A Una Divinópolis se manifestou após questionamentos do Divinews sobre uma controvérsia envolvendo o curso de Psicologia, a reprovação de uma estudante em estágio supervisionado e reclamações relacionadas à acessibilidade e à condução de atividades práticas. A instituição confirmou que a estudante já possuía um Plano Individual Pedagógico Adaptativo, o PIPA, antes da avaliação questionada, mas sustenta que as adaptações previstas foram efetivamente aplicadas. Sobre outro estágio citado na apuração, realizado em um ambiente que se tornou alvo de reclamação formal, a universidade afirma que a atividade consistia exclusivamente em acolhimento psicológico de pessoas em vulnerabilidade social e que houve supervisão docente.
O Divinews teve acesso ao pedido de reconsideração administrativa apresentado por uma aluna , estudante do curso de Psicologia, representada por uma advogada. O documento pede revisão da reprovação no estágio supervisionado, preservação de seu percurso acadêmico e reorganização das atividades para permitir a conclusão da graduação ainda em 2026.
O ponto central da contestação é justamente o PIPA. Segundo o requerimento, o plano havia sido elaborado antes da avaliação final, o que demonstraria que a instituição já tinha conhecimento das necessidades específicas da estudante. A defesa questiona, entretanto, se aquilo que estava previsto no documento foi colocado em prática de forma efetiva durante o estágio, especialmente na comunicação, acompanhamento, supervisão e avaliação.
Una diz que adaptações foram aplicadas
Em resposta ao Divinews, a Una confirmou que possui o Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Inclusão (NAPI) e que a aluna já tinha seu PIPA formalizado. A universidade foi além e afirmou que “as adaptações necessárias” foram aplicadas.
Segundo a instituição, o PIPA é elaborado individualmente e orienta estratégias e recursos destinados a garantir condições adequadas de aprendizagem e permanência acadêmica. A resposta estabelece, portanto, uma divergência objetiva entre as partes.
A estudante não questiona a existência formal do PIPA. O que seu pedido administrativo coloca em discussão é se as medidas nele previstas chegaram efetivamente ao estágio e ao processo de avaliação. Já a Una sustenta que as adaptações foram aplicadas. É justamente essa diferença que está no centro da controvérsia.
Nota zero mesmo após 40 horas cumpridas é questionada
Entre os pontos levados à instituição está a avaliação do estágio. No pedido de reconsideração, a defesa afirma que a aluna cumpriu as 40 horas previstas, mas recebeu nota zero em um critério que envolvia pontualidade e cumprimento de carga horária. O documento não conclui automaticamente que a nota seja indevida, mas pede que a universidade esclareça objetivamente qual elemento justificou a pontuação.
Também houve nota zero no quesito trabalho em equipe. A defesa pede que a universidade reavalie o critério considerando as adaptações já previstas no PIPA e diferencie uma eventual deficiência de competência profissional de características relacionadas à comunicação e interação da estudante.
A manifestação encaminhada pela Una ao Divinews não respondeu especificamente por que houve nota zero nesses dois critérios. Isso não significa que a instituição reconheça qualquer erro. Significa apenas que a nota enviada ao portal não apresentou resposta individualizada para esses pontos.
Supervisora teria reconhecido que orientações poderiam ter vindo antes
Outro trecho do pedido administrativo afirma que algumas situações utilizadas posteriormente na avaliação negativa não teriam sido sinalizadas durante o estágio. O documento cita manifestação posterior da própria supervisora, segundo a qual determinados pontos poderiam ter sido comunicados durante o percurso, com admissão da possibilidade de falha nesse aspecto.
A defesa utiliza isso para argumentar que, se determinado comportamento era suficientemente relevante para diminuir a nota, deveria ter sido apontado enquanto ainda existia possibilidade de orientação e correção. Também sobre esse ponto, a resposta enviada pela Una não detalha a avaliação realizada pela instituição.
Alegação de capacitismo também integra o processo
A estudante ainda relatou formalmente um episódio que classifica como capacitismo. No requerimento, afirma que, mesmo após comunicação por e-mail, não teria recebido mediação ou explicação clara sobre as providências adotadas. É importante destacar que a caracterização do episódio como capacitismo é uma alegação da estudante e de sua defesa, e não uma conclusão estabelecida pelo Divinews.
A Una informou que, por respeito à privacidade da aluna, não detalharia publicamente aspectos individuais do caso e declarou permanecer disponível para dialogar diretamente com ela pelos canais internos.
Outro estágio também entrou na apuração
A controvérsia ganhou outro capítulo depois que a aluna encaminhou uma manifestação ao colegiado relatando o caso de outra estudante. Segundo essa reclamação, o plano formal de estágio indicaria que as atividades ocorreriam no consultório particular do professor orientador, mas a execução teria ocorrido em outro local, descrito pela denunciante como um estabelecimento de prostituição conhecido como Bar do Toti (conhecido “point” de garotas de programas”.
A manifestação afirma ainda que a estudante teria realizado atividades no local sem supervisão direta e que o professor orientador teria conhecimento da situação. Essas são alegações apresentadas à universidade, que precisam ser tratadas como tal e não como fatos comprovados.
Una diz que atividade era de acolhimento psicológico
Sobre esse ponto, a instituição apresentou uma resposta mais direta. Segundo a Una, os campos de estágio são definidos prioritariamente pela universidade, embora também levem em consideração escolhas dos próprios estudantes. A instituição afirmou ao Divinews que o caso citado “consistia exclusivamente em acolhimento psicológico ao público de vulnerabilidade social que ali se encontra”.
A Una acrescentou que a atuação da estudante teria seguido “os protocolos acadêmicos do curso, com supervisão de docentes responsáveis pelo acompanhamento do estágio”. A resposta, portanto, contesta a ideia de que a atividade tenha ocorrido academicamente sem acompanhamento ou fora dos protocolos do curso.
Uma questão importante continua aberta
Apesar da manifestação, uma pergunta objetiva feita pelo Divinews não foi esclarecida: o plano oficial do estágio indicava o consultório particular do professor como local das atividades e, posteriormente, elas foram realizadas em endereço diferente?
Os documentos apresentados ao portal fazem justamente essa alegação. A reclamação sustenta que existiria uma diferença entre aquilo que estava formalmente previsto e aquilo que aconteceu na prática. A Una explicou a natureza da atividade e afirmou que havia supervisão, mas não informou na resposta enviada ao Divinews se houve mudança do campo originalmente registrado, se essa mudança foi formalizada ou se o documento acadêmico foi posteriormente alterado.
Essa distinção é importante: realizar atendimento psicológico a pessoas em vulnerabilidade social não constitui, por si só, irregularidade. O questionamento é se o campo de estágio, sua documentação e a forma de supervisão estavam regularmente adequados à atividade efetivamente realizada.
Alegação envolvendo relatório também ficou sem resposta específica
A aluna relatou ainda ao Divinews que o professor orientador teria pedido à outra estudante que registrasse no relatório final um local diferente daquele onde as atividades efetivamente ocorreram. O Divinews não teve acesso a documento que comprove essa suposta orientação. Por isso, a informação não pode ser apresentada como fato.
A pergunta foi encaminhada à instituição no exercício do contraditório. A manifestação recebida da Una não apresentou resposta específica sobre essa alegação. Também não houve esclarecimento individualizado, na nota encaminhada ao portal, sobre eventual conclusão de procedimento interno, aplicação de medida administrativa a professor, resultado do protocolo de reclamação ou eventual mudança no modelo de avaliação dos estágios.
O que está comprovado e o que ainda está em discussão
Com a resposta da instituição, a apuração permite separar com mais clareza os fatos. Está documentalmente confirmado que existia um PIPA antes da avaliação da estudante. A própria Una agora também confirma isso. O que permanece controverso é se as adaptações previstas foram efetivamente implementadas durante todo o estágio e consideradas adequadamente na avaliação. A Una diz que sim; a estudante e sua defesa contestam.
Também está confirmado que houve pedido formal de reconsideração, no qual são questionados acompanhamento, supervisão, critérios avaliativos e acessibilidade.
No segundo episódio, existe uma manifestação formal relatando possível divergência entre o campo previsto e o local em que as atividades teriam ocorrido. A Una, por sua vez, sustenta que o trabalho realizado era de acolhimento psicológico de população vulnerável e que ocorreu dentro dos protocolos acadêmicos e sob supervisão.
Não cabe ao Divinews concluir, neste momento, se houve ou não irregularidade acadêmica, capacitismo ou infração profissional. Há versões conflitantes e questões documentais que ainda precisam de resposta. A reportagem seguirá aberta para novos esclarecimentos da Una, da estudante, dos profissionais mencionados e dos demais envolvidos.
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* Matéria contou com o auxílio de IA na estruturação, mas com conteúdo, apuração, orientação e revisão editorial do Divinews





