Cleitinho (Republicanos) é a favor do fim da escala 6×1 e lembra pai: “Nunca teve um dia de folga na vida”

Senador mineiro vota na contramão da direita e do empresariado que se posicionam contra os trabalhadores, sob a alegação de que provocará desemprego

Publicado por: Cassia Misael

O senador Cleitinho (Republicanos-MG) reafirmou que vai votar contra a escala de trabalho 6×1 e a favor da proposta que prevê mudanças na jornada dos trabalhadores. Em um discurso marcado pela emoção, o parlamentar contou a história do pai para explicar sua posição e afirmou que a decisão tem um significado que vai além da disputa política.

“Eu estou fazendo isso aqui, eu acho que é o dia mais importante da minha vida, porque é pelo meu pai”, afirmou Cleitinho. A declaração ocorre em um momento importante para a discussão sobre a jornada de trabalho no Congresso. Na quarta-feira (2), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a proposta que prevê o fim da escala 6×1, fazendo com que a matéria avance para o Plenário da Casa.

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Para Cleitinho, a discussão não deve ser tratada apenas como uma disputa entre esquerda e direita. O senador, que se identifica politicamente com a direita, defende que a questão precisa ser analisada principalmente pelo impacto que a jornada de trabalho provoca na vida dos trabalhadores e de suas famílias.

“Meu pai nunca teve uma folga na vida”

Ao explicar por que pretende votar pelo fim da escala 6×1, Cleitinho recorreu à própria história familiar. Segundo o senador, desde que era criança, acompanhou a rotina de trabalho do pai, que, conforme seu relato, praticamente não tinha tempo para descansar ou estar presente em momentos importantes da vida da família.

Cleitinho contou que gostaria que o pai tivesse participado de jogos de futebol, de apresentações em que atuava como cantor e até de sua formatura. No entanto, segundo ele, o trabalho sempre acabava impedindo essa presença.

“Meu pai nunca teve uma folga na vida dele”, relatou. O senador também lembrou como a rotina de trabalho afetava até mesmo as datas comemorativas. Segundo seu relato, no dia 24 de dezembro o pai precisava dormir mais cedo porque trabalharia no dia seguinte, no Natal. Na virada do ano, a situação se repetia: no dia 31, precisava descansar antecipadamente porque teria de trabalhar em 1º de janeiro.

Para Cleitinho, essa experiência ajuda a explicar por que a discussão sobre a jornada de trabalho não pode ser reduzida apenas a números ou regras trabalhistas. Na visão do senador, o debate envolve também o direito de o trabalhador ter tempo para descansar, conviver com a família e acompanhar momentos importantes da própria vida.

O descanso só veio depois da morte

O momento mais forte do discurso ocorreu quando Cleitinho falou sobre a morte do pai. Segundo o senador, ele só deixou de trabalhar definitivamente quando morreu de câncer. Cleitinho contou que, depois de se tornar político e melhorar de vida, conseguiu proporcionar ao pai melhores condições, mas não teve tempo de cumprir uma promessa que havia feito: garantir que ele pudesse finalmente descansar.

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“Quando eu me tornei político e consegui dar uma vida melhor pro meu pai, meu pai veio morrer”, declarou. A lembrança foi utilizada pelo senador para explicar por que a discussão sobre a escala 6×1 possui um significado pessoal. Segundo ele, sua intenção é evitar que outros trabalhadores passem pela mesma situação e tenham a vida profissional ocupando espaço de momentos que não podem ser recuperados. “Então eu estou fazendo isso aqui pelo meu pai, pelo seu pai, pela sua mãe e pelo futuro do país”, afirmou.

Cleitinho já defendia o fim da escala 6×1

A posição manifestada agora não é nova. Ao longo de 2026, Cleitinho já havia defendido publicamente mudanças na jornada de trabalho e cobrado do Senado uma discussão sobre o fim da escala 6×1. Em pronunciamentos anteriores, o senador afirmou que a pauta não deveria ser tratada como uma bandeira exclusiva de determinado campo político. Para ele, trabalhadores precisam ter mais tempo de descanso e convivência familiar.

Cleitinho também defendeu a PEC 221/2019, que está entre as propostas relacionadas à redução da jornada e ao fim da escala 6×1. A defesa do parlamentar ocorre mesmo diante de sua identificação política com a direita, colocando o tema entre as pautas nas quais ele afirma não seguir uma divisão tradicional entre governo e oposição.

O que está em discussão

A escala 6×1 permite que o trabalhador cumpra seis dias de trabalho para ter um dia de descanso. A mudança em discussão no Senado busca ampliar o período de descanso semanal e reduzir a jornada máxima de trabalho. O texto aprovado pela CCJ prevê jornada máxima de 40 horas semanais, em vez das atuais 44 horas, além de dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial.

A proposta também estabelece uma implementação progressiva da mudança, de forma que a redução da jornada não aconteça de maneira imediata.

O tema ganhou força no Congresso diante da discussão sobre os efeitos da escala de seis dias de trabalho sobre a saúde, o descanso e a convivência familiar. Ao mesmo tempo, a mudança provoca debates sobre os impactos para empresas, custos e organização das atividades econômicas.

Proposta ainda precisa passar pelo Plenário

Apesar da aprovação na CCJ, a proposta ainda não está definitivamente aprovada. O texto precisa ser analisado pelo Plenário do Senado em dois turnos. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, são necessários pelo menos três quintos dos votos dos senadores em cada turno de votação.

Com isso, a posição dos parlamentares passa a ganhar ainda mais importância na próxima etapa da tramitação. Cleitinho, por sua vez, já deixou claro como pretende votar.

O senador afirma que será favorável ao fim da escala 6×1 e apresenta a decisão não apenas como uma posição política, mas também como uma forma de transformar a experiência vivida pelo próprio pai em uma defesa de trabalhadores que enfrentam longas jornadas.

Ao falar sobre o tema, Cleitinho resumiu sua motivação na história de um homem que, segundo ele, trabalhou durante toda a vida e não teve tempo suficiente para acompanhar os momentos mais importantes da família.

Agora, o senador pretende levar essa história para o Plenário e votar pelo fim da escala que, para ele, representa justamente aquilo que seu pai viveu durante décadas: muito trabalho e pouco tempo para viver.

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