sendo feito de forma legítima.

A investigação continua para identificar todos os envolvidos e esclarecer completamente a movimentação dos valores desviados.

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